quinta-feira, abril 06, 2006

segunda-feira, março 27, 2006

Gosto desta série



Feios, porcos e maus no norte de Inglaterra. Mais uma comédia britânica de excepção, que prende os dragões ao televisor a horas tardias uma vez por semana. Uma família caótica, um pai completamente amoral, linguagem desbragada, situações rocambolescas, sexo com e entre menores, bebedeiras monumentais, pequenos crimes e esquemas fraudulentos... Mas também amor, solidariedade entre parentes e vizinhos, estratégias de resistência dos dominados contra o Estado e a sociedade. Parece um retrato fiel e bem humorado da vida num bairro social de Manchester. Gosto muito do Shameless.

domingo, março 19, 2006

Será um rato?... um pássaro? que bicho esquisito...


Interacção distanciada entre um gato curioso e um zeppelin desgovernado.
Coisas que só se podem fazer em domingos preguiçosos.

quarta-feira, março 15, 2006

Isto não me sai da cabeça

Way I Feel Inside
The Zombies

Should I try to hide
The way I feel inside
My heart for you?
Would you say that you
Would try to love me too?
In your mind could you ever be
Really close to me?
I can tell the way you smile
If I feel that I could be certain then
I would say the things
I want to say tonight
But till I can see
That you'd really care for me
I will dream that someday you'll be
Really close to me
I can tell the way you smile
If I feel that I could be certain then
I would say the things
I want to say tonight
But till I can see
That you'd really care for me
I'll keep trying to hide
The way I feel inside

sexta-feira, março 10, 2006

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Oooooooooops!!!!!!!!!!!!!


Já somos um país moderno!
Já temos um lóbi nuclear como os grandes!

Concedo que no actual contexto energético é admissível que se discuta esta hipótese, contudo...

-Faz-me alguma impressão que seja um processo liderado por um empresário. É um investimento demasiado caro, a médio-longo prazo e com demasiadas contra-indicações para que um empresário luso o considere devidamente;
-
O sub-produto energético das centrais nucleares é exclusivamente a electricidade. Ora, Portugal já praticamente não produz electricidade a partir do petróleo, mas sim do carvão, pelo que o argumento da carestia do preço do petróleo não cola;

-Construir apenas uma central nuclear não tem sentido, mas sim uma rede de centrais nucleares para que se produza o ganho de escala e eficiência que torne o investimento menos oneroso. Ora, num país da dimensão de Portugal, uma rede de centrais nucleares não só é impensável como estúpido;

Mas estes são os argumentos menos determinantes. O que há efectivamente a considerar é o seguinte:

-Se não me engano andamos há 10 anos para decidir o que fazer aos resíduos industriais perigosos. O que fazer, então, dos resíduos radioactivos inevitavelmente produzidos a partir deste processo? Depositamo-los numa lixeira a céu aberto? Escondemo-los numa mina e esquecemo-nos deles? Atiramo-los ao mar?

-Por último, lembro que neste país caem pontes e passadeiras aéreas devido à falta de manutenção e incúria das autoridades competentes. Será que no caso da central nuclear vamos, por uma vez, levar as coisas a sério e actuar devidamente?

Duvido... mas não me apetece fazer o teste!

Futebol e Ciência

Já não bastavam os disparates do nosso Professor Doutor Ministro Freitas do Amaral acerca da potencialidade dos jogos de futebol para o alcance da concórdia universal... O Presidente da Comissão Europeia (que cada vez mais prestigia Portugal) interrogava-se, num destes dias, acerca da reduzida capacidade da Europa para atracção de cientistas quando, pelo contrário, tão bem o fazia relativamente aos futebolistas.

Até parece que em Portugal o futebol é a medida de todas as coisas e um elemento basilar na compreensão do mundo. Se calhar é mesmo assim e eu é que ando enganado... pensando melhor, até ajuda a explicar muita coisa que por cá se passa.

Mas quem tem pelo menos dois neurónios comunicantes dá-se imediatamente conta da alarvidade do raciocínio:

1- Os EUA são o maior competidor, face à Europa, no desenvolvimento científico e tecnológico e com maior capacidade de recrutamento de recursos humanos o que não acontece no soccer (o futebol deles é outro);

2- Ao contrário dos recursos humanos em C&T, a formação (inicial) de futebolistas de pouco mais necessita do que uma bola e uns companheiros de jogo - como o atestam os países hoje em dia liderantes neste mercado (africanos e sul americanos);

3-Escolas, Universidades, Bibliotecas, Laboratórios, Centros de Investigação, Instrumentos de Financiamento, Regulação e Competitividade nas Actividades Científicas, Empresas e Mercado de Trabalho apetentes à integração dos recursos humanos e produtos oriundos do sistema de C&T. Tudo isso é um aborrecimento. O melhor é mesmo pensar de acordo com o pontapé na bola.

Há que reconhecer, no entanto, a potencialidade e excelência deste país num segmento específico de produtos: a exportação de cretinos!

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Pós-expos

O processo de reconversão dos terrernos antes designados por Expo 98 resultou no que já bem se conhece. A associação de malfeitores composta pela banca, agentes imobiliários, construtores civis, gestores da Parque Expo SA (cujos ordenados dependiam das receitas geradas) e autoridades públicas lenientes conduziu à edificação de uma autêntica "Reboleira da classe média-alta".
Em Sevilha a situação é bem mais curiosa...
Na Cartuja sobrevivem ainda alguns dos edifícios originais utilizados para outras funções em estreito convívio com um gigantesco parque de estacionamento selvagem e outros cenários dignos do Mad Max
Depois de tratarem da Cova do Vapor, os magníficos gestores da Parque Expo bem podem mudar-se para a capital da Andaluzia e dedicar-se ao rentável retalho proporcionador de "novas centralidades".

sábado, fevereiro 11, 2006

Gosto deste bicho


Um leopardo das neves, filmado por uma equipa da BBC, que tem os melhores documentários do mundo.

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Gosto destes cartoons


Não, não têm o Maomé. Mas a morte é uma das personagens. Nas minhas diatribes contra os desenhos animados actuais, algumas excepções têm de ser reconhecidas e esta é uma delas. Produto do Cartoon Network, as aventuras de Billy e Mandy com a ceifeira negra são uma pérola. Histórias macabras onde entram monstros e demónios, onde o fim do mundo, individual ou colectivo, está a apenas um passo, onde desmembramentos e eviscerações são acontecimentos frequentes, mas que se passam nos cenários comezinhos da suburbia: a casa, a escola, o parque infantil. A Morte perdeu uma aposta e viu-se agarrada a um pacto de amizade com duas crianças terríveis, o desmiolado Billy e a cínica Mandy. Humor do mais negro que há, mas uma delícia...

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Gosto deste livro


Admito que tenho uma parcialidade por livros grandes. Não aprecio particularmente contos nem pequenas novelas, por mais que sejam diminutas jóias, esforços admiráveis de precisão e contenção, demonstrações de mestria no domínio das palavras e das figuras de estilo. Eu gosto mesmo é de histórias e quando uma história é envolvente e bem contada, então quanto maior melhor. Agora estas 1000 páginas serão talvez um exagero... Este livro é um exercício admirável que cruza o pastiche de um romance do século XIX com um pressuposto fantasista, com um labor de notas de rodapé evocativo dos livros académicos. É um livro sobre a prática da magia em Inglaterra nos alvores de oitocentos mas o que o torna tão fascinante não são os espectaculares feitos de feitiçaria, que são escassos, mas sim a imbricação deste elemento de irrealidade num contexto muito prosaico e realista: a vida quotidiana, as relações de classe e de género, as viagens, a nascente industrialização, as guerras napoleónicas, o governo de um país. E sobretudo, o que talvez apelou mais ao meu interesse, a magia é concebida muito à semelhança das disciplinas científicas emergentes na época: a passagem de uma actividade amadora a profissional, a importância dos veículos de disseminação escrita (os livros, as publicações periódicas), a controvérsia e a conflitualidade, a formação de "escolas" e correntes de pensamento, as academias e clubes, a tensão entre teoria e prática, as restrições ao acesso à profissão, a construção da imagem pública do "mágico louco".
Agora é certo que a narrativa se perde ligeiramente em episódios acessórios, na multiplicação de personagens pouco úteis e até no desperdício de figuras que parecem centrais mas que depois se limitam a uma aparição fugaz.
Mas é um óptimo entretenimento, em certos momentos humorístico, magistralmente bem escrito e garantia de umas dezenas de horas bem passadas. O que mais se pode pedir?

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Declaração de voto: Abstenho-me

Votei pela primeira vez numas longínquas eleições para o parlamento europeu em 1988. Até agora não tinha deixado passar uma eleição ou referendo sem depositar o meu voto, exprimindo, em cada uma delas, de forma mais ou menos veemente, as minhas convicções políticas ou estados de alma eleitorais.

Sendo individualista por natureza e pouco crente na bondade intrínseca dos partidos e associações políticas enquanto expressão legítima da formulação de escolhas e de interesses nunca me filiei num partido e muito menos votei sistematicamente em qualquer uma das cores políticas. Em cada eleição, não estando o meu entendimento político formatado por uma opção unívoca pela esquerda ou direita, exercia crítica e conscientemente a minha escolha perante os condicionalismos do momento, vagueando, nessa medida, por todo o espectro político à excepção dos seus extremos.

Nesta eleição presidencial vou abster-me. Faço-o por não encontrar em nenhum dos candidatos vestígio de argumento que mobilize o meu voto, para além de um desagrado visceral quanto ao modo acéfalo como tem decorrido a campanha.

Cavaco Silva segue o bem sucedido modelo Sócrates (face a Santana). Não expondo argumentos, raciocínios ou estratégias não se compromete e pela gestão dos silêncios e omissões espera manter a sua vantagem por imperícia dos seus contendores. Não creio que tenha o perfil ideal para Presidente da República, mas pode ser que supere Jorge Sampaio (o que não constitui tarefa árdua).

Soares tem o dom de me irritar solenemente. A auto-indigitação como pai da pátria e a consideração de que todo o português lhe deve algo (como se não o tivesse já pago e com elevados juros) causa-me náuseas. Mesmo que haja um alto preço (e já houve, redundando em aventuras santanistas) a pagar pela humilhação de cada um dos membros do clã Soares parece-me inteiramente justificado.

Manuel Alegre não me suscita qualquer tipo de comentário.

Jerónimo e Louçã parecem-me os únicos que alinhavam alguns argumentos merecedores de atenção mas trata-se de um jogo a dois, numa disputa longínqua e pouco relevante para a matéria em causa.

Garcia Pereira é uma espécie de “emplastro eleitoral”, sempre pronto a dizer umas coisas pouco simpáticas numa linguagem extremamente agressiva a cada câmara televisiva que se posiciona à sua frente.

No seu conjunto, a já longa campanha eleitoral (que para supremo enfado se iniciou logo após a campanha autárquica) cada vez mais se aproxima do circo futebolístico mediatizado. Os candidatos percorrem o país na companhia dos seus exaltados adeptos a que ainda se juntam outros localmente recrutados nas concelhias; os adeptos carregam as bandeirinhas, cachecóis, autocolantes e berram slogans ritmados por bombos e cânticos plagiados pelos inspirados meninos das “Jotas” dos das claques dos clubes de futebol.

Tudo isto é demorada e repetidamente gravado, editado, transmitido, analisado e comentado pelos três canais generalistas, canais temáticos, rádios e imprensa escrita, privilegiando sobretudo a forma e muito pouco o conteúdo, que, justiça lhes seja feita, é praticamente nulo. Em suma, o vencedor que o faça à primeira volta para que tão rapidamente quanto possível possamos gozar o período de acalmia eleitoral que se segue (Espero!).

domingo, janeiro 08, 2006

Because they are so long-lived, atoms really get around. Every atom you possess has almost certainly passed through several stars and been part of millions of organisms on its way to becoming you. We are each so atomically numerous and so vigorously recycled at death that a significant number of our atoms (...) probably once belonged to Shakespeare. (...) So we are all reincarnations - though short-lived ones. When we die, our atoms will dissemble and move off to find new uses elsewhere - as part of a leaf or other human being or drop of dew. Atoms themselves, however, go on practically for ever. (B. Bryson, A short history of nearly everything, p. 176)

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Os dragões e os links

Os dragões aprenderam sozinhos a colocar alguns links no blogue. Um pequeno feito que deixou o dragão vermelho muito satisfeito consigo próprio. As minhas primeiras linhas de programação... vampirizadas do código-fonte de outro blogue, é certo, mas a necessidade é mãe da invenção.

terça-feira, janeiro 03, 2006

Gosto desta série











Anda há anos a passar recorrentemente na SIC. Mas só depois de ter ido a Viena é que me apaixonei pela série. Agora suponho que já vi todos os episódios das três épocas desta telenovela policial. Gosto dos episódios auto-contidos, com histórias finitas, que não obrigam a uma fidelidade estrita. Gosto dos argumentos bem feitos, das estórias credíveis, do retrato que suponho realista do crime e da investigação policial. Gosto dos personagens, tanto dos heróis como dos vilões, humanos, plausíveis, falíveis. Gosto dos pormenores que mostram que é uma produção europeia: há gente nova e velha, bonita e feia; os polícias trabalham em equipa e não resolvem tudo sozinhos, à cowboy do oeste; os enredos incluem pormenores sociais, políticos, económicos que ajudam a explicar as circunstâncias do crime. E gosto sobretudo da cidade, como servem de cenário à história os monumentos, os edificios históricos, os palácios, as ruas, os parques, os bairros da era socialista, os cemitérios, o Prater... E até gosto do cão!

sábado, dezembro 31, 2005

Votos de Ano Novo

Que 2006 traga trabalho, dinheiro, viagens, saúde, comida, bons livros, bons filmes, amigos, bom humor, a anexão pela Espanha, a extinção da espécie humana. Por nenhuma ordem em especial.

quinta-feira, dezembro 29, 2005

Gosto deste bicho



É exótico, é feroz, é carnívoro, é marsupial, é australiano. Chama-se diabo da Tasmânia e inspirou um personagem de desenhos animados muito divertido.

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Contos da modernidade avançada


Era uma vez uma vetusta instituição museal, velha de um quarto de milénio, rica como Cressos, epítome do saber curatorial, pejada de curadores de currículos longuíssimos, recheada de tesouros inigualáveis, sediada na capital do mundo civilizado. E era uma vez um artista de graffitti irreverente, que enche as ruas desta capital de desenhos sarcásticos (ver aqui). Durante um par de dias este curioso exemplar de arte rupestre esteve pendurado nas paredes da vestusta instituição, acompanhado de uma esclarecedora legenda: "homem primitivo aventura-se em terrenos de caça fora da cidade. Este exemplo de arte primitiva em óptimo estado de conservação data do período Pós-Catatónico." E mais umas quantas irónicas referências que ao que parece passaram por sérias reflexões académicas... Pois, ao que parece a arte trocou as voltas aos sistemas periciais... Depois a "obra de arte" foi retirada de exposição e tudo voltou à normalidade. É assim a modernidade avançada.

terça-feira, dezembro 20, 2005

Gosto deste livro



Talvez seja mais exacto dizer que gosto deste autor. Não é alta literatura, não é Proust, não é sequer do melhor que a ficção britânica contemporânea oferece, mas certamente proporciona horas de boa leitura, de diversão, de entretenimento inteligente. Quer as aventuras africanas da primeira mulher detective do Botswana, quer as atribulações do professor alemão de filologia românica especializado em verbos irregulares portugueses, quer agora as várias séries que têm Edimburgo como pano de fundo são imperdiveis. Histórias simples, personagens memoráveis, humor inesperado e um sentido moral pervasivo fazem destes livros uma boa companhia em tardes de sol, noites de chuva e manhãs nubladas.

O exemplar em questão é de facto a versão em livro de um folhetim diário publicado num jornal escocês, inspirado nas crónicas de São Francisco de A. Maupin. Na minha modesta opinião o émulo supera o original, mas isto dever-se-á sobretudo à minha europofilia (e sobretudo anglofilia)impenitente. As histórias cruzadas dos habitantes de um prédio da New Town de Edimburgo devolvem-me ao que é uma das cidades da minha vida. Há uma antropóloga sábia, uma rapariga que não sabe o que quer da vida, uma mãe obsessiva com o sucesso do filho em idade pré-escolar, um rapaz mau carácter, um pintor com um cão alcoólico, uma proprietária de café literata, um dono de galeria ignorante em pintura e em tudo o resto mas de bom fundo... E há sobretudo a cidade, com os cafés, as lojas, as ruas, os museus, os túneis secretos, as estações de comboio, os parques e jardins, os hotéis... Por tudo isso, gosto deste livro.

quinta-feira, dezembro 15, 2005

O dragão fatalista

O destino marca a hora
Pela vida fora
Que havemos de fazer
O que rege a sorte agora
Foi escrito outrora
Logo ao nascer

O relógio marca o tempo de viver
Todos nós somos iguais
Se o destino nos condena
Não vale a pena lutarmos mais

O passado nunca volta, podes crer
O futuro não tem dono
Toda a flor por mais bonita há de morrer
Quando chega o seu Outono

Temos hoje para viver toda uma vida
Amanhã que longe vem
A saudade está escondida
Num destino por medida
Para nós dois e mais ninguém

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Nostalgia


É de certeza uma marca da minha idade avançada o facto não só de considerar que na minha infância as séries de televisão eram melhores mas também de o estar constantemente a repetir.
E esta é certamente uma das minhas favoritas. Francesa, é um sequela de uma série sobre a história, "Era uma vez o Homem", e antecede outra com os mesmos bonecos, de cariz ainda mais didáctico, "Era uma vez o corpo humano". Politicamente correcta, há novos e velhos, homens e mulheres, de cores variadas. Os maus eram facilmente identificáveis pelo grande nariz vermelho, provinham de Cassiopeia e o seu símbolo era formado pelo W da constelação.
Confesso que não me recordo bem das histórias. Mas passava-se no espaço, tinha naves, lutas, planetas, a eterna luta do bem contra o mal. E eu nesta altura queria tanto ser astronauta...
E a música, pelo menos a versão portuguesa, era brilhante... Quem me dera saber por ficheiros audio no blogue...

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Contos da modernidade avançada

Era uma vez uma viúva de um alto dignatário ou um funcionário de um banco/hospital/empresa algures em África, que tem conhecimento de uma avultada soma escondida pelo marido / perdida numa conta / que sobrou de um contrato. Pessoa inquestionavelmente honesta, com uma extensa família para alimentar, apenas procura reparar uma injustiça que lhe foi feita ou aproveitar um vazio legal quanto ao destino a dar ao dinheiro. Escreve uma carta electrónica, endereçada a alguém, algures, confiante na probidade do destinatário, prometendo uma percentagem do bolo, em troca da utilização da conta bancária para uma transferência. Fornece pequenos detalhes, como nomes de empresas, de localidades, links para sites de órgãos de informação que corroboram a história. O que esta carta electrónica não diz é que o destinatário terá de pagar uma pequena soma, irrisória face à fortuna que receberá, para a tramitação burocrática do processo. Também não diz que o destinatário cúpido e ingénuo nunca mais verá essa pequena soma. Chamam-lhes cartas da Nigéria, mas provêm de várias partes do mundo e chegam-me às dezenas por semana. Ando a coleccioná-las, para um dia escrever um romance sobre as desgraças do mundo. É assim a modernidade avançada.

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Os homens da minha vida


O Bond definitivo. Uma voz hipnótica, um áspero sotaque escocês, charme da cabeça aos pés, um andar felino, a epítome da elegância dentro de um smoking nas cenas de casino, letal com a Wahlter PPK, imbatível com os punhos, irresistível para a míriade de bond girls. As histórias podem ser previsíveis, as aventuras amorosas um bocado foleiras, os vilões incredíveis, mas são os cenários exóticos, a paixão pela tecnologia e a infabilidade do herói que tornam estes filmes míticos.
Depois há toda a carreira pós-bond que o confirmou como um actor de referência. O monge detective no clássico "Nome da Rosa", o velho polícia honesto de "Os intocáveis", o aventureiro de fim trágico em "O homem que queria ser rei", o ladrão de bom coração em "O dossier Anderson", o espadachim imortal no "Highlander", o guerreiro semi-despido em "Zardoz", o carismático pai do Indiana Jones no terceiro capítulo da saga, um dos assassinos na melhor adaptação do "Crime do Expresso do Oriente", um Robin Hood envelhecido no "Robin e Marion". E a lista continua. Um compatriota escocês que é um dos homens da minha vida.

domingo, dezembro 04, 2005

Outono

Adoro esta altura do ano. Adoro o frio. Mais um cobertor na cama, uma manta no sofá, saias de lã e casacos compridos. Adoro os dias cinzentos, os céus plumbeos, a chuva a cair, as nuvens densas cortadas por um raio de sol. Não me importo nada que seja de noite às 5 da tarde. Sobretudo se não tiver de andar na rua. Adoro um chá quentinho, uma empada a sair do forno, vin chaud, fritos de Natal. Adoro as cores dos campos do Alentejo, as folhas caídas, o verde perene dos abetos. Adoro o cinzento do mar nos dias de tempestade, as trovoadas, a promessa de neve nunca cumprida. Umas pantufas de pele de carneiro, um gato ao colo, filmes lamechas na televisão. Adoro a antecipação do natal, as ruas iluminadas, as montras decoradas, os magotes de gente às compras na Baixa como se não houvesse crise. Talvez sejam os meus genes celtas, mas esta é para mim a melhor altura do ano.

terça-feira, novembro 29, 2005

Circulação de invisuais


É o que o sinal diz. Juro. A fotografia é mázita, mas não se ganha o World Press Photo com as máquinas fotográficas dos telemóveis...

quinta-feira, novembro 24, 2005

O meu herói




No aniversário, uma das minhas favoritas.
Sempre no meu coração.











It's a Hard Life
(Mercury)

I don't want my freedom
There's no reason for living
with a broken heart

This is a tricky situation
I've only got myself to blame
It's just a simple fact of life
It can happen to anyone
You win - you lose
It's a chance you have to take with love
Oh yeah - I fell in love
But now you say it's over and I'm fallin' apart

It's a hard life
To be true lovers together
To love and live forever
in each others hearts
It's a long hard fight
To learn to care for each other
To trust in one another
right from the start
When you're inlove

I try and mend the broken pieces
I try to fight back the tears
They say it's just a state of mind
But it happens to anyone
How it hurts - deep inside
When your love cuts you down to size
Life is tough - on your own
Now I'm waitin' for something to fall from the skies
Waiting for love

Yes it's a hard life
Two lovers together
To love and live forever
in each others hearts
It's a long hard fight
To learn to care for each other
To trust in one another right from the start
When you're inlove

Yes it's a hard life
In a world that's filled with sorrow
There are people searching for love in every way
It's a long hard fight
But I always live for tomorrow
I'll look back on myself and say I did it for love
Yes I did it for love - for love -
I did it for love

terça-feira, novembro 22, 2005

A minha irmã foi a Roma

e trouxe-me um postal da Bocca della Veritá. Porque é a imagem mental que tenho de Roma onde eu nunca fui.

segunda-feira, novembro 21, 2005

Engenheiros, economistas e gestores

O mercado de trabalho em Portugal precisa unicamente de economistas, gestores e engenheiros. Pelo menos a fazer fé nos anúncios de emprego publicados no Expresso. O que mais me intriga é a intermutabilidade destas profissões. Já perdi a conta aos anúncios que pediam, para uma mesma função, licenciados numa destas três áreas. Lá que economia e gestão sejam parecidas, eu ainda percebo. Mas agora engenharia? Que raio de trabalho será que tanto possa ser exercido por uma pessoa que perceba de finanças públicas e por uma que saiba construir pontes?E todas as engenharias? Terá as mesmas competências um gestor, um engenheiro naval, um engenheiro químico e um engenheiro ambiental?
Ou são estas os únicas três licenciaturas de qualidade em Portugal? Que independentemente dos seus conteúdos asseguram que os seus graduados são pessoas de confiança, trabalhadoras, empenhadas e inteligentes? O resto só forma madraços, inúteis e incompetentes?
É curioso verificar que nos anúncios de emprego ingleses é raro ser pedido uma formação superior específica. Pedem sim um grau académico e vontade de aprender. Ou capacidades que já tenham sido desenvolvidas em cargos anteriores. Uma escolha de um curso feita aos 18 anos não condiciona para toda a vida o que uma pessoa irá fazer. É certo que certas posições requerem uma formação específica. Não queremos um médico formado em literatura inglesa nem um engenheiro de pontes licenciado em psicologia.
Mas para fazer powerpoints (que é o que parece que a maioria da força de trabalho nas empresas portuguesas se ocupa a fazer) é realmente necessário uma licenciatura em engenharia, economia e gestão?

quarta-feira, novembro 16, 2005

Contos da modernidade avançada

Era uma vez uma senhora loira e bem parecida que se dirige a uma imobiliária para comprar um apartamento num luxuoso condomínio fechado no Algarve. Paga em numerário o sinal do contrato de promessa de compra e venda e agenda uma visita ao apartamento com o marido para uma data próxima. No dia combinado a senhora loira e já não tão bem parecida visita o condomínio acompanhada pela sua extensa família de etnia cigana. No meio de uma grande algazarra, as crianças saltam para a piscina vestidas, os adultos combinam grandes churrascos na relva e festas até amanhecer. O promotor imobiliário entra em pânico e tenta cessar o contrato, o que só sucede a troco de uma choruda indemnização.
Esta história é verídica e veio relatada no Público há umas semanas. E eu acho-a uma parábola deliciosa sobre como os estigmatizados revertem o estigma a seu favor financeiro, como as fortalezas urbanas revelam fraquezas quando os que é suposto ficarem de fora compram o direito a estar lá dentro e como erroneamente se julgam e classificam as pessoas com base só nas aparências. É assim a modernidade avançada.

domingo, novembro 13, 2005

De volta

Depois de um mês em que toda a energia criativa teve de ser devotada a outras tarefas e de uma merecida pausa, o dragão vermelho está de volta. Haja tempo e paciência para postar...

sexta-feira, outubro 07, 2005

As coisas que não têm solução

Humpty Dumpty sat on the wall,
Humpty Dumpty had a great fall,
All the king's horses and all the king's men,
Couldn't put Humpty Dumpty together again.

quinta-feira, outubro 06, 2005

Eclipse


Eu sei que já passaram alguns dias. Mas estive à espera que o Centro de Astrofísica disponibilizasse umas boas imagens do fenómeno. O material óptico e fotográfico destes dragões

não dá para isto. E o tempo livre e a boa disposição não têm abundado.

Gosto muito de eclipses. Lembram-me como o sistema solar funciona certinho como um relógio, com os planetas a girar em torno do sol, as luas em torno dos planetas, os planetas e as luas em torno de si mesmos, num bailado galáctico afinado e perpétuo. Gosto da luz diáfana e melancólica com que todas as coisas ficam quando a lua escurece o sol. E os eclipses são bons dispositivos dramáticos para resolver situações dificeis na literatura e no cinema. Veja-se os exemplos clássicos do Tintim, das Minas do Rei Salomão, do Ladyhawke.

Tenho pena que sejam tão raros. Mas também se fossem mais comuns não me despertariam tanto interesse.

quarta-feira, setembro 28, 2005

Algo de bonito para me alegrar


O ritmo de actualização deste blogue é indicativo
do stress em que eu ando. Se não tenho tempo para ter fim de semana, como hei de ter tempo para escrever um post?

terça-feira, setembro 20, 2005

Mais um bicho de que eu gosto


São coloridas, luzidias, húmidas, silenciosas e ágeis. E ao que parece estão em extinção. São um sinal de alarme que o aquecimento global e a poluição nos estão a matar a todos devagarinho. Tenho uma carinho especial pelas salamandras também porque o Karel Kapek, conhecido como o pai do termo robot, escreveu um livro de ficção científica em que estes anfíbios evoluiam, começavam a falar (inclusivamente checo) e travavam uma guerra contra os humanos. A realidade é bem mais triste que a ficção e somos nós que estamos a dar cabo delas...

quinta-feira, setembro 08, 2005

Já não se fazem séries assim


Os actores são soberbos. Os cenários são limitados mas correctos. A recriação de época é impecável. O argumento é sóbrio mas emocionante. As personagens são bem construídas, credíveis, coerentes, geram simpatia e interesse. As histórias são cativantes, realistas, bem construídas. E é Inglaterra, Londres, num período histórico particularmente marcante. Há a transição para o século XX, as sufragetes, a guerra, as greves, o naufrágio do Titanic, a vida boémia, os automóveis, o exército, os dias de férias. A série vive das tensões sociais entre pobres e ricos, homens e mulheres, alemães e ingleses, patrões e criados, jovens e velhos, tradicionalistas e inovadores. Nestes tempos conturbados é um bálsamo, um repouso para os olhos e para a mente, uma distração bem vinda e ansiosamente aguardada todos os serões.

terça-feira, agosto 30, 2005

Agarrem-me senão eu mato(-o?) (-me?) (-vos?) (-nos?)

É a expressão que me vem à cabeça após a triste performance desse cavalheiro da triste figura que dá pelo nome de Manuel Alegre. Até parece que aquele interregno entre o anúncio das televisões e a emissão do discurso serviu para atender um telefonema do Largo do Rato.
Se à República faltavam tomates, sem eles ficámos definitivamente! Manuel Alegre demonstrou em 10 minutos de directo a essência lusa que irremediavelmente nos perde, até ao imprevisível limite da pusilanimidade nacional.
Se Cavaco Silva o segue abdico definitivamente do cartão de eleitor e de qualquer modalidade de exercício da cidadania nesta esterqueira!

segunda-feira, agosto 29, 2005

Dia de festa em Paço de Arcos

Acontece uma vez por ano. Engalanam-se as ruas com luzes coloridas. Enche-se o jardim de barracas de bujigangas, roulotes de farturas, tendas de pestiscos grelhados, carrosséis ruidosos para a miudagem. Saem à rua a banda dos bombeiros, os escuteiros, a filarmónica de Talaíde, os andores dos santinhos, o pálio do padre, os altos dignatários da freguesia e até do município, umas centenas de velhas beatas, uns quantos curiosos nas varandas e espalhados pelas ruas. Benzem-se os barcos na baía e soltam-se uns quantos balões coloridos (este ano bem anémicos, por sinal). Atroam-se os ares com foguetes e com concertos musicais de terceira categoria. No último dia há um espectáculo piro-musical, quando o nevoeiro não faz a desfeita. São as festas do Senhor Jesus dos Navegantes.    

sexta-feira, agosto 19, 2005

Uma canção intrigante

EVERBODY'S FREE (TO WEAR SUNSCREEN)
Baz Luhrmann

Ladies and Gentlemen of the class of ’99
Wear Sunscreen

If I could offer you only one tip for the future,
sunscreen would be it.
The long term benefits of sunscreen have been proved by scientists,
whereas the rest of my advice has no basis more reliable than my own meandering experience
I will dispense this advice now.

Enjoy the power and beauty of your youth, oh nevermind,
you will not understand the power and beauty of your youth until they've faded.
But trust me, in 20 years you’ll look back at photos of yourself
and recall in a way you can’t grasp now,
how much possibility lay before you
and how fabulous you really looked,
you are not as fat as you imagine.

Don’t worry about the future, or worry, but know that worrying is as effective as trying to solve an algebra equation by chewing bubblegum.
The real troubles in your life are apt to be things that never crossed your worried mind, the kind that blindside you at 4pm on some idle Tuesday.

Do one thing everyday that scares you

Sing

Don’t be reckless with other people’s hearts,
don’t put up with people who are reckless with yours.

Floss

Don’t waste your time on jealousy, sometimes you’re ahead, sometimes you’re behind,
the race is long, and in the end, it’s only with yourself.

Remember the compliments you receive, forget the insults,
if you succeed in doing this, tell me how.

Keep your old love letters, throw away your old bank statements.

Stretch

Don’t feel guilty if you don’t know what you want to do with your life,
the most interesting people I know didn’t know at 22 what they wanted to do with their lives, some of the most interesting 40 year olds I know still don’t.

Get plenty of calcium.

Be kind to your knees, you’ll miss them when they’re gone.

Maybe you’ll marry, maybe you won’t, maybe you’ll have children, maybe you won’t,
Maybe you’ll divorce at 40,
Maybe you’ll dance the funky chicken on your 75th wedding anniversary
What ever you do, don’t congratulate yourself too much or berate yourself either
Your choices are half chance, so are everybody else’s.
Enjoy your body, use it every way you can, don’t be afraid of it,
or what other people think of it, it’s the greatest instrument you’ll ever own

Dance, even if you have nowhere to do it but in your own living room.

Read the directions, even if you don’t follow them.

Do not read beauty magazines, they will only make you feel ugly.

Get to know your parents, you never know when they’ll be gone for good.

Be nice to your siblings, they are the best link to your past
and the people most likely to stick with you in the future.

Understand that friends come and go, but for the precious few you should hold on.
Work hard to bridge the gaps in geography and lifestyle because the older you get,
the more you need the people you knew when you were young.

Live in New York City once, but leave before it makes you hard,
Live in Northern California once, but leave before it makes you soft.

Travel.

Accept certain inalienable truths, prices will rise, politicians will philander,
you too will get old, and when you do you’ll fantasize that when you were young
prices were reasonable, politicians were noble and children respected their elders.

Respect your elders.

Don’t expect anyone else to support you. Maybe you have a trust fund,
Maybe you have a wealthy spouse; but you never know when either one might run out.

Don’t mess too much with your hair, or by the time you're 40, it will look 85.

Be careful whose advice you buy, but, be patient with those who supply it.
Advice is a form of nostalgia, dispensing it is a way of fishing the past from the disposal, wiping it off,
painting over the ugly parts and recycling it for more than it’s worth.

But trust me on the sunscreen

segunda-feira, agosto 15, 2005

Contos da modernidade avançada

Era uma vez um sueco que sabia imitar na perfeição o barulho irritante de uma motoreta. Um dia decidiu que não bastava que o seu particular dom fosse conhecido apenas pelo seu círculo de amigos: gravou o som e disponibilizou-o na sua página pessoal na internet. Tornou-se tão conhecido que até um canal de televisão o contactou para reproduzir o barulho do motor de dois tempos ao vivo. Um outro sueco, desta feita designer, inspirado pelo peculiar ruído, desenhou uma imagem animada tão irritante quanto o som - um sapo meio nú, de capacete e blusão do motociclista - e também o colocou on line. Neste mundo tão globalizado, não tardou a que uma companhia de toques de telemóvel alemã comprasse dos direitos do sapo e do som, baptizado Crazy Frog. Ambos invadiram a publicidade televisiva e milhões de pessoas compraram o maldito toque. O sucesso foi tal que um DJ resolveu criar uma canção a partir do toque, com direito a videoclip e tudo. Agora está nos tops por toda a Europa. Um jogo electrónico já está em preparação. Não me espanta que daqui ainda saia um filme e toda uma linha de merchandising: T-shits, bonecos de plástico, cuecas, escovas de dentes... No end...

quarta-feira, agosto 10, 2005

Os homens da minha vida


Quando me perguntavam o que é que eu queria ser, a minha primeira e única resposta foi: astronauta. Mas os meus heróis não era os americanos na lua. Muito provavelmente por influência familiar, as minhas referências eram os cosmonautas soviéticos. A primeira cadela no espaço, Laika, a primeira mulher, Valentina Tereskova, e claro, o primeiro ser humano que se aventurou para além da atmosfera terrestre e que viu que o planeta visto de cima era azul: Yuri Gagarin. Era bonito e corajoso, morreu novo e tornou-se num ícone. A história toda está aqui. Agora já sou demasiado cobardolas para sonhar ser astronauta. Mas o sonho está lá, e volta há tona sempre que há notícias da exploração espacial. Talvez um dia eu também veja a Terra azul a partir do espaço.

sábado, agosto 06, 2005

Mais um exercício de nostalgia


Não me lembro das histórias, nem da duração dos episódios, nem sequer de quando passou na televisão. Mas os personagens e os nomes colaram-se à minha memória: o cão Franjinhas, o Zebedeu malvado, a vaca Margarida, o caracol Ambrósio. Lembro-me da música, dos bonecos, das flores de plasticina. E que não havia violência, não havia monstros, não havia merchandising agressivo nem fast food cheia de açucar a oferecer autocolantes. Pois é, uma pessoa com a idade fica mesmo conservadora e bota de elástico...

terça-feira, agosto 02, 2005

Ainda a música do século XX

Heaven... I'm in heaven,
And my heart beats so that I can hardly speak.
And I seem to find the happiness I seek,
When we're out together dancing cheek to cheek.

Heaven... I'm in heaven,
And the cares that hung around me through the week,
Seem to vanish like a gambler's lucky streak,
When we're out together dancing cheek to cheek.

Oh, I love to climb a mountain,
And to reach the highest peak.
But it doesn't thrill me half as much
As dancing cheek to cheek.

Oh, I love to go out fishing
In a river or a creek.
But I don't enjoy it half as much
As dancing cheek to cheek.

Dance with me!
I want my arms about you.
The charms about you
Will carry me through to...

Heaven... I'm in heaven,
And my heart beats so that I can hardly speak.
And I seem to find the happiness I seek,
When we're out together dancing cheek to cheek.

Irving Berlin

domingo, julho 31, 2005

Uma boa surpresa


Ontem fomos a mais um concerto da Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras.

No programa um favorito de todos: as quatro estações de Vivaldi. Como brinde uma peça desconhecida: as variações que o Astor Piazzollla fez do clássico.

Se o Vivaldi não desaponta ninguém, o Piazzolla foi uma sublime surpresa. Muito século XX, muito tango, muita paixão tangida nas cordas (um dos violinistas inclusivamente rebentou uma das cordas do arco...). É mesmo verdade que com a idade uma pessoa refina os gostos e suponho que seja isso que me está a acontecer com a música mais recente. Mas não creio que haja esperança para o Stockhausen.

sábado, julho 23, 2005

O que nos fica das férias

Provavelmente muito gente dirá o mesmo, mas as férias são para mim os melhores dias do ano. Como dragões urbanos que somos, as férias são sempre numa cidade, de preferência noutro país. Percorrer as ruas, visitar museus e monumentos, experimentar gastronomias, disfrutar dos cafés, das esplanadas, dos parques e jardins, os dias correm céleres, numa ânsia de tudo ver e tudo guardar na memória. Não raramente, chego ao fim das férias com pouca vontade de regressar à base, com sonhos de emigrar e me estabelecer num país mais limpo, mais organizado, mais eficiente, mais honesto.
Na impossibilidade de concretizar estes projectos, só nos resta prolongar simbolicamente as férias, fingir que ainda lá estamos. Horas passadas a rever as centenas de fotografias tiradas, a ler os catálogos dos museus, a folhear os mementos que eu insisto em trazer, dos bilhetes de transportes às facturas dos cafés. Durante umas semanas ainda compramos os jornais importados, seguimos as notícias da terra visitada com atenção, desfilamos as recordações de férias com os amigos.
E há a comida. Talvez a maneira mais duradoura e sensorial de evocar aqueles poucos dias em que fomos tão felizes. O dragão verde encarrega-se de encontrar e reproduzir as receitas que nos deixam na boca o sabor de uma cidade amada. Há o Long Island Ice Tea de Manchester. As salsichas de Viena. A Mushroom and Stilton Soup de Edinburgo. O Vin Chaud de Paris. A Beef and Ale Pie de Londres. O salmão marinado com salada de batata de Estocolmo. As tapas de Barcelona. As francesinhas do Porto. As costoletinhas com arroz de feijão de Coimbra.
A colher de pau é uma máquina do tempo...

quarta-feira, julho 20, 2005

Autarquias

Por causa do meu excesso de voluntarismo, a minha caixa de correio nunca está vazia. Uma participação mal sucedida num concurso de ideias e o preenchimento de uma ficha para receber os periódicos municipais resultaram numa substancial fonte de receitas para os CTT. Os periódicos chegam sempre em duplicado, porque a amável autarquia disso se encarrega, com uma distribuição porta a porta e uma via empresa postal. Através da minha malfadada inclusão na lista de correspondência, não há dia que não tenha um ou vários envelopes com o brasão municipal, frequentemente com o autocolante do correio azul. Lá os convites para as actuações da Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras ainda merecem uma leitura atenta e muitas vezes uma resposta positiva. Um debate na biblioteca municipal ou uma exposição de artes plásticas, uma vez por outra lá vou. Agora as milhentas solicitações para a minha presença na inauguração de rotundas, pracetas, placas toponímicas, obras de arranjo de canteiros e parques infantis, centros paroquiais, arruamentos, e todas as minudências que não são mais do que a obrigação do poder local... Directamente para a reciclagem, com uns palavrões pelo meio em protesto pelo uso que é feito dos dinheiros públicos. Quero emigrar!

sábado, julho 16, 2005

Cidade azul e verde


Um terço água, um terço floresta, um terço construção. Estocolmo é a mais perfeita cidade que conheço.

No Verão é de uma beleza radiosa. O sol quase permanente invade as ruas, reflecte-se nas águas, salienta a incrível beleza e luminosidade de muitos dos edifícios.

Os autócnes invadem os parques, misturam-se com os patos, as gaivotas e as gralhas, deitam-se na relva ao sol, dão migalhas à bicharada, deixam os filhos correr à solta. Os muitos que têm barco disfrutam das águas cálidas, cruzam-se com os paquetes e os ferry que atravessam o Báltico.

As ruas são planas, amplas e arborizadas, perfeitas para caminhar. Os transportes são regulares e bem organizados. Para todas as bolsas, não faltam cafés, restaurantes, esplanadas, lojas de conveniência com comida para um piquenique. Os museus são interessantes, os palácios opulentos. Há muito para ver, para fazer e para disfrutar.

Uma cidade boa para visitar. Boa para viver?

terça-feira, julho 12, 2005

O céu na terra

The Divine Comedy - Sweden

I would like to live in Sweden
When my work is done
Where the snow lies crisp and even'
Neath the midnight sun
Safe and clean and green and modern
Bright and breezy?free and easy
Sweden?Sweden?Sweden?
In Sweden
I am gonna live in Sweden
Please don't ask me why
For if I were to give a reason
It would be a lie
Tall and strong and blonde and blue-eyed
Pure and healthy, very wealthy
I'll grow wings and fly to Sweden
When my time is come
Then at last my eyes shall see them
Heroes every one
Ingmar Bergman
Henrik Ibsen
Karin Larrson
Nina Persson

sexta-feira, junho 24, 2005

terça-feira, junho 14, 2005

Na morte de um ícone


Num país de gente medíocre, há poucos personagens assim. Carismático. Persistente. Brilhante. Uma vida fascinante em tempos negros, uma crença férrea contra ventos e marés, uma arte luminosa e cheia de esperança. Dava um filme. Ou um romance. Ou uma biografia em trilogia.

quinta-feira, junho 09, 2005

Primeiro dia de praia

Céu azul. Sol no firmamento. Calor na medida certa. Água quentinha. Ondas saltitonas. Areia limpa. Uma camada de protector solar. Um chapéu de sol. O recorte agudo da serra, com umas malvadas casas a despontar. Veleiros no horizonte. O mar infinito. Um passeio de carro ao longo das falésias. Um final de tarde de Verão. Primeiro dia de praia.

quarta-feira, junho 01, 2005

sábado, maio 28, 2005

Nostalgia

O elefante Babar é o heroi de livros infantis dos anos 30 e de uma série de animação televisiva muitas décadas depois. As histórias são simples, ternas e moralistas. Seguimos o pequeno elefante da selva a Paris, onde é educado por uma elegante senhora, e de volta os seu país africano, onde se torna rei, casa, tem filhos, que educa segundo os mesmos princípios de honestidade, cortesia e bondade. Há um macaco que faz asneiras, um elefante cortesão disparatado que se chama Pompadour, um elefante general velhote e nem faltam os inimigos: a familia real rinoceronte do reino vizinho. Entre tantos desenhos animados violentos, grosseiros e desagradáveis, faz-me falta ver as aventuras de Babar.

quarta-feira, maio 25, 2005

Gosto deste livro

Ainda na senda da segunda guerra mundial, lembrei-me desta obra. É mais uma vez um conjunto de livros (uma trilogia, seguida de outra), que segue os reveses da fortuna de um casal britânico neste período histórico. É raro eu gostar de literatura escrita por uma mulher, mas há qualquer coisa de muito apelativo nestes livros. Talvez o exotismo das localizações (Roménia, Grécia, Egipto, Próximo Oriente), talvez a sensação dos protagonistas estarem recorrentemente a fugir da avalanche da guerra que os ameaça envolver, talvez a galeria de secundários pitorescos, talvez o retrato de um casamento disfuncional e de uma mulher resiliente, talvez a história de pessoas comuns a viverem num tempo incomum. Quase duas mil páginas que prendem, enredam, emocionam o leitor. Os livros foram adaptados à televisão, numa série protagonizada por Kenneth Branagh e Emma Thompson, quando eram o casal maravilha do teatro inglês. Gosto muito deste livros.

terça-feira, maio 24, 2005

Revivalismo

Uma canção patriótica da 2ª Guerra, cantada pela Vera Lynn

We'll meet again,
Don't know where,
Don't know when,
But I know
We'll meet again
Some sunny day.

Keep smiling through
Just like you
Always do
Till the blue skies
Drive the dark clouds
Far away.

So will you please
Say hello
To the folks
That I know
Tell them, I won't be long.

They'll be happy to know
That as you saw me go
I was singing this song.

E aqui pode ser ouvida.

quarta-feira, maio 11, 2005

segunda-feira, maio 09, 2005

Dia da Europa

Eu europeísta me confesso. Gosto de carros alemães. De literatura britânica. De queijos franceses. De pintura holandesa. De goffres belgas. De comida italiana. De mobília sueca. Da vida urbana espanhola. De Legos dinamarqueses. De kombolois gregos. De pantufas finlandesas. De música irlandesa. De séries de televisão austríacas. Do mar português. Sinto-me em casa na Europa. Mas na Europa multicolor, multiétnica, multilíngue, cosmopolita, tolerante e aberta.

sábado, maio 07, 2005

Gosto desta série



A minha anglofilia expressa-se de muitas formas e uma delas é no culto do humor britânico. Há muitas séries geniais e Little Britain é uma delas. Os dois autores/actores desdobram-se numa conjunto de personagens surreais, ou perigosamente reais, que retratam a Inglaterra actual . A adolescente analfabeta e irresponsável, o gordo preguiçoso numa cadeira de rodas e o idealista voluntário, o único gay da aldeia galesa, o travesti vitoriano de sombrinha, a velha escritora de novelas românticas a metro, a preconceituosa coordenadora dos gordos anónimos... Há as catch-frases memoráveis, a caracterização impecável, as situações inesperadas, a crítica social, o nonsense em voz off. É a minha Inglaterra, mas num espelho distorcido.