quarta-feira, maio 25, 2005
Gosto deste livro
terça-feira, maio 24, 2005
Revivalismo
We'll meet again,
Don't know where,
Don't know when,
But I know
We'll meet again
Some sunny day.
Keep smiling through
Just like you
Always do
Till the blue skies
Drive the dark clouds
Far away.
So will you please
Say hello
To the folks
That I know
Tell them, I won't be long.
They'll be happy to know
That as you saw me go
I was singing this song.
E aqui pode ser ouvida.
quarta-feira, maio 11, 2005
segunda-feira, maio 09, 2005
Dia da Europa
sábado, maio 07, 2005
Gosto desta série
A minha anglofilia expressa-se de muitas formas e uma delas é no culto do humor britânico. Há muitas séries geniais e Little Britain é uma delas. Os dois autores/actores desdobram-se numa conjunto de personagens surreais, ou perigosamente reais, que retratam a Inglaterra actual . A adolescente analfabeta e irresponsável, o gordo preguiçoso numa cadeira de rodas e o idealista voluntário, o único gay da aldeia galesa, o travesti vitoriano de sombrinha, a velha escritora de novelas românticas a metro, a preconceituosa coordenadora dos gordos anónimos... Há as catch-frases memoráveis, a caracterização impecável, as situações inesperadas, a crítica social, o nonsense em voz off. É a minha Inglaterra, mas num espelho distorcido.
sexta-feira, maio 06, 2005
quarta-feira, abril 27, 2005
domingo, abril 24, 2005
Wanderlust
quinta-feira, abril 21, 2005
Vantagens de uma boa imprensa...
Devo confessar que gostei daquele impulso inicial de pisar os calos ao lóbi dos comerciantes de medicamentos. Teve a importância que teve (nula) mas considerei-a uma boa entrada em jogo.
Desde lá até agora,devo dizer que me irritaram diversas medidas. Tenho estado contido mas já não consigo resistir durante mais tempo. Vou, então, enumerá-las:
1. A profunda idiotice de enviar delegados do ministério público (ou até juízes) em acompanhamento (coordenação? emissão de mandatos?) de rusgas policiais;
2. A cretinice dos 1000 estágios para jovens licenciados em ciências e engenharia a integrar nas PME. Se estas deles necessitassem efectivamente (ou seja, se houvesse uma clara determinação das necessidades de recursos humanos por parte da direcção das PME) já os teriam contratado. Assim, com subsídio estatal e tudo, devem ficar a tirar fotocópias das facturas ou a preencher as declarações de IRC e IVA. Até parece que já estou a ouvir os empresários em reunião de amigos a gozar com o assunto;
3. A rematada estupidez dos 500 estágios (300, de primeira, para licenciados provavelmente em locais glamorosos; 200 de segunda para ex-alunos das escolas profissionais, certamente para irem coser bolas de futebol e chuteiras no Paquistão) nas 7 (?) partidas do mundo, em grandes empresas mundiais, supostamente para irem aprender como se inova. Já estou a ver muito bom filho de boas famílias a manobrar para conseguir um destes estágios e depois encontrar um bom emprego nas empresas do costume que todos nós suportamos com os nossos impostos.
O governo do Santana produzia avidamente as já conhecidas idiotices e no próprio dia ou no seguinte deparava-se com a inevitável barragem crítica. O que é feito desta perante semelhante rol do novo governo? Será a imprensa maioritariamente de esquerda? Será o estado de graça?
Por agora chega. Vou investigar as novidades relativas à segurança social e já volto.
domingo, abril 17, 2005
Gosto deste filme
quarta-feira, abril 13, 2005
Gosto deste livro
O autor ficou muito mais conhecido com a série de livros sobre uma mulher detective no Botswana. Mas esta triologia (no que se confirma a minha preferência por livros múltiplos) é anterior e de todo inferior. As aventuras de um professor de filologia românica alemão garantem horas de diversão e mesmo de riso incontido. As idiossincracias académicas, os chauvinismos teimosos, as difíceis relações com o sexo oposto, as viagens, os cães salsicha, os países de opereta da América do Sul, nestes livros cabe um caleidoscópio de personagens e situações díspares e intrigantes. Não será talvez uma obra prima, mas, dentro da literatura humorística, é do melhor que há.
quarta-feira, abril 06, 2005
terça-feira, abril 05, 2005
O poder na ponta dos dedos
Se a informação é realmente poder, que extraordinário manancial de domínio está agora à nossa disposição através de um simples terminal de computador. É certo que circula na net muita informação falaciosa, errada, mistificadora, não comprovada, difamatória, etc. E que são tenebrosos os usos que podem ser feitos dos dados pessoais que residem em multiplos sítios na rede. E que se abrem portas à fraude, ao plágio, à cópia ilegal. E que provavelmente a esmagadora utilização deste recurso se dirija para o entretenimento, os jogos, a pornografia, a conversa de chacha.
Mas que mundo de possibilidades se abre com a internet. Consultar uma enciclopédia, ler um livro ou um artigo científico, verificar uma data ou um nome, estar a par das notícias, marcar uma viagem, comprar um frigorífico, ouvir música, ver um filme, visitar um museu virtual, encontrar um poema, conferir a grafia de uma palavra ou o significado de uma expressão, pesquisar uma receita, fazer a inscrição num congresso, procurar emprego, reservar um bilhete para um espectáculo, falar com amigo distante.
Nenhum destes actos é verdadeiramente novo. Mas poder realiza-los todos do conforto de casa, sentado numa cadeira, apenas pela pressão dos dedos num teclado, é magnífico.
domingo, abril 03, 2005
Gosto desta música
Johannes Sebastian Bach é para mim o maior entre os mestres. Entre centenas de obras-primas, esta é talvez a minha preferida. A harmonia perfeita tão típica do barroco é levada ao extremo, aos limites do sublime. Lembra-me bosques verdejantes num dia de sol, o sol a brilhar entre as folhas das árvores, um regato a correr através de um prado, um dia de sonho. Música para louvar a deus.
sábado, abril 02, 2005
Os homens da minha vida
sexta-feira, abril 01, 2005
Espírito da Primavera
That floats on high o'er vales and hills,
When all at once I saw a crowd,
A host of golden daffodils,
Beside the lake, beneath the trees,
Fluttering and dancing in the breeze.
Continuous as the stars that shine
And twinkle on the Milky Way,
They stretch'd in never-ending line
Along the margin of a bay:
Ten thousand saw I at a glance,
Tossing their heads in sprightly dance.
The waves beside them danced, but they
Outdid the sparkling waves in glee:—
A poet could not but be gay
In such a jocund company!
I gazed, and gazed, but little thought
What wealth the show to me had brought:
For oft, when on my couch I lie
In vacant or in pensive mood,
They flash upon that inward eye
Which is the bliss of solitude;
And then my heart with pleasure fills,
And dances with the daffodils.
W. Wordsworth
quarta-feira, março 30, 2005
Lindo gatinho
quinta-feira, março 24, 2005
No centenário
Acho que foram os livros de Julio Verne a fazer germinar o meu amor pela literatura. Tantas horas entretidas em viagens de balão, submarino, elefante, veleiro, foguetão, transatlântico, cavalo, comboio. Em África, na China, na Patagónia, na Polinésia, na Sibéria. O heroi destemido, a heroína a carecer de regate, os companheiros humorísticos, o vilão odioso. Numa ilha, num castelo, no fundo do mar, à volta do mundo, dentro de um vulcão. Máquinas engenhosas, futuros tecnológicos, natureza extrema. De tudo havia nos romances de Julio Verne. Até enlaces românticos. Mas sobretudo aventura, exploração, descoberta. São hinos de amor à ciência mas também às virtudes humanas: coragem, generosidade, engenho, curiosidade, amizade.
Há em Paris uma livraria com o nome dele. Dedicada à literatura de viagens.
domingo, março 20, 2005
Música para as massas
sábado, março 19, 2005
Memorabilia
Há muitos anos passava na tv uma série de desenhos animados jugolsva de que guardo ternas memórias. O Professor Baltazar resolvia todos os problemas do mundo construindo máquinas que terminavam em torneiras que deitavam um líquido que provoca uma explosão e tudo acabava em bem. Pacifista, bem humorado, divertido, colorido. Já não há desenhos animados assim...
terça-feira, março 15, 2005
segunda-feira, março 14, 2005
Às vezes isto não me sai da cabeça
Where no doctor can relieve me
If I'm buried 'neath the sod
But the angels won't receive me
Let me go, boys
Let me go, boys
Let me go down in the mud
Where the rivers all run dry
Bury me at sea
Where no murdered ghost can haunt me
If I rock upon the waves
Then no corpse can lie upon me
It's coming up three, boys
Keeps coming up three, boys
Let them go down in the mud
Where the rivers all run dry
Pogues
sexta-feira, março 11, 2005
Contra o Dia da Mulher
segunda-feira, março 07, 2005
Gosto deste bicho
Tem muito em comum comigo, é herbívoro, inofensivo e pouco amigo de se mexer com velocidade. Alguns exemplares tornam-se mesmo esverdeados, devido a algas que crescem no pêlo. Têm um ar sorridente e quase humano. Não chateiam ninguém, chegam a estar uma semana sem deixar uma árvore. É um bicho simpático.
domingo, março 06, 2005
Outro dia de disposição patriótica
And did those feet in ancient time
Walk upon England's mountains green?
And was the holy Lamb of God
On England's pleasant pastures seen?
And did the Countenance Divine
Shine forth upon our clouded hills?
And was Jerusalem builded here
Among these dark Satanic mills?
Bring me my bow of burning gold:
Bring me my arrows of desire:
Bring me my spear: O clouds unfold!
Bring me my chariot of fire.
I will not cease from mental fight,
Nor shall my sword sleep in my hand
Till we have built Jerusalem
In England's green and pleasant land.
William Blake
terça-feira, março 01, 2005
Ódios de estimação
Adoro parquímetros. Custa-me pagá-los, mas aceito a despesa adicional como um imposto por preterir os transportes públicos. Verdade seja dita, para o par de horas que geralmente uso, a quantia é irrisória. Adoro parquímetros porque me permitem arranjar estacionamento em qualquer parte da cidade: é tal a repugância dos automobilistas por dispender uns trocos que há sempre lugares disponíveis. Mas tal também traz malefícios. Carros nos passeios, carros nas curvas, carros nas passadeiras, carros a tapar a visibilidade, carros à porta da garagem, carros nos viadutos, carros nas rotundas.
Depois há a mania tão portuga do "eu vou só ali e já volto": carros em segunda fila, carros no meio da estrada, carros a impedir o caminho. E do "é só um instantinho para deixar aqui um passageiro". E agora a moda de parar o carro na berma, mesmo na auto-estrada, para atender o telemóvel.
Ai se eu tivesse o raio da morte...
domingo, fevereiro 27, 2005
A peste
sábado, fevereiro 26, 2005
Gosto deste livro
Confesso uma predilecção por livros multiplos: triologias, tetralogias, dodecaedrologias... Mais satisfatórios ainda que os livros longos, porque a divisão em obras autónomas torna possível fazer pausas, interrupções mais ou menos longas, retomar a história sem perder o rumo porque são geralmente feitas referências aos volumes precedentes...
E este é um dos meus favoritos. O exotismo dos sítios, das personagens, das situações, a atmosfera complexa do entre-guerras, a escrita poética e cuidada. Está muito bem conseguida a pluralidade de pontos de vista em que um mesmo acontecimento é descrito em diferentes momentos do livro. É tantalizador tentar perceber todos os fios da meada, que só se destrinçam na totalidade quando se chega ao fim do quarto volume. Como na vida, não há finais felizes e não há verdadeiramente um fim da história.
quinta-feira, fevereiro 24, 2005
A vida continua
On a simple line day by day
The earth spins on its axis
One man struggle while another relaxes
Massive Attack
terça-feira, fevereiro 22, 2005
Isto ajuda-me a pensar
sexta-feira, fevereiro 18, 2005
Declaração de voto
A mobilização é quase nula mas entendo que é necessário mudar. E com maioria absoluta.
É imprescindível que não restem desculpas para o imobilismo e para a sujeição da vontade aos lóbis e corporativismos que tolheram o (tímido) impulso de mudança dos últimos governos.
Estou também convencido que, mesmo que obtenha a maioria absoluta, o governo do PS não terá vida fácil. Seguindo-se ao inenarrável governo de Santana Lopes, este governo será, provavelmente, o mais escrutinado da ainda curta história democrática portuguesa. E é necessário que assim seja. Não para que cumpra o seu programa eleitoral, cujo destino pós-eleitoral será, certamente o lixo. Mas para alinhave e cumpra três ou quatro medidas fundamentais para o futuro do país. Controle das finanças públicas, qualificação das novas gerações e das menos novas até ao limite do democraticamente possível, reforma fiscal e reforma da justiça. Saúde e Segurança Social para quando possível.
Não será certamente a última oportunidade, mas não teremos muitas mais.
quinta-feira, fevereiro 17, 2005
segunda-feira, fevereiro 14, 2005
Dia de S. Valentim
E eu n'alma - tenho a calma,
A calma - do jazigo.
Ai! não te amo, não.
Não te amo, quero-te: o amor é vida.
E a vida - nem sentida
A trago eu já comigo.
Ai, não te amo, não!
Ai! não te amo, não; e só te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.
Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela.
Quem ama a aziaga estrela
Que lhe luz na má hora
Da sua perdição?
E quero-te, e não te amo, que é forçado,
De mau feitiço azado
Este indigno furor.
Mas oh! não te amo, não.
E infame sou, porque te quero; e tanto
Que de mim tenho espanto,
De ti medo e terror...
Mas amar!... não te amo, não.
Almeida Garrett
domingo, fevereiro 13, 2005
sábado, fevereiro 12, 2005
Um dia tão bonito merece uma canção de Cole Porter
I'm in Heaven
And my heart beats so that I can hardly speak
And I seem to find the happiness I seek
When we're out together dancing cheek to cheek
Heaven
I'm in Heaven
And the cares that hang around me through the week
Seem to vanish like a gambler's lucky streak
When we're out together dancing cheek to cheek
Oh! I love to climb a mountain
And to reach the highest peak
But it doesn't thrill me half as much
As dancing cheek to cheek
Oh! I love to go out fishing
In a river or a creek
But I don't enjoy it half as much
As dancing cheek to cheek
Dance with me
I want my arm about you
The charm about you
Will carry me through to
Heaven
I'm in Heaven
And my heart beats so that I can hardly speak
And I seem to find the happiness I seek
When we're out together dancing cheek to cheek
sexta-feira, fevereiro 11, 2005
Gosto deste filme
Deve ser a enésima adaptação do livro, mas é também uma das mais fiéis. Está lá o estilo ultra-romântico, a tragédia, o erotismo, a weltanschauung oitocentista do progresso, da doença, da nostalgia medieva. E estão as imagens oníricas, as cores fortes, as passagens de cena imaginativas de um grande realizador. Se os secundários são contestáveis (ainda está para aparecer um filme em que o Keanu Reeves seja mais expressivo que o pinóquio), os actores principais foram escolhidos a dedo. Eu tive dúvidas antes de ver o Gary Oldman, mas era mera ignorância. Sedutor e temível, o sotaque mitteleuropa fica na memória. I have crossed ocean of time to find you...
terça-feira, fevereiro 08, 2005
Os homens da minha vida
domingo, fevereiro 06, 2005
Hoje acordei com uma disposição surrealista
Tuthankamon apetite
Já minha avó me dizia
Olha que a sopa arrefece
Zeca Afonso
quarta-feira, fevereiro 02, 2005
Ódios de estimação
terça-feira, fevereiro 01, 2005
Hoje acordei com uma disposição patriótica
This royal throne of kings, this scepter’d isle,
This earth of majesty, this seat of Mars,
This other Eden, demi-paradise,
This fortress built by Nature for herself
Against infection and the hand of war,
This happy breed of men, this little world,
This precious stone set in the silver sea,
Which serves it in the office of a wall,
Or as a moat defensive to a house,
Against the envy of less happier lands,
This blessed plot, this earth, this realm, this England
William Shakespear, Richard II
domingo, janeiro 30, 2005
sexta-feira, janeiro 28, 2005
Um livro e uma série
Um grande livro e uma grande série de televisão. Um olhar amargo e doce sobre a Inglaterra entre guerras. Uma história de amizade um tanto trágica, mas também é um retrato dos abismos de classe, de religião, de género. Evelyn Waugh é dos mais divertidos escritores deste período, mas há pouco humor nesta obra, a não ser as excentricidades de Sebastian. Ao breve verão de morangos e champanhe no campo sucede um longo outono nostálgico, de desencontros, incompreensões e separações nos cenários melancólicos de Londres, Veneza, um paquete transatlântico, o Norte de África. E a série contou com alguns dos melhores actores britânicos de várias gerações, do jovem Jeremy Irons ao Olivier em final de carreira. Inesquecível.
quinta-feira, janeiro 27, 2005
Os desafios agridoces de amar um gato
quarta-feira, janeiro 26, 2005
Recomendo
Fiel ao livro: à história, à moral, à caracterização das personagens. Visualmente deslumbrante. Ritmo enérgico. Boa escolha de cast. Que se lixem os críticos ignorantes com poleiro na imprensa.
segunda-feira, janeiro 24, 2005
Ontem como hoje
domingo, janeiro 23, 2005
Gosto deste filme
Porque é bonito: a história, os actores, as paisagens, os bichos, a música, as espadas, os castelos, as igrejas. Porque eu sou um dragão muito romântico...
sexta-feira, janeiro 21, 2005
Um país de analfabetos e de doutores
Depois há os outros, a também considerável mole de licenciados inempregáveis, com cursos exdrúxulos, obtidos em universidades de duvidosa qualidade, com notas baixíssimas. Com parcos conhecimentos e limitadas capacidades, o mercado de trabalho só encontra lugar para eles em posições não qualificadas ou nas empresas dos pais ou amigos dos pais.
É estranhíssima a antipatia social gerada pelos cursos técnicos. Teremos todos de ser doutores? Porque é que se oferecem licenciaturas em áreas tão notoriamente profissionalizantes e/ou técnicas como secretariado, conservação e restauro, radiologia? Porque é que os politécnicos insistem em assemelhar-se a universidades, a criar mestrados e doutoramentos? Porque é que o ensino secundário é tão parco em cursos técnicos? Porque é que a educação universitária parece ser tão inevitável, mesmo para quem concluiu com muito pouco sucesso os graus anteriores?
quarta-feira, janeiro 19, 2005
Um dos homens da minha vida
Estava no meu livro de história, algures no ensino secundário. Enamorei-me da fotografia e do que ela representava: uma vida consagrada às letras, à arte de escrever, aos minuciosos hieroglifos egípcios.
Mas foi ao vê-lo de perto que me apaixonei mesmo. Este pequeno homenzinho sentado no seu cubo de vidro, velho de milhares de anos, tem um brilho nos olhos, um meio sorriso, uma serenidade sábia que me derreteu o coração. Depois de restaurado tem ainda melhor aspecto, um tom de pele mais uniforme, um ar de quase vida. Apetece levá-lo para a casa, sentá-lo no sofá, dar-lhe uma caneta para que cumpra o seu destino. É um dos homens da minha vida.
terça-feira, janeiro 18, 2005
Do que eu havia de me lembrar hoje...
Que tem muito que contar!
Ouvide, agora, senhores,
Uma história de pasmar.
Passava mais de ano e dia
Que iam na volta do mar
Já não tinham que comer,
Já não tinham que manjar.
Deitaram sola de molho
Para o outro dia jantar;
Mas a sola era tão rija
Que a não puderam tragar.
Deitaram sorte à ventura
Qual se havia de matar;
Logo foi cair a sorte
No capitão general.
-- Sobe, sobe, marujinho,
Àquele mastro real,
Vê se vês terras de Espanha,
As praias de Portugal.
"Não vejo terras de Espanha,
Nem praias de Portugal;
Vejo sete espadas nuas
Que estão para te matar".
-- Acima, acima gajeiro,
Acima ao tope real!
Olha se enxergas Espanha,
Areias de Portugal
"Alvíçaras, capitão,
Meu capitão general!
Já vejo terra de Espanha,
Areias de Portugal.
Mais enxergo três meninas
Debaixo de um laranjal:
Uma sentada a coser,
Outra na roca a fiar,
A mais formosa de todas
Está no meio a chorar".
--Todas três são minhas filhas,
Oh! quem mas dera abraçar!
A mais formosa de todas
Contigo a hei-de casar.
"A vossa filha não quero,
Que vos custou a criar".
-- Dar-te-ei tanto dinheiro,
Que o não possas contar.
"Não quero o vosso dinheiro,
pois vos custou a ganhar!
-- Dou-te o meu cavalo branco,
Que nunca houve outro igual.
"Guardai o vosso cavalo,
Que vos custou a ensinar".
--Dar-te-ei a nau Catrineta
Para nela navegar.
"Não quero a nau Catrineta
Que a não sei governar".
-- Que queres tu, meu gajeiro,
Que alvíçaras te hei-de dar? "
Capitão, quero a tua alma
Para comigo a levar".
-- Renego de ti, demônio,
Que me estavas a atentar!
A minha alma é só de Deus,
O corpo dou eu ao mar.
Tomou-o um anjo nos braços,
Não o deixou afogar.
Deu um estouro o demônio,
Acalmaram vento e mar;
E à noite a nau Catrineta
Estava em terra a varar.
segunda-feira, janeiro 17, 2005
Gosto deste quadro
Vermeer tinha o toque mágico para as cenas de interiores (mas a vista de Delft também é deslumbrante). Mas, pouco sensível às personagens e situações domésticas, é este (e o Geógrafo) o que mais me encanta. Tem todo o detalhe da luz, dos tecidos, dos gestos, dos objectos dos restantes quadros, com o adicional interesse da figura retratada: um astrónomo. É belíssimo e desconfio que vou encontrar lugar para ele na tese...
sábado, janeiro 15, 2005
Um livro, um filme, uma canção
Geralmente não gosto de adaptações de livros ao cinema. Nunca parecem ser suficientemente fiéis ao original. Mas este é uma excepção. Segue à letra a história, que é uma das mais belas e poderosas da literatura inglesa. Deu os rostos certos às personagens. Reproduz com fidelidade a atmosfera neo-gótica, ultra-romântica, tenebrosa do romance. Usa com mestria as desoladas paisagens dos moors do Yorkshire. Tem uma banda sonora outonal e assombrosa de Ryuichi Sakamoto.
Uma história de amor impossível, avassaladora, cheia de contradições, ódio e vingança, que perdura para além da morte e só alcança redenção nas gerações seguintes. Heathcliff e Cathy assombram ainda os amantes da literatura.
Há também uma canção famosa da Kate Bush, nomeada agora como uma das melhores canções britânicas de sempre.
sexta-feira, janeiro 14, 2005
Estoicismo face às contrariedades
Gently down the stream.
Merrily, merrily, merrily, merrily,
Life is but a dream.
Embora não partilhe as crenças que lhe subjazem, há uma oração sábia, que pede "paciência para as coisas que não posso mudar, coragem para as que posso e sabedoria para distinguir a diferença".
quarta-feira, janeiro 12, 2005
And now for something completely different
terça-feira, janeiro 11, 2005
Looking forward
sábado, janeiro 08, 2005
Gosto deste livro
quinta-feira, janeiro 06, 2005
Os homens da minha vida
quarta-feira, janeiro 05, 2005
Algo de bonito para variar
Queen - One woe doth tread upon another's heel,So fast they follow. Your sister's drown'd, Laertes.
Laer. -Drown'd! O, where?
Queen - There is a willow grows aslant a brook,
That shows his hoar leaves in the glassy stream.
There with fantastic garlands did she come
Of crow-flowers, nettles, daisies, and long purples
That liberal shepherds give a grosser name,
But our cold maids do dead men's fingers call them;
There, on the pendent boughs her coronet weeds
Clamb'ring to hang, an envious silver broke,
When down her weedy trophies and herself
Fell in the weeping brook. Her clothes spread wide,
And, mermaid-like, awhile they bore her up;
Which time she chanted snatches of old tunes,
As one incapable of her own distress,
Or like a creature native and indued
Unto that element. But long it could not be
Till that her garments, heavy with their drink,
Pull'd the poor wretch from her melodious lay
To muddy death.
Laer.- Alas, then, is she drown'd?
Queen. Drown'd, drown'd.
terça-feira, janeiro 04, 2005
O infame cartaz
segunda-feira, janeiro 03, 2005
Gosto deste filme
sexta-feira, dezembro 31, 2004
Foi um bom ano
quinta-feira, dezembro 30, 2004
O fim perfeito
quarta-feira, dezembro 29, 2004
Os ursos da minha vida
terça-feira, dezembro 28, 2004
Um quadro que é também uma canção.
domingo, dezembro 26, 2004
Gosto deste livro
A minha história de amor com a literatura inglesa contemporânea começou com Julian Barnes. Estas dez narrativas e meia, de estilo e conteúdo muito variado abriram-me os olhos à prosa fluída, ao humor, aos encantos diversos da ficção e do ensaio. Depois veio o romance a três vozes Talking it over, outra revelação: como é diferente uma história contada por três observadores/participantes distintos. Os outros romances talvez não sejam tão inovadores, tão supreendentes, mas são pequenas pérolas. Ninguém escreve literatura do quotidiano como os ingleses. e gosto mesmo deste autor.
domingo, dezembro 19, 2004
sábado, dezembro 18, 2004
A calimerização da política portuguesa
terça-feira, dezembro 14, 2004
Separados, mas juntos
Finalmente a novela desenlaça-se: separam-se agora, mas prometem juntar-se no futuro
Ao olhar os nubentes não consegui disfarçar uma lágrima irreprimível...
Estou rendido... aqueles olhares cúmplices , aquele abraço fraterno e contudo ardente...
Novela mexicana às 8.30 da noite em directo no telejornal está para além do suportável.
Quem conseguirá romper o acordo assinado hoje, às 8,30, perante milhões de portugueses?
Uma advertência: com tanto calculismo eleitoral, desenhado unicamente para impedir uma maioria absoluta do PS, ainda forçam o voto útil no PS
Os homens da minha vida
segunda-feira, dezembro 13, 2004
Gosto deste quadro
Lying, robed in snowy white
That loosely flew to left and right --
The leaves upon her falling light --
Thro' the noises of the night,
She floated down to Camelot:
And as the boat-head wound along
The willowy hills and fields among,
They heard her singing her last song,
The Lady of Shalott.
domingo, dezembro 12, 2004
Gosto deste filme
sábado, dezembro 11, 2004
A pedido de várias famílias
sexta-feira, dezembro 10, 2004
Chegou e disse, pôs o chapéu e foi-se
Gostei.
quinta-feira, dezembro 09, 2004
Noite fria com estrelas
How I wonder what you are.
Up above the world so high,
Like a diamond in the sky.
Twinkle, twinkle, little star,
How I wonder what you are.
quarta-feira, dezembro 08, 2004
terça-feira, dezembro 07, 2004
Gosto deste livro
segunda-feira, dezembro 06, 2004
Gatos e árvores de Natal
domingo, dezembro 05, 2004
Os ursos da minha vida
sexta-feira, dezembro 03, 2004
Gosto deste filme
quinta-feira, dezembro 02, 2004
Depois da euforia
Mas é preciso estar vigilante. A imagem sugerida pelo Eng. Sócrates como Primeiro-Ministro e o conjunto de nomes que coordena (coordenará... coordenaria) aquela tontice mal amanhada que dá pelo nome de "Novas Fronteiras" suscita prevenção e cautelas redobradas.
A repetição, passo a passo, do guterrismo (porque nada de essencialmente novo e inovador tem vindo a público) é aterradora e tem de ser prevenida a todo o custo.
Depois da incompetência absoluta do lopismo, nada pior que a indolência pastosa e paternalista de um repisado guterrismo.