quarta-feira, maio 25, 2005

Gosto deste livro

Ainda na senda da segunda guerra mundial, lembrei-me desta obra. É mais uma vez um conjunto de livros (uma trilogia, seguida de outra), que segue os reveses da fortuna de um casal britânico neste período histórico. É raro eu gostar de literatura escrita por uma mulher, mas há qualquer coisa de muito apelativo nestes livros. Talvez o exotismo das localizações (Roménia, Grécia, Egipto, Próximo Oriente), talvez a sensação dos protagonistas estarem recorrentemente a fugir da avalanche da guerra que os ameaça envolver, talvez a galeria de secundários pitorescos, talvez o retrato de um casamento disfuncional e de uma mulher resiliente, talvez a história de pessoas comuns a viverem num tempo incomum. Quase duas mil páginas que prendem, enredam, emocionam o leitor. Os livros foram adaptados à televisão, numa série protagonizada por Kenneth Branagh e Emma Thompson, quando eram o casal maravilha do teatro inglês. Gosto muito deste livros.

terça-feira, maio 24, 2005

Revivalismo

Uma canção patriótica da 2ª Guerra, cantada pela Vera Lynn

We'll meet again,
Don't know where,
Don't know when,
But I know
We'll meet again
Some sunny day.

Keep smiling through
Just like you
Always do
Till the blue skies
Drive the dark clouds
Far away.

So will you please
Say hello
To the folks
That I know
Tell them, I won't be long.

They'll be happy to know
That as you saw me go
I was singing this song.

E aqui pode ser ouvida.

quarta-feira, maio 11, 2005

segunda-feira, maio 09, 2005

Dia da Europa

Eu europeísta me confesso. Gosto de carros alemães. De literatura britânica. De queijos franceses. De pintura holandesa. De goffres belgas. De comida italiana. De mobília sueca. Da vida urbana espanhola. De Legos dinamarqueses. De kombolois gregos. De pantufas finlandesas. De música irlandesa. De séries de televisão austríacas. Do mar português. Sinto-me em casa na Europa. Mas na Europa multicolor, multiétnica, multilíngue, cosmopolita, tolerante e aberta.

sábado, maio 07, 2005

Gosto desta série



A minha anglofilia expressa-se de muitas formas e uma delas é no culto do humor britânico. Há muitas séries geniais e Little Britain é uma delas. Os dois autores/actores desdobram-se numa conjunto de personagens surreais, ou perigosamente reais, que retratam a Inglaterra actual . A adolescente analfabeta e irresponsável, o gordo preguiçoso numa cadeira de rodas e o idealista voluntário, o único gay da aldeia galesa, o travesti vitoriano de sombrinha, a velha escritora de novelas românticas a metro, a preconceituosa coordenadora dos gordos anónimos... Há as catch-frases memoráveis, a caracterização impecável, as situações inesperadas, a crítica social, o nonsense em voz off. É a minha Inglaterra, mas num espelho distorcido.

domingo, abril 24, 2005

Wanderlust

É algo que me dá de tempos a tempos. Uma vontade de partir, fazer as malas e embarcar num avião. Não significa um descontentamento com a minha vida actual. Nem desejo de estar só, porque não concebo uma viagem sem o dragão verde. É uma pulsão por mudar de ares, ver-me livre de um país que me desgosta, nem que seja por uns dias. Passear, ver coisas bonitas num museu, ler a imprensa local, falar uma língua estrangeira, estudar um mapa, planificar os dias para aproveitar cada instante, sentar-me numa esplanada em frente a um monumento, dormir num quarto de hotel, comer refeições indígenas, palminhar as ruas, fotografar cada paisagem urbana que me desperta o interesse, comprar livros, usar os transportes públicos, descansar num banco de jardim, escrever postais, saborear cada instante e guardá-lo na memória como um tesouro. Não é um wanderlust campestre nem exótico, nem de praias nem de montanhas. É um wanderlust urbano, europeu, civilizado. E começa a dar-me formigueiro nos pés...

quinta-feira, abril 21, 2005

Vantagens de uma boa imprensa...

Ainda não tinha escrito o meu primeiro post sobre o governo socialista...
Devo confessar que gostei daquele impulso inicial de pisar os calos ao lóbi dos comerciantes de medicamentos. Teve a importância que teve (nula) mas considerei-a uma boa entrada em jogo.
Desde lá até agora,devo dizer que me irritaram diversas medidas. Tenho estado contido mas já não consigo resistir durante mais tempo. Vou, então, enumerá-las:
1. A profunda idiotice de enviar delegados do ministério público (ou até juízes) em acompanhamento (coordenação? emissão de mandatos?) de rusgas policiais;
2. A cretinice dos 1000 estágios para jovens licenciados em ciências e engenharia a integrar nas PME. Se estas deles necessitassem efectivamente (ou seja, se houvesse uma clara determinação das necessidades de recursos humanos por parte da direcção das PME) já os teriam contratado. Assim, com subsídio estatal e tudo, devem ficar a tirar fotocópias das facturas ou a preencher as declarações de IRC e IVA. Até parece que já estou a ouvir os empresários em reunião de amigos a gozar com o assunto;
3. A rematada estupidez dos 500 estágios (300, de primeira, para licenciados provavelmente em locais glamorosos; 200 de segunda para ex-alunos das escolas profissionais, certamente para irem coser bolas de futebol e chuteiras no Paquistão) nas 7 (?) partidas do mundo, em grandes empresas mundiais, supostamente para irem aprender como se inova. Já estou a ver muito bom filho de boas famílias a manobrar para conseguir um destes estágios e depois encontrar um bom emprego nas empresas do costume que todos nós suportamos com os nossos impostos.

O governo do Santana produzia avidamente as já conhecidas idiotices e no próprio dia ou no seguinte deparava-se com a inevitável barragem crítica. O que é feito desta perante semelhante rol do novo governo? Será a imprensa maioritariamente de esquerda? Será o estado de graça?
Por agora chega. Vou investigar as novidades relativas à segurança social e já volto.

domingo, abril 17, 2005

Gosto deste filme


zissou
Originally uploaded by Aloysius.
Raramente saio do cinema com semelhante sensação de maravilhamento. Não é um filme, é uma experiência. É impossível elencar tudo o que deslumbra nesta obra-prima. As personagens da equipa Zissou. O barco. A ilha peixeespada. O design seventies. As cores. As músicas do David Bowie em brasileiro. O mar. As peripécias do argumento. O cão perneta. Os piratas filipinos. A fauna fantasiosa. A geografia inventada. A ciência parodiada. As cenas de acção roubadas a filme série Z. Os actores. A terna homenagem aos documentários do Cousteau da minha infância. O clube dos exploradores. O tema da recomposição familiar e dos dilemas da paternidade. A viagem final no submarino. Gosto mesmo muito deste filme. Muito.

quarta-feira, abril 13, 2005

Gosto deste livro


O autor ficou muito mais conhecido com a série de livros sobre uma mulher detective no Botswana. Mas esta triologia (no que se confirma a minha preferência por livros múltiplos) é anterior e de todo inferior. As aventuras de um professor de filologia românica alemão garantem horas de diversão e mesmo de riso incontido. As idiossincracias académicas, os chauvinismos teimosos, as difíceis relações com o sexo oposto, as viagens, os cães salsicha, os países de opereta da América do Sul, nestes livros cabe um caleidoscópio de personagens e situações díspares e intrigantes. Não será talvez uma obra prima, mas, dentro da literatura humorística, é do melhor que há.

terça-feira, abril 05, 2005

O poder na ponta dos dedos

Se eu tivesse de nomear a mais importante transformação tecnológica das últimas décadas, o que me viria logo à cabeça é a internet. Talvez haja outras inovações - na área da saúde, ou dos transportes, ou do trabalho - que tenham um impacto mais profundo na minha vida, mas a internet mudou o meu quotidiano.
Se a informação é realmente poder, que extraordinário manancial de domínio está agora à nossa disposição através de um simples terminal de computador. É certo que circula na net muita informação falaciosa, errada, mistificadora, não comprovada, difamatória, etc. E que são tenebrosos os usos que podem ser feitos dos dados pessoais que residem em multiplos sítios na rede. E que se abrem portas à fraude, ao plágio, à cópia ilegal. E que provavelmente a esmagadora utilização deste recurso se dirija para o entretenimento, os jogos, a pornografia, a conversa de chacha.
Mas que mundo de possibilidades se abre com a internet. Consultar uma enciclopédia, ler um livro ou um artigo científico, verificar uma data ou um nome, estar a par das notícias, marcar uma viagem, comprar um frigorífico, ouvir música, ver um filme, visitar um museu virtual, encontrar um poema, conferir a grafia de uma palavra ou o significado de uma expressão, pesquisar uma receita, fazer a inscrição num congresso, procurar emprego, reservar um bilhete para um espectáculo, falar com amigo distante.
Nenhum destes actos é verdadeiramente novo. Mas poder realiza-los todos do conforto de casa, sentado numa cadeira, apenas pela pressão dos dedos num teclado, é magnífico.

domingo, abril 03, 2005

Gosto desta música



Johannes Sebastian Bach é para mim o maior entre os mestres. Entre centenas de obras-primas, esta é talvez a minha preferida. A harmonia perfeita tão típica do barroco é levada ao extremo, aos limites do sublime. Lembra-me bosques verdejantes num dia de sol, o sol a brilhar entre as folhas das árvores, um regato a correr através de um prado, um dia de sonho. Música para louvar a deus.

sábado, abril 02, 2005

Os homens da minha vida


errol
Originally uploaded by Aloysius.
De collants e espada na mão, o mais destemido dos heróis. Fora da lei, flibusteiro, cowboy, cortesão, era nos filmes de aventura de época que mais brilhava. Talvez fosse um actor limitado, mas destilava charme de todos os poros. A sombrancelha arqueada, o sorriso malandro, as proezas acrobáticas para resgatar a pobre donzela em perigo. Nasceu na exótica Tasmânia e teve uma série de empregos bizarros antes de se tornar actor. Ao que parece a Olivia de Havilland não o podia ver nem pintado, tinha simpatias nazis e uns processos legais obscuros por sexo com menores. Acabou alcoólico e falido, a representar-se a si mesmo em filmes melancólicos. Mas é para mim o melhor espadachim da tela e um dos homens da minha vida.

sexta-feira, abril 01, 2005

Espírito da Primavera

I wander'd lonely as a cloud
That floats on high o'er vales and hills,
When all at once I saw a crowd,
A host of golden daffodils,
Beside the lake, beneath the trees,
Fluttering and dancing in the breeze.


Continuous as the stars that shine
And twinkle on the Milky Way,
They stretch'd in never-ending line
Along the margin of a bay:
Ten thousand saw I at a glance,
Tossing their heads in sprightly dance.

The waves beside them danced, but they
Outdid the sparkling waves in glee:—
A poet could not but be gay
In such a jocund company!
I gazed, and gazed, but little thought
What wealth the show to me had brought:

For oft, when on my couch I lie
In vacant or in pensive mood,
They flash upon that inward eye
Which is the bliss of solitude;
And then my heart with pleasure fills,
And dances with the daffodils.

W. Wordsworth

quarta-feira, março 30, 2005

Lindo gatinho


G2
Originally uploaded by Aloysius.
Meu lindo gatinho, tão trabalhador... quando é que aprendes a pôr posts, que os dragões andam muito pouco blogue-activos...

quinta-feira, março 24, 2005

No centenário


Librarie Jules Verne
Originally uploaded by Aloysius.

Acho que foram os livros de Julio Verne a fazer germinar o meu amor pela literatura. Tantas horas entretidas em viagens de balão, submarino, elefante, veleiro, foguetão, transatlântico, cavalo, comboio. Em África, na China, na Patagónia, na Polinésia, na Sibéria. O heroi destemido, a heroí­na a carecer de regate, os companheiros humorísticos, o vilão odioso. Numa ilha, num castelo, no fundo do mar, à volta do mundo, dentro de um vulcão. Máquinas engenhosas, futuros tecnológicos, natureza extrema. De tudo havia nos romances de Julio Verne. Até enlaces românticos. Mas sobretudo aventura, exploração, descoberta. São hinos de amor à ciência mas também às virtudes humanas: coragem, generosidade, engenho, curiosidade, amizade.

Há em Paris uma livraria com o nome dele. Dedicada à literatura de viagens.

domingo, março 20, 2005

Música para as massas

Há neste cantinho solarengo de um tenebroso país uma excelente inciativa: a Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras. Umas duas vezes por mês em cada concelho apresentam-se ao público numa sala de espectáculos ou igreja, com entrada gratuita e tocam um pouco mais de uma hora de música. Suspeito que os concertos com autores mais populares, como Mozart e Vivaldi, são mais frequentados que as incursões na música contemporânea. Como a Orquestra funciona também como uma escola para jovens intérpretes, nem sempre a qualidade da execução é a toda a prova. Parece-me que o facto da audiência aplaudir nas pausas entre andamentos causará alguma irritação nos músicos. E dúvido que se se vendessem bilhetes as salas ficariam tão compostas. Mas é política cultural municipal a sério, democrática e de qualidade. E, uma ou duas vezes por mês, uma experiência a não perder.

sábado, março 19, 2005

Memorabilia



Há muitos anos passava na tv uma série de desenhos animados jugolsva de que guardo ternas memórias. O Professor Baltazar resolvia todos os problemas do mundo construindo máquinas que terminavam em torneiras que deitavam um líquido que provoca uma explosão e tudo acabava em bem. Pacifista, bem humorado, divertido, colorido. Já não há desenhos animados assim...

segunda-feira, março 14, 2005

Às vezes isto não me sai da cabeça

If I should fall from grace with God
Where no doctor can relieve me
If I'm buried 'neath the sod
But the angels won't receive me

Let me go, boys
Let me go, boys
Let me go down in the mud
Where the rivers all run dry

Bury me at sea
Where no murdered ghost can haunt me
If I rock upon the waves
Then no corpse can lie upon me

It's coming up three, boys
Keeps coming up three, boys
Let them go down in the mud
Where the rivers all run dry

Pogues

sexta-feira, março 11, 2005

Contra o Dia da Mulher

Eu sou contra o Dia da Mulher (e do Homem e da Minoria Étnica e do Deficiente e do Gato e da Pulga). Eu sou contra mulheres serem condecoradas no Dia da Mulher: pressupõe-se que é mais por serem mulheres que por terem atingido a excelência nas suas áreas respectivas. Eu sou contra as quotas de mulheres e contra contarem-se as cabeças femininas no Governo e no Parlamento e seja onde for. Eu sou contra canais televisivos para mulheres e revistas para mulheres e livros para mulheres. Eu sou contra os anúncios onde as mulheres são as domésticas e os homens os cientistas, onde as meninas brincam com bonecas e os meninos com carrinhos, onde as mulheres são estupidas e fúteis e os homens inteligentes e sensatos. Eu sou contra a ideia feita que as mulheres são emocionais e os homens racionais, que as mulheres têm uma sensibilidade especial, que são incapazes de violência e agressividade. Eu sou contra a generalização que as mulheres têm maiores capacidades de empatia e expressão linguística e menores capacidades de orientação espacial e habilidade técnica. Eu, no fundo, sou contra as mulheres. Só sou mesmo a favor das pessoas.

segunda-feira, março 07, 2005

Gosto deste bicho



Tem muito em comum comigo, é herbívoro, inofensivo e pouco amigo de se mexer com velocidade. Alguns exemplares tornam-se mesmo esverdeados, devido a algas que crescem no pêlo. Têm um ar sorridente e quase humano. Não chateiam ninguém, chegam a estar uma semana sem deixar uma árvore. É um bicho simpático.

domingo, março 06, 2005

Outro dia de disposição patriótica

Jerusalem

And did those feet in ancient time
Walk upon England's mountains green?
And was the holy Lamb of God
On England's pleasant pastures seen?

And did the Countenance Divine
Shine forth upon our clouded hills?
And was Jerusalem builded here
Among these dark Satanic mills?

Bring me my bow of burning gold:
Bring me my arrows of desire:
Bring me my spear: O clouds unfold!
Bring me my chariot of fire.

I will not cease from mental fight,
Nor shall my sword sleep in my hand
Till we have built Jerusalem
In England's green and pleasant land.

William Blake

terça-feira, março 01, 2005

Ódios de estimação

Como eu abomino os condutores portugueses. Eu já nem falo das manobras perigosas, do excesso de velocidade, do chico-espertismo, da agressividade homicida. Só o estacionamento já me dá dores de cabeça.
Adoro parquímetros. Custa-me pagá-los, mas aceito a despesa adicional como um imposto por preterir os transportes públicos. Verdade seja dita, para o par de horas que geralmente uso, a quantia é irrisória. Adoro parquímetros porque me permitem arranjar estacionamento em qualquer parte da cidade: é tal a repugância dos automobilistas por dispender uns trocos que há sempre lugares disponíveis. Mas tal também traz malefícios. Carros nos passeios, carros nas curvas, carros nas passadeiras, carros a tapar a visibilidade, carros à porta da garagem, carros nos viadutos, carros nas rotundas.
Depois há a mania tão portuga do "eu vou só ali e já volto": carros em segunda fila, carros no meio da estrada, carros a impedir o caminho. E do "é só um instantinho para deixar aqui um passageiro". E agora a moda de parar o carro na berma, mesmo na auto-estrada, para atender o telemóvel.
Ai se eu tivesse o raio da morte...

domingo, fevereiro 27, 2005

A peste


G3
Originally uploaded by Aloysius.
Percebe-se porque ninguém diz que os gatos são os melhores amigos do homem... Têm demasiados defeitos humanos.

sábado, fevereiro 26, 2005

Gosto deste livro



Confesso uma predilecção por livros multiplos: triologias, tetralogias, dodecaedrologias... Mais satisfatórios ainda que os livros longos, porque a divisão em obras autónomas torna possível fazer pausas, interrupções mais ou menos longas, retomar a história sem perder o rumo porque são geralmente feitas referências aos volumes precedentes...
E este é um dos meus favoritos. O exotismo dos sítios, das personagens, das situações, a atmosfera complexa do entre-guerras, a escrita poética e cuidada. Está muito bem conseguida a pluralidade de pontos de vista em que um mesmo acontecimento é descrito em diferentes momentos do livro. É tantalizador tentar perceber todos os fios da meada, que só se destrinçam na totalidade quando se chega ao fim do quarto volume. Como na vida, não há finais felizes e não há verdadeiramente um fim da história.

quinta-feira, fevereiro 24, 2005

A vida continua

The big wheel keeps on turning
On a simple line day by day
The earth spins on its axis
One man struggle while another relaxes

Massive Attack

terça-feira, fevereiro 22, 2005

Isto ajuda-me a pensar


komboloi
Originally uploaded by Aloysius.
O som das contas que se entrechocam, o frio da resina ao tacto, a ginastica dos dedos a percorrer o fio, o brilho opaco de ébano fingido. O komboloi é uma boa companhia para os exercícios mentais mais intensos. Obrigada aos dragões brancos pela prenda, tem sido muito útil.

sexta-feira, fevereiro 18, 2005

Declaração de voto

É sem convicção alguma que no dia 20 votarei no PS e em José Sócrates.
A mobilização é quase nula mas entendo que é necessário mudar. E com maioria absoluta.
É imprescindível que não restem desculpas para o imobilismo e para a sujeição da vontade aos lóbis e corporativismos que tolheram o (tímido) impulso de mudança dos últimos governos.
Estou também convencido que, mesmo que obtenha a maioria absoluta, o governo do PS não terá vida fácil. Seguindo-se ao inenarrável governo de Santana Lopes, este governo será, provavelmente, o mais escrutinado da ainda curta história democrática portuguesa. E é necessário que assim seja. Não para que cumpra o seu programa eleitoral, cujo destino pós-eleitoral será, certamente o lixo. Mas para alinhave e cumpra três ou quatro medidas fundamentais para o futuro do país. Controle das finanças públicas, qualificação das novas gerações e das menos novas até ao limite do democraticamente possível, reforma fiscal e reforma da justiça. Saúde e Segurança Social para quando possível.

Não será certamente a última oportunidade, mas não teremos muitas mais.

segunda-feira, fevereiro 14, 2005

Dia de S. Valentim

Não te amo, quero-te: o amor vem d'alma.
E eu n'alma - tenho a calma,
A calma - do jazigo.
Ai! não te amo, não.

Não te amo, quero-te: o amor é vida.
E a vida - nem sentida
A trago eu já comigo.
Ai, não te amo, não!

Ai! não te amo, não; e só te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.

Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela.
Quem ama a aziaga estrela
Que lhe luz na má hora
Da sua perdição?

E quero-te, e não te amo, que é forçado,
De mau feitiço azado
Este indigno furor.
Mas oh! não te amo, não.

E infame sou, porque te quero; e tanto
Que de mim tenho espanto,
De ti medo e terror...
Mas amar!... não te amo, não.

Almeida Garrett

sábado, fevereiro 12, 2005

Um dia tão bonito merece uma canção de Cole Porter

Heaven
I'm in Heaven
And my heart beats so that I can hardly speak
And I seem to find the happiness I seek
When we're out together dancing cheek to cheek

Heaven
I'm in Heaven
And the cares that hang around me through the week
Seem to vanish like a gambler's lucky streak
When we're out together dancing cheek to cheek

Oh! I love to climb a mountain
And to reach the highest peak
But it doesn't thrill me half as much
As dancing cheek to cheek

Oh! I love to go out fishing
In a river or a creek
But I don't enjoy it half as much
As dancing cheek to cheek

Dance with me
I want my arm about you
The charm about you
Will carry me through to

Heaven
I'm in Heaven
And my heart beats so that I can hardly speak
And I seem to find the happiness I seek
When we're out together dancing cheek to cheek

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

Gosto deste filme



Deve ser a enésima adaptação do livro, mas é também uma das mais fiéis. Está lá o estilo ultra-romântico, a tragédia, o erotismo, a weltanschauung oitocentista do progresso, da doença, da nostalgia medieva. E estão as imagens oníricas, as cores fortes, as passagens de cena imaginativas de um grande realizador. Se os secundários são contestáveis (ainda está para aparecer um filme em que o Keanu Reeves seja mais expressivo que o pinóquio), os actores principais foram escolhidos a dedo. Eu tive dúvidas antes de ver o Gary Oldman, mas era mera ignorância. Sedutor e temível, o sotaque mitteleuropa fica na memória. I have crossed ocean of time to find you...

terça-feira, fevereiro 08, 2005

Os homens da minha vida


fry1
Originally uploaded by Aloysius.
É um homem do Renascimento na acepção moderna. Começou no teatro e na comédia, ganhou renome na televisão (com o parceiro Hugh Laurie), foi actor em filmes (da pequena jóia Peter's friends à infame película das Spice Girls), passou a escrever romances (alguns dos quais brilhantes), estreou-se na realização, viajou até ao Perú em busca do urso Paddington (à laia de Michael Palin)... É um personagem curioso: filho de um cientista, semi-delinquente na adolescência, membro da Sociedade de Admiradores de Sherlock Holmes e do Mensa (a associação para gente com um QI anomalamente elevado), licenciado de Cambridge, homossexual não praticante durante vários anos, fã nº 1 de Oscar Wilde, P. G. Woodehouse e Evelyn Waugh, proprietário de uma mansão em Norfolk... The Liar e The Hippopotamus são dos romances mais divertidos e interessantes dos últimos tempos, A bit of Fry and Laurie e Jeeves and Wooster estão entre as melhores séries britânicas, já isso basta para o Stephen Fry ser um dos homens da minha vida.

domingo, fevereiro 06, 2005

Hoje acordei com uma disposição surrealista

Nefretite não tinha papeira
Tuthankamon apetite
Já minha avó me dizia
Olha que a sopa arrefece

Zeca Afonso

quarta-feira, fevereiro 02, 2005

Ódios de estimação

Odeio arquitectos. Não as pessoas, não a disciplina em sim, mas a classe profissional responsável pelas monstruosidades que passam por grandes obras de arquitectura, inclusive as que ganham prémios de nomeada. Ninguém tem menos respeito pelos clientes/utentes/utilizadores. É dada tal primazia à forma, ao arrojo, à inovação, que as reais necessidades dos humanos que têm de habitar, trabalhar ou frequentar os edifícios são quase totalmente ignoradas. Para já as questões de acessibilidade: escadarias imensas, portas estreitas, corredores sinuosos são desafios muitas vezes intransponíveis para quem se desloca de cadeira de rodas, empurra um carrinho de bébé ou que tem simplesmente dificuldades de locomoção. Depois os problemas de ruído: grandes espaços abertos onde cada palavra ecoa, pavimentos onde os sapatos rangem, má insonorização das paredes são factores de poluição auditiva. Seguem-se as questões ambientais, das grandes superfícies de vidro num país ensolarado à infeliz escolha de materiais, tudo apela ao uso ao desbarato do ar condicionado. Há ainda a mencionar os puros e simples disparates: janelas demasiado pequenas ou demasiado grandes ou colocadas no sítio errado, rampas intermináveis, esquinas armadilhadas, becos sem saída, escadas perigosas, saídas de emergência escondidas... Já para não falar da atroz fealdade de alguns prédios, onde tudo - do uso das cores à volumetria, das decorações à altura desmedida - concorre para chocar as sensibilidades estéticas mais dormentes. Assim sendo, não é de estranhar este meu ódio de estimação...

terça-feira, fevereiro 01, 2005

Hoje acordei com uma disposição patriótica

This royal throne of kings, this scepter’d isle,
This earth of majesty, this seat of Mars,
This other Eden, demi-paradise,
This fortress built by Nature for herself
Against infection and the hand of war,
This happy breed of men, this little world,
This precious stone set in the silver sea,
Which serves it in the office of a wall,
Or as a moat defensive to a house,
Against the envy of less happier lands,
This blessed plot, this earth, this realm, this England

William Shakespear, Richard II

sexta-feira, janeiro 28, 2005

Um livro e uma série


Um grande livro e uma grande série de televisão. Um olhar amargo e doce sobre a Inglaterra entre guerras. Uma história de amizade um tanto trágica, mas também é um retrato dos abismos de classe, de religião, de género. Evelyn Waugh é dos mais divertidos escritores deste período, mas há pouco humor nesta obra, a não ser as excentricidades de Sebastian. Ao breve verão de morangos e champanhe no campo sucede um longo outono nostálgico, de desencontros, incompreensões e separações nos cenários melancólicos de Londres, Veneza, um paquete transatlântico, o Norte de África. E a série contou com alguns dos melhores actores britânicos de várias gerações, do jovem Jeremy Irons ao Olivier em final de carreira. Inesquecível.

quinta-feira, janeiro 27, 2005

Os desafios agridoces de amar um gato

Os gatos são criaturas complexas e contraditórias, que despertam sentimentos ambivalentes no mais paciente dos donos. É fácil amar um gato quando ele caminha elegantemente pela casa, num bamboleio sereno e seguro. Quando ele se espreguiça, boceja e coça a orelha com a pata traseira. Quando ele dá marradas gentis nas pernas dos humanos. Quando se senta ao colo dos donos e exige festas. Quando ronrona se felicidade ao ser acariciado. Quando ele mia à porta a anunciar o regresso da família. Mas já é mais difícil amá-lo quando morde, arranha e sopra. Quando decide destruir uma peça de mobília. Quando ataca os donos à traição num corredor escuro. Quando mia insistentemente sem razão aparente, a exigir atenção e a perturbar as tarefas dos humanos. Quando desarruma a roupa no armário e derruba os objectos na estante. Quando espisoteia a família a meio da noite, à procura de um sítio mais confortável na cama. Talvez os gatos sejam no fundo crianças muito mimadas... pelo menos o gato cá de casa.

quarta-feira, janeiro 26, 2005

Recomendo



Fiel ao livro: à história, à moral, à caracterização das personagens. Visualmente deslumbrante. Ritmo enérgico. Boa escolha de cast. Que se lixem os críticos ignorantes com poleiro na imprensa.

segunda-feira, janeiro 24, 2005

Ontem como hoje

"... foi uma bela cerimónia, que eu penso não voltar a viver nada de semelhante, sobretudo se não voltar a sair de Portugal, o que não agradaria a Deus, pois a observação constante de um estado imperfeito é muito prejudicial ao espírito. Eu amo a minha pátria, como aqueles que a amam, mas não posso deixar de concluir que ela apenas merece um lugar na cauda da procissão da civilização ao lado da Espanha, do reino de Nápoles e da Grécia..." D. Pedro V, 1854 (in Filipa Lowndes Vicente, Viagens e exposições, D. Pedro V na Europa do século XIX)

domingo, janeiro 23, 2005

Gosto deste filme



Porque é bonito: a história, os actores, as paisagens, os bichos, a música, as espadas, os castelos, as igrejas. Porque eu sou um dragão muito romântico...

sexta-feira, janeiro 21, 2005

Um país de analfabetos e de doutores

Este país não vai longe. E o maior problema é de longe o da educação. Por um lado há uma massa apreciável de semi-analfabetos, que nem a escolaridade obrigatória completa, habilitada apenas para os trabalhos mais meniais, menos especializados, mais mal pagos, mais sujeitos ao desaparecimento mal a fabriqueta da terra fecha. E não são só as gerações mais perto da reforma, são adultos e mesmo jovens, condenados a uma existência precária e no tal limiar da pobreza.
Depois há os outros, a também considerável mole de licenciados inempregáveis, com cursos exdrúxulos, obtidos em universidades de duvidosa qualidade, com notas baixíssimas. Com parcos conhecimentos e limitadas capacidades, o mercado de trabalho só encontra lugar para eles em posições não qualificadas ou nas empresas dos pais ou amigos dos pais.
É estranhíssima a antipatia social gerada pelos cursos técnicos. Teremos todos de ser doutores? Porque é que se oferecem licenciaturas em áreas tão notoriamente profissionalizantes e/ou técnicas como secretariado, conservação e restauro, radiologia? Porque é que os politécnicos insistem em assemelhar-se a universidades, a criar mestrados e doutoramentos? Porque é que o ensino secundário é tão parco em cursos técnicos? Porque é que a educação universitária parece ser tão inevitável, mesmo para quem concluiu com muito pouco sucesso os graus anteriores?

quarta-feira, janeiro 19, 2005

Um dos homens da minha vida



Estava no meu livro de história, algures no ensino secundário. Enamorei-me da fotografia e do que ela representava: uma vida consagrada às letras, à arte de escrever, aos minuciosos hieroglifos egípcios.
Mas foi ao vê-lo de perto que me apaixonei mesmo. Este pequeno homenzinho sentado no seu cubo de vidro, velho de milhares de anos, tem um brilho nos olhos, um meio sorriso, uma serenidade sábia que me derreteu o coração. Depois de restaurado tem ainda melhor aspecto, um tom de pele mais uniforme, um ar de quase vida. Apetece levá-lo para a casa, sentá-lo no sofá, dar-lhe uma caneta para que cumpra o seu destino. É um dos homens da minha vida.

terça-feira, janeiro 18, 2005

Do que eu havia de me lembrar hoje...

Lá vem a nau Catrineta
Que tem muito que contar!
Ouvide, agora, senhores,
Uma história de pasmar.
Passava mais de ano e dia
Que iam na volta do mar
Já não tinham que comer,
Já não tinham que manjar.
Deitaram sola de molho
Para o outro dia jantar;
Mas a sola era tão rija
Que a não puderam tragar.
Deitaram sorte à ventura
Qual se havia de matar;
Logo foi cair a sorte
No capitão general.
-- Sobe, sobe, marujinho,
Àquele mastro real,
Vê se vês terras de Espanha,
As praias de Portugal.
"Não vejo terras de Espanha,
Nem praias de Portugal;
Vejo sete espadas nuas
Que estão para te matar".
-- Acima, acima gajeiro,
Acima ao tope real!
Olha se enxergas Espanha,
Areias de Portugal
"Alvíçaras, capitão,
Meu capitão general!
Já vejo terra de Espanha,
Areias de Portugal.
Mais enxergo três meninas
Debaixo de um laranjal:
Uma sentada a coser,
Outra na roca a fiar,
A mais formosa de todas
Está no meio a chorar".
--Todas três são minhas filhas,
Oh! quem mas dera abraçar!
A mais formosa de todas
Contigo a hei-de casar.
"A vossa filha não quero,
Que vos custou a criar".
-- Dar-te-ei tanto dinheiro,
Que o não possas contar.
"Não quero o vosso dinheiro,
pois vos custou a ganhar!
-- Dou-te o meu cavalo branco,
Que nunca houve outro igual.
"Guardai o vosso cavalo,
Que vos custou a ensinar".
--Dar-te-ei a nau Catrineta
Para nela navegar.
"Não quero a nau Catrineta
Que a não sei governar".
-- Que queres tu, meu gajeiro,
Que alvíçaras te hei-de dar? "
Capitão, quero a tua alma
Para comigo a levar".
-- Renego de ti, demônio,
Que me estavas a atentar!
A minha alma é só de Deus,
O corpo dou eu ao mar.
Tomou-o um anjo nos braços,
Não o deixou afogar.
Deu um estouro o demônio,
Acalmaram vento e mar;
E à noite a nau Catrineta
Estava em terra a varar.

segunda-feira, janeiro 17, 2005

Gosto deste quadro



Vermeer tinha o toque mágico para as cenas de interiores (mas a vista de Delft também é deslumbrante). Mas, pouco sensível às personagens e situações domésticas, é este (e o Geógrafo) o que mais me encanta. Tem todo o detalhe da luz, dos tecidos, dos gestos, dos objectos dos restantes quadros, com o adicional interesse da figura retratada: um astrónomo. É belíssimo e desconfio que vou encontrar lugar para ele na tese...

sábado, janeiro 15, 2005

Um livro, um filme, uma canção



Geralmente não gosto de adaptações de livros ao cinema. Nunca parecem ser suficientemente fiéis ao original. Mas este é uma excepção. Segue à letra a história, que é uma das mais belas e poderosas da literatura inglesa. Deu os rostos certos às personagens. Reproduz com fidelidade a atmosfera neo-gótica, ultra-romântica, tenebrosa do romance. Usa com mestria as desoladas paisagens dos moors do Yorkshire. Tem uma banda sonora outonal e assombrosa de Ryuichi Sakamoto.
Uma história de amor impossível, avassaladora, cheia de contradições, ódio e vingança, que perdura para além da morte e só alcança redenção nas gerações seguintes. Heathcliff e Cathy assombram ainda os amantes da literatura.
Há também uma canção famosa da Kate Bush, nomeada agora como uma das melhores canções britânicas de sempre.

sexta-feira, janeiro 14, 2005

Estoicismo face às contrariedades

Row, row, row your boat,
Gently down the stream.
Merrily, merrily, merrily, merrily,
Life is but a dream.

Embora não partilhe as crenças que lhe subjazem, há uma oração sábia, que pede "paciência para as coisas que não posso mudar, coragem para as que posso e sabedoria para distinguir a diferença".

quarta-feira, janeiro 12, 2005

And now for something completely different


monty_python_cast
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Confesso desde já uma parcialidade pela comédia inglesa (como por tantas outras coisas british). De uma lista longa de grupos, actores, séries e comédias, os Monty Python vêm certamente à cabeça. Há os sketches inesquecíveis: o ministério dos andares tolos, o papagaio morto, o cabelo na sopa, os leiteiros, a piada mortal, o homem com o nome mais longo, etc etc etc. Há as canções: do lenhador, dos católicos e protestantes, olhar para o lado bom da vida. Há os filmes: o sentido da vida, o cálice sagrado, a vida de Brian. Há as carreiras a solo como actores, realizadores, escritores, apresentadores de programas de viagem, cantores. Mas o conjunto é algo superior à soma das partes. Eles foram geniais e transformaram o modo como se faz comédia e mesmo como se vê comédia. Nobody expects the spanish inquisition!

terça-feira, janeiro 11, 2005

Looking forward

Neste início do ano, é tempo de olhar para a frente. Há uma série de coisas no futuro que antecipo ansiosamente: re-visitar Estocolmo, escrever a tese e defendê-la, arranjar um emprego de gente ou mais uma bolsa, o 60º aniversário da minha mãe, saber o resultado das eleições de Fevereiro, ler a pilha de livros ingleses que tenho estado a açambarcar, ver crescer o meu lindo gato, concretizar o meu projecto de exposição, não me zangar com nenhum dos meus amigos. E gozar a companhia do meu dragão verde.

sábado, janeiro 08, 2005

Gosto deste livro


waverley
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Não há quem não goste das novelas aventurosas de Walter Scott. Algumas até foram adaptadas para cinema, teatro e ópera. Esta não é das mais conhecidas mas para mim é das melhores. Tem todos os ingredientes do costume: castelos, lutas de espadas, guerras, perseguições, histórias de amor. Mas decorre num período histórico particularmente interessante, a tentativa de restaurar no trono britânico um rei católico no início do século XVIII. Passeia-se como personagem secundária pela acção uma das figuras mais trágicas da época, o jovem e belo filho do pretendente, conhecido como Bonnie Prince Charlie, que goradas as hipóteses de uma victória militar, foge em condições ignomiosas e vai acabar os seus dias em desgraça em paris, gordo, fútil e feio. Mas o herói é Waverley, um jovem militar, apanhado nas convulsões da história, que vê a sua lealdade dividida entre a pátria e a amizade que tece com alguns rebeldes. Uma leitura verdadeiramente entusiasmante.

quinta-feira, janeiro 06, 2005

Os homens da minha vida


freddie
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A minha galeria de ídolos não é muito grande mas este é de facto o principal. Gosto da música, gosto do espectáculo, gosto do personagem. Era um sujeito cheio de accomplishments: desenhava, tocava piano, cantava numa série de línguas, coleccionava porcelana chinesa e gatos, era apreciador de ópera e bailado. Teve uma vida cheia de actividades: estudante de artes visuais, vendedor de roupa usada, estrela de rock. Nasceu num lugar mágico, Zanzimbar, de pais persas e professava uma religião exótica, o zoarastrismo, mas possuía uma englishness quintessencial. Camaleónico, não sei ao certo qual o visual que mais me agrada nele: diva glam, de cabelos longos e fatos de cetim colantes, gay machão de jeans justos, camisola de alças e bigode handlebar, cronner charmoso de fato e sapatos de tennis. Tinha uma voz versátil e um talento único para escrever canções muito diversas, do hard-rock ao music-hall, passando pelas baladas românticas, pelos hinos de estádio e pelos arremedos de canto lírico. Foi único, foi original e é um dos homens da minha vida.

quarta-feira, janeiro 05, 2005

Algo de bonito para variar


Ophelia
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Queen - One woe doth tread upon another's heel,So fast they follow. Your sister's drown'd, Laertes.

Laer. -Drown'd! O, where?

Queen - There is a willow grows aslant a brook,
That shows his hoar leaves in the glassy stream.
There with fantastic garlands did she come
Of crow-flowers, nettles, daisies, and long purples
That liberal shepherds give a grosser name,
But our cold maids do dead men's fingers call them;
There, on the pendent boughs her coronet weeds
Clamb'ring to hang, an envious silver broke,
When down her weedy trophies and herself
Fell in the weeping brook. Her clothes spread wide,
And, mermaid-like, awhile they bore her up;
Which time she chanted snatches of old tunes,
As one incapable of her own distress,
Or like a creature native and indued
Unto that element. But long it could not be
Till that her garments, heavy with their drink,
Pull'd the poor wretch from her melodious lay
To muddy death.

Laer.- Alas, then, is she drown'd?
Queen. Drown'd, drown'd.

terça-feira, janeiro 04, 2005

O infame cartaz


cartaz
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Quase tenho remorsos de pôr carantonhas tão feias no nosso blogue tão bonitinho. Que ideia tão estranha, convocar os mortos políticos e os mortos de facto para ombrearem com o sujeitinho que nos cobriu a todos de vergonha nos últimos meses. O fundo faz lembrar o cartaz do filme "os super-heróis", as fotografias a preto e branco não lhe dá um estilo retro mas sim antiquado, a disposição dos personagens não segue qualquer lógica que não a de dar relevância ao mártir/messias Sá Carneiro e pôr no mesmo plano o sebastiânico Cavaco e o esperançoso candidato. Eu de facto também não me quereria ver nesta galeria de múmias... mais um ponto para o Professor.

segunda-feira, janeiro 03, 2005

Gosto deste filme


lv
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The lady vanishes é um dos filmes da fase britânica de Hitchcock. Entre a comédia e o suspense, é uma pérola deliciosa de mistério, romance, mal entendidos e intriga internacional. No cenário restrito de uma viagem de comboio por uma imaginária Europa Oriental, evoluem um herói relutante, uma heroína teimosa, a improvável velhota espia, o par de fleumáticos e egoístas ingleses, os vilões sinistros. Tudo acaba em bem, como de costume e estão presentes muitos dos temas e artíficios recorrente na carreira do realizador. E para quem tem banda larga, pode-se assistir aqui ao filme.

sexta-feira, dezembro 31, 2004

Foi um bom ano

2004 foi um bom ano. O trabalho correu sobre rodas. Não houve mortes na família. Viajámos muito por Portugal. Revisitámos Paris, conhecemos Barcelona. Gastámos o nosso latim em vários congressos científicos. Passeámos de bicicleta (pelo menos o outro dragão sim). Li bons livros, vi bons filmes, ouvi bons CDs. Almoçámos e jantámos com amigos. Experimentámos pratos novos. E mais importante que tudo: aprendi muitas coisas novas. E no fundo é isso que mais interessa.

quinta-feira, dezembro 30, 2004

O fim perfeito


Carcavelos
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... para um dia de anos magnífico. É ingrato celebrar o aniversário na véspera de Natal: amigos ocupados, restaurantes, cinemas e museus fechados, obrigações familiares a cumprir. Mas este ano foi especial. Prendas mesmo a meu gosto. Bife tártaro no Galeto. Passeio de fim de tarde na praia de Carcavelos. Bliss.

quarta-feira, dezembro 29, 2004

Os ursos da minha vida


fozzy
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Castanho, gorducho, sorridente. De todos os marretas, este era o meu favorito. Era o urso cómico das piadas foleiras: "porque é que a galinha atravessou a estrada" era uma das recorrentes. Mas tinha bom coração e não era espertalhão como o cocas, ou vaidoso como a miss piggy nem malévolo como os velhotes. Não era a estrela do espectáculo e acabava sempre na mó de baixo, mas alguém tem de gostar dos falhados... É um urso da minha vida.

terça-feira, dezembro 28, 2004

Um quadro que é também uma canção.


R Dadd
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Num dos primeiros albuns dos Queen, da fase glam rock de inspiração fantasico-gótica, há uma canção com um nome intrigante: The Fairy Feller's Master-Stroke. Na Tate Gallery, há alguns anos, estava exposto o quadro que sugeriu o baptismo da canção. Foi pintado por um artista pouco conhecido, com a particularidade de ter passado uns bons anos num manicómio por parricídio. A temática é-me um bocado obscura mas uma pesquisa neste instrumento maravilhoso que é "a rede"permite-me descobrir que o quadro se inspira num poema de juventude de Shelley, Queen Mab: a philosophical poem. O master-stroke refere-se a uma machadada num castanheiro para construir a carruagem da dita rainha. E esta estranha pintura é considerada percursora/inspiradora do surrealismo. Confesso que não sei se gosto deste quadro.

domingo, dezembro 26, 2004

Gosto deste livro


jb
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A minha história de amor com a literatura inglesa contemporânea começou com Julian Barnes. Estas dez narrativas e meia, de estilo e conteúdo muito variado abriram-me os olhos à prosa fluída, ao humor, aos encantos diversos da ficção e do ensaio. Depois veio o romance a três vozes Talking it over, outra revelação: como é diferente uma história contada por três observadores/participantes distintos. Os outros romances talvez não sejam tão inovadores, tão supreendentes, mas são pequenas pérolas. Ninguém escreve literatura do quotidiano como os ingleses. e gosto mesmo deste autor.

A prenda


gato na caixa
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Este gato não é homeless mas parece, com este estranho gosto pelas caixas de cartão...

domingo, dezembro 19, 2004

sábado, dezembro 18, 2004

A calimerização da política portuguesa


calimero
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Sempre que eu vejo os vermes deste futuro ex-governo e apaniguados da mesma cor política a lamentarem-se da injustiça que foi cometida, só me lembro do pintainho negro...

terça-feira, dezembro 14, 2004

Separados, mas juntos

Após dias de espera, de afirmações e negações, de avanços e recuos...
Finalmente a novela desenlaça-se: separam-se agora, mas prometem juntar-se no futuro
Ao olhar os nubentes não consegui disfarçar uma lágrima irreprimível...
Estou rendido... aqueles olhares cúmplices , aquele abraço fraterno e contudo ardente...

Novela mexicana às 8.30 da noite em directo no telejornal está para além do suportável.

Quem conseguirá romper o acordo assinado hoje, às 8,30, perante milhões de portugueses?

Uma advertência: com tanto calculismo eleitoral, desenhado unicamente para impedir uma maioria absoluta do PS, ainda forçam o voto útil no PS

Os homens da minha vida


corto
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Tall, dark and handsome. O marinheiro de olho azul e o brinco na orelha. Politicamente incorrecto, de cigarro ao canto da boca. Cidadão britânico, como não podia deixar de ser, filho de uma cigana de Gibraltar. Andou pelas sete partidas do mundo, com preferência por lugares de nomes exóticos: Samarcanda, Xangai, a Ilha Escondida, Veneza, Buenos Aires. Tem amigos peculiares, nenhum tanto como o infame Rasputine. Fala com gatos e seres mitológicos. Sem pátria, sem bandeira, sem ideologia, sem se prender a nada. Sempre em busca de um tesouro mítico e de uma elusiva Pandora. É um dos homens da minha vida.

segunda-feira, dezembro 13, 2004

Gosto deste quadro


LadyShalot
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...que também é um poema de Alfred Lord Tennyson:

Lying, robed in snowy white
That loosely flew to left and right --
The leaves upon her falling light --
Thro' the noises of the night,
She floated down to Camelot:
And as the boat-head wound along
The willowy hills and fields among,
They heard her singing her last song,
The Lady of Shalott.

domingo, dezembro 12, 2004

Gosto deste filme


leon
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A estética de Luc Besson. O carisma sorumbático do Jean Reno. O despertar cinematográfico da Natalie Portman. A arte de representar um psicopata do Gary Oldman. A acção. A pirotecnia. O tema da recomposição familiar alternativa. A ternura. A música final do Sting. O fim infeliz. É um grande filme.

sábado, dezembro 11, 2004

A pedido de várias famílias


gato de natal
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... insatisfeitas com o cartão de natal que lhes coube em sorte. Saudações sazonais.

sexta-feira, dezembro 10, 2004

quinta-feira, dezembro 09, 2004

Noite fria com estrelas

Twinkle, twinkle, little star,
How I wonder what you are.
Up above the world so high,
Like a diamond in the sky.
Twinkle, twinkle, little star,
How I wonder what you are.

terça-feira, dezembro 07, 2004

Gosto deste livro


VF
Originally uploaded by Aloysius.
A literatura inglesa do século XIX é fértil em obras magníficas. A portuguesa também, o que se explicará por ter sido o século do apogeu do romance como género literário. Mas este é para mim um dos melhores romances do período. É certo que é longo - quase um milhar de páginas - mas tem tudo para agradar ao leitor. Um retrato social perspicaz. Muito humor. A participação dos personagens em episódios históricos, como a batalha de Waterloo. Uma heroína forte, amoral, inteligente. Reviravoltas surpreendentes. E o melhor de tudo: os bonzinhos sofrem horrores sem nunca serem realmente compensados, os maus fazem mil tropelias e não são punidos. True to life.

segunda-feira, dezembro 06, 2004

Gatos e árvores de Natal

Ter um gato e uma árvore de Natal em coexistência numa casa é tarefa árdua. Começa logo no dia da montagem. O gato acha piada às caixas de cartão, tenta roubar os enfeites, afeiçoa-se às fitas brilhantes, enfia-se atrás do sofá para ajudar a ligar as luzes e depois recusa-se a sair. Com a árvore já de pé, é difícil persuadi-lo a não a derrubar, a não tentar tirar a estrela do topo, a não morder os pais-natal de lã. Atrás da árvore, por entre os ramos artificiais, parece-lhe o esconderijo ideal para encenar emboscadas numa selva imaginária. Os laços dos presentes estão mesmo a pedir para serem mordidos, puxados, arranhados. Os donos arranjam estratégias para prender a árvore ao chão, para proteger as decorações, para remover o gato do seu covil sem trazer todas as serpentinas enrodilhadas atrás. Optam pelas luzes de 9 volts para que se o bicho roer os fios não apanhe mais do que um susto. Fecham as portas de noite para evitar actividades não supervisionadas. Mas é uma batalha muito dura...

domingo, dezembro 05, 2004

Os ursos da minha vida


Paddington
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Estão entre os livros favoritos da minha infância. As aventuras do urso Paddington são das histórias mais divertidas e mais ternas da literatura. Muita da minha anglofilia nasceu com este ursinho do Perú: as crakers e o pudim do Natal, as toranjas ao pequeno almoço, os foguetes de Guy Fawkes, o mercado de Portobello, as compras no Harrods... E quando ele escrevia no seu diário "sem nada para facher" era certo que iam começar as asneiras. Trapalhão mas bem intencionado, o urso de casaco azul, que gostava de marmelade, é certamente um dos ursos da minha vida.

sexta-feira, dezembro 03, 2004

Gosto deste filme


Arsenic and old lace
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É uma das grandes comédias de Frank Capra dos anos 40. Com o adorável Cary Grant e o sinistro Peter Lorre, com o nome apropriado de Dr. Einstein... Um cruzamento delicioso de comédia romântica com filme de terror, figuras inesquecíveis como o irmão doido que está convencido que é o Presidente Roosevelt a cavar o canal do Panamá na cave, as entradas em cena das personagens-tipo do costume (os polícias, o motorista de taxi, o padre), os tropeções e mal entendidos sucessivos deste género de filme. São nítidos os vestígios de ser uma adaptação de uma peça de teatro, mas isso só lhe acrescenta charme. A ver e rever e memorizar as deixas...

quinta-feira, dezembro 02, 2004

Depois da euforia

A sensação de alívio depois dos acontecimentos dos últimos dias ainda nos acalenta a esperança...

Mas é preciso estar vigilante. A imagem sugerida pelo Eng. Sócrates como Primeiro-Ministro e o conjunto de nomes que coordena (coordenará... coordenaria) aquela tontice mal amanhada que dá pelo nome de "Novas Fronteiras" suscita prevenção e cautelas redobradas.
A repetição, passo a passo, do guterrismo (porque nada de essencialmente novo e inovador tem vindo a público) é aterradora e tem de ser prevenida a todo o custo.
Depois da incompetência absoluta do lopismo, nada pior que a indolência pastosa e paternalista de um repisado guterrismo.

O alívio

Ufa, esta fase acabou. Eu não gosto muito deste país, mas também não lhe desejo mal (sobretudo enquanto tiver a desdita de aqui viver). Estes últimos meses foram francamente embaraçosos. Não é que de um certo modo este futuro ex-primeiro ministro não seja representativo do país que temos. Incompetente, fanfarrão, preguiçoso, ignorante, egocêntrico, mimado, fútil. O país dos chicos-espertos, dos tunners, dos assassinos das estradas, dos iletrados, das cunhas, dos fundos estruturais desviados para jipes e bmws. Mas escusamos de nos fazer representar pelo pior que temos...