domingo, julho 16, 2006

Gosto destes desenhos animados



Mais uns desenhos animados geniais. Para variar, são de origem francófona (Canadá e Bélgica) e os heróis são umas aves de espécie indeterminada que vivem numa ilha tropical. O líder da pandilha é o Ovide, um ornintorrinco azul bem humorado. O vilão é uma serpente, que como de costume tem um fiel seguidor aburdamente estúpido. Há écrans de televisão que surgem do nada mas vão dando continuidade às histórias. Mas o que realmente fica na cabeça é a música do genérico, um calipso irresistível. Já não se fazem desenhos animados assim.

sexta-feira, julho 14, 2006

Gosto deste bicho


As suricatas são dos bichos mais curiosos do planeta. Inteligentes, gregários, cooperativos, fotogénicos, parecem uns pequenos extraterrestes quando estão em posição bípede.

segunda-feira, junho 26, 2006

Contos da modernidade avançada

Era uma vez uma telenovela sul-americana. Uma entre milhares. Mas esta deve ter qualquer coisa de especial. Não só foi difundida pelas dezenas de países que geralmente compram e difundem este tipo de produto, como foi alvo de adaptação local em 70 países. Chega-se ao ponto de no mesmo país canais diferentes transmitirem em simultâneo a versão importada e a versão autóctene, como sucede aqui em Espanha. É a glocalização em acção. A parte global é a trama geral da história: uma rapariga assustadoramente feia mas intelectualmente dotada vai ascendendo na empresa onde trabalha e conquistando o coração do galã, ao mesmo tempo que gradualmente se converte no proverbial cisne. A parte local reside em que o papel é geralmente desempenhado por uma beldade nacional e que as características fisicas indicadoras da fealdade variam consoante os países: pernas gordas, dentes em mau estado, cabelo liso ou frisado... É assim a modernidade avançada.

É incrível mas é verdade

Há um blogue inteiro dedicado a fotografias de gatos que parecem o Hitler: http://hitlercats.motime.com/

quinta-feira, junho 15, 2006

Contos da modernidade avançada

Era uma vez uma escultura apresentada à exposição de Verão da Royal Academy. Tinha um título inspirado, "One day closer to paradise", e consistia numa cabeça sorridente em bronze. No dia da inauguração o artista estranhou ver o plinto vazio. Vazio não, ao centro tinha a pequena peça de madeira que suportava a escultura. Pensou que a cabeça tinha ficado esquecida no armazém. Todavia, a explicação era outra. Os rigorosos juízes da Royal Academy tinham decidido que a escultura não tinha mérito artistico mas o suporte sim... É assim a modernidade avançada.

Os dragões andaluzes

Para seguir as aventuras dos dragões emigrantes na bela Hispalis, há um blogue novo: http://giralda-giralda.blogspot.com/.
Este fica reservado para os interesses e paixões do costume.

terça-feira, maio 23, 2006

Ashes and Snow

O fotografo chama-se Gregory Colbert e o projecto Ashes and Snow. São fotografias, curtos vídeos e música sobre o tema da relação harmoniosa entre homens e animais. Imagens sem manipulação digital, de uma beleza pungente e uma clara intenção moral. São apresentadas num museu nómada, um edifício formado por contentores que tem viajado e continuará a viajar entre a Europa, os Estados Unidos e o Japão. Mas não está previsto que venha a Lisboa. Cá é mais desperdiçar dinheiro com a colecção de trampices do senhor comendador Berardo...

domingo, maio 21, 2006

Contos da modernidade avançada


Era uma vez um concurso anual em que uma estação de televisão (geralmente pública) de cada país europeu apresentava uma canção, supostamente representativa do nacional cançonetismo. Quatro décadas depois, o formato mantém-se, o conteúdo é que se alterou radicalmente. Mais de três dezenas de países (pelo menos um dos quais que nem parte do continente faz) encontram-se agora representados, testemunho da fragmentação da Europa. Quase todas as canções são cantadas em inglês e parecem saídas da mesma unidade de produção industrial em massa de pop-pastilha-elástica. As meninas cantoras e bailarinas apresentam-se escassamente vestidas, em trajes que parecem próprios de um bordel. Os votos de cada país espelham mais as fidelidades regionais que uma apreciação da música (verdadeiramente dificil de distinguir entre si). Este ano venceu um grupo de hard rock finlandês cujos membros se apresentam em palco disfarçados como orcs da Terra Média. E pela primeira este vosso dragão gastou 60 cêntimos a elegê-los... É assim a modernidade avançada.

terça-feira, maio 16, 2006

Contos da modernidade avançada


Era uma vez uma artista portuguesa chamada
Joana Vasconcelos. Num meio dominado por um gosto atroz, arrogâncias desmedidas, celebridades fátuas e vacuidades intelectuais, a rapariga vai fazendo carreira com ideias originais, peças bonitas, com uma história e um pensamento subjacente. Este é um sardão em loiça das Caldas, segundo um molde de Boldalo Pinheiro e coberto por naperons de renda como a minha avó fazia. Há também esculturas em tricot, uma motoreta com estatuetas florescentes da Nossa Senhora de Fátima na bagageira e um lustre formado por tampões intitulado "A noiva". Uma artista contemporânea com sentido de humor. É assim a modernidade avançada...

quarta-feira, maio 10, 2006

Contos da modernidade avançada

Era uma vez uma série de televisão sobre um grupo de pessoas perdido numa ilha deserta depois de um desastre de avião, onde uma linha de argumento, muito muito secundária, introduz o achado e a leitura de um manuscrito não publicado de um livro policial, escrito por uma personagem que nem chega a entrar em cena, visto ter morrido no dito acidente. Um editora com olho para o negócio publica então um livro, com o título e o autor do mencionado manuscrito. O livro chega ao top de vendas da Amazon. É assim a modernidade avançada...

segunda-feira, abril 24, 2006

Os dragões vão para o sul


Águas tépidas, clima ameno, paisagem verdejante, hotel de 5 estrelas... Os dragões vão de férias.

sexta-feira, abril 21, 2006

Gosto deste livro


Para não variar são na verdade dois livros. Quinhentas páginas de bom texto é sempre melhor que apenas metade. Não é um livro de investigação histórica nem uma biografia erudita, pelo que talvez tome algumas liberdades com os factos. É sim um romance apaixonante, magnificamente escrito. Uma centena de anos da história de Roma narrada por um dos imperadores menos sanguinários. Cláudio, o gago coxo, figura de segundo plano da família imperial lá vai sobrevivendo às intrigas, traições e desgraças que vão ceifando os herdeiros mais evidentes do trono, até chegar ele próprio ao poder (para, claro, ser ele depois ceifado). Mas é sobretudo a história de uma vida de revezes e resiliência que me comove. Gozado, maltratado, traído em constante risco de ser eliminado ao sabor dos interesses ou dos caprichos dos parentes, vê morrer todos de quem gosta. E mesmo assim lá vai teimando, persistindo, resistindo aos dissabores, refugiado no trabalho intelectual e no labor governativo. Mas não há fins felizes. E a vida não é assim mesmo?

terça-feira, abril 11, 2006

Os dragões assediados


Graças a constrangimentos jurídico-financeiros, os dragões viram-se obrigados a formalizar junto do Estado algo que deveria pertencer exclusivamente à esfera privada. Dada a obrigatória publicitação de tal acto, foram hoje bombardeados com indesejadas ofertas de serviços. Ultrapassada a indignação de receber publicidade não solicitada e o asco causado pelos pindéricos textos e imagens, não quisemos deixar de partilhar com a blogosfera o mais hilariante dos exemplares. A atentar não só nos erros ortográficos e de pontuação mas sobretudo no intrigante "Creio que existimos; a Foto Caneças; para vos satisfazer tentem vós mesmo comprová-lo." Socorro!

quinta-feira, abril 06, 2006

segunda-feira, março 27, 2006

Gosto desta série



Feios, porcos e maus no norte de Inglaterra. Mais uma comédia britânica de excepção, que prende os dragões ao televisor a horas tardias uma vez por semana. Uma família caótica, um pai completamente amoral, linguagem desbragada, situações rocambolescas, sexo com e entre menores, bebedeiras monumentais, pequenos crimes e esquemas fraudulentos... Mas também amor, solidariedade entre parentes e vizinhos, estratégias de resistência dos dominados contra o Estado e a sociedade. Parece um retrato fiel e bem humorado da vida num bairro social de Manchester. Gosto muito do Shameless.

domingo, março 19, 2006

Será um rato?... um pássaro? que bicho esquisito...


Interacção distanciada entre um gato curioso e um zeppelin desgovernado.
Coisas que só se podem fazer em domingos preguiçosos.

quarta-feira, março 15, 2006

Isto não me sai da cabeça

Way I Feel Inside
The Zombies

Should I try to hide
The way I feel inside
My heart for you?
Would you say that you
Would try to love me too?
In your mind could you ever be
Really close to me?
I can tell the way you smile
If I feel that I could be certain then
I would say the things
I want to say tonight
But till I can see
That you'd really care for me
I will dream that someday you'll be
Really close to me
I can tell the way you smile
If I feel that I could be certain then
I would say the things
I want to say tonight
But till I can see
That you'd really care for me
I'll keep trying to hide
The way I feel inside

sexta-feira, março 10, 2006

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Oooooooooops!!!!!!!!!!!!!


Já somos um país moderno!
Já temos um lóbi nuclear como os grandes!

Concedo que no actual contexto energético é admissível que se discuta esta hipótese, contudo...

-Faz-me alguma impressão que seja um processo liderado por um empresário. É um investimento demasiado caro, a médio-longo prazo e com demasiadas contra-indicações para que um empresário luso o considere devidamente;
-
O sub-produto energético das centrais nucleares é exclusivamente a electricidade. Ora, Portugal já praticamente não produz electricidade a partir do petróleo, mas sim do carvão, pelo que o argumento da carestia do preço do petróleo não cola;

-Construir apenas uma central nuclear não tem sentido, mas sim uma rede de centrais nucleares para que se produza o ganho de escala e eficiência que torne o investimento menos oneroso. Ora, num país da dimensão de Portugal, uma rede de centrais nucleares não só é impensável como estúpido;

Mas estes são os argumentos menos determinantes. O que há efectivamente a considerar é o seguinte:

-Se não me engano andamos há 10 anos para decidir o que fazer aos resíduos industriais perigosos. O que fazer, então, dos resíduos radioactivos inevitavelmente produzidos a partir deste processo? Depositamo-los numa lixeira a céu aberto? Escondemo-los numa mina e esquecemo-nos deles? Atiramo-los ao mar?

-Por último, lembro que neste país caem pontes e passadeiras aéreas devido à falta de manutenção e incúria das autoridades competentes. Será que no caso da central nuclear vamos, por uma vez, levar as coisas a sério e actuar devidamente?

Duvido... mas não me apetece fazer o teste!

Futebol e Ciência

Já não bastavam os disparates do nosso Professor Doutor Ministro Freitas do Amaral acerca da potencialidade dos jogos de futebol para o alcance da concórdia universal... O Presidente da Comissão Europeia (que cada vez mais prestigia Portugal) interrogava-se, num destes dias, acerca da reduzida capacidade da Europa para atracção de cientistas quando, pelo contrário, tão bem o fazia relativamente aos futebolistas.

Até parece que em Portugal o futebol é a medida de todas as coisas e um elemento basilar na compreensão do mundo. Se calhar é mesmo assim e eu é que ando enganado... pensando melhor, até ajuda a explicar muita coisa que por cá se passa.

Mas quem tem pelo menos dois neurónios comunicantes dá-se imediatamente conta da alarvidade do raciocínio:

1- Os EUA são o maior competidor, face à Europa, no desenvolvimento científico e tecnológico e com maior capacidade de recrutamento de recursos humanos o que não acontece no soccer (o futebol deles é outro);

2- Ao contrário dos recursos humanos em C&T, a formação (inicial) de futebolistas de pouco mais necessita do que uma bola e uns companheiros de jogo - como o atestam os países hoje em dia liderantes neste mercado (africanos e sul americanos);

3-Escolas, Universidades, Bibliotecas, Laboratórios, Centros de Investigação, Instrumentos de Financiamento, Regulação e Competitividade nas Actividades Científicas, Empresas e Mercado de Trabalho apetentes à integração dos recursos humanos e produtos oriundos do sistema de C&T. Tudo isso é um aborrecimento. O melhor é mesmo pensar de acordo com o pontapé na bola.

Há que reconhecer, no entanto, a potencialidade e excelência deste país num segmento específico de produtos: a exportação de cretinos!

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Pós-expos

O processo de reconversão dos terrernos antes designados por Expo 98 resultou no que já bem se conhece. A associação de malfeitores composta pela banca, agentes imobiliários, construtores civis, gestores da Parque Expo SA (cujos ordenados dependiam das receitas geradas) e autoridades públicas lenientes conduziu à edificação de uma autêntica "Reboleira da classe média-alta".
Em Sevilha a situação é bem mais curiosa...
Na Cartuja sobrevivem ainda alguns dos edifícios originais utilizados para outras funções em estreito convívio com um gigantesco parque de estacionamento selvagem e outros cenários dignos do Mad Max
Depois de tratarem da Cova do Vapor, os magníficos gestores da Parque Expo bem podem mudar-se para a capital da Andaluzia e dedicar-se ao rentável retalho proporcionador de "novas centralidades".

sábado, fevereiro 11, 2006

Gosto deste bicho


Um leopardo das neves, filmado por uma equipa da BBC, que tem os melhores documentários do mundo.

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Gosto destes cartoons


Não, não têm o Maomé. Mas a morte é uma das personagens. Nas minhas diatribes contra os desenhos animados actuais, algumas excepções têm de ser reconhecidas e esta é uma delas. Produto do Cartoon Network, as aventuras de Billy e Mandy com a ceifeira negra são uma pérola. Histórias macabras onde entram monstros e demónios, onde o fim do mundo, individual ou colectivo, está a apenas um passo, onde desmembramentos e eviscerações são acontecimentos frequentes, mas que se passam nos cenários comezinhos da suburbia: a casa, a escola, o parque infantil. A Morte perdeu uma aposta e viu-se agarrada a um pacto de amizade com duas crianças terríveis, o desmiolado Billy e a cínica Mandy. Humor do mais negro que há, mas uma delícia...

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Gosto deste livro


Admito que tenho uma parcialidade por livros grandes. Não aprecio particularmente contos nem pequenas novelas, por mais que sejam diminutas jóias, esforços admiráveis de precisão e contenção, demonstrações de mestria no domínio das palavras e das figuras de estilo. Eu gosto mesmo é de histórias e quando uma história é envolvente e bem contada, então quanto maior melhor. Agora estas 1000 páginas serão talvez um exagero... Este livro é um exercício admirável que cruza o pastiche de um romance do século XIX com um pressuposto fantasista, com um labor de notas de rodapé evocativo dos livros académicos. É um livro sobre a prática da magia em Inglaterra nos alvores de oitocentos mas o que o torna tão fascinante não são os espectaculares feitos de feitiçaria, que são escassos, mas sim a imbricação deste elemento de irrealidade num contexto muito prosaico e realista: a vida quotidiana, as relações de classe e de género, as viagens, a nascente industrialização, as guerras napoleónicas, o governo de um país. E sobretudo, o que talvez apelou mais ao meu interesse, a magia é concebida muito à semelhança das disciplinas científicas emergentes na época: a passagem de uma actividade amadora a profissional, a importância dos veículos de disseminação escrita (os livros, as publicações periódicas), a controvérsia e a conflitualidade, a formação de "escolas" e correntes de pensamento, as academias e clubes, a tensão entre teoria e prática, as restrições ao acesso à profissão, a construção da imagem pública do "mágico louco".
Agora é certo que a narrativa se perde ligeiramente em episódios acessórios, na multiplicação de personagens pouco úteis e até no desperdício de figuras que parecem centrais mas que depois se limitam a uma aparição fugaz.
Mas é um óptimo entretenimento, em certos momentos humorístico, magistralmente bem escrito e garantia de umas dezenas de horas bem passadas. O que mais se pode pedir?

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Declaração de voto: Abstenho-me

Votei pela primeira vez numas longínquas eleições para o parlamento europeu em 1988. Até agora não tinha deixado passar uma eleição ou referendo sem depositar o meu voto, exprimindo, em cada uma delas, de forma mais ou menos veemente, as minhas convicções políticas ou estados de alma eleitorais.

Sendo individualista por natureza e pouco crente na bondade intrínseca dos partidos e associações políticas enquanto expressão legítima da formulação de escolhas e de interesses nunca me filiei num partido e muito menos votei sistematicamente em qualquer uma das cores políticas. Em cada eleição, não estando o meu entendimento político formatado por uma opção unívoca pela esquerda ou direita, exercia crítica e conscientemente a minha escolha perante os condicionalismos do momento, vagueando, nessa medida, por todo o espectro político à excepção dos seus extremos.

Nesta eleição presidencial vou abster-me. Faço-o por não encontrar em nenhum dos candidatos vestígio de argumento que mobilize o meu voto, para além de um desagrado visceral quanto ao modo acéfalo como tem decorrido a campanha.

Cavaco Silva segue o bem sucedido modelo Sócrates (face a Santana). Não expondo argumentos, raciocínios ou estratégias não se compromete e pela gestão dos silêncios e omissões espera manter a sua vantagem por imperícia dos seus contendores. Não creio que tenha o perfil ideal para Presidente da República, mas pode ser que supere Jorge Sampaio (o que não constitui tarefa árdua).

Soares tem o dom de me irritar solenemente. A auto-indigitação como pai da pátria e a consideração de que todo o português lhe deve algo (como se não o tivesse já pago e com elevados juros) causa-me náuseas. Mesmo que haja um alto preço (e já houve, redundando em aventuras santanistas) a pagar pela humilhação de cada um dos membros do clã Soares parece-me inteiramente justificado.

Manuel Alegre não me suscita qualquer tipo de comentário.

Jerónimo e Louçã parecem-me os únicos que alinhavam alguns argumentos merecedores de atenção mas trata-se de um jogo a dois, numa disputa longínqua e pouco relevante para a matéria em causa.

Garcia Pereira é uma espécie de “emplastro eleitoral”, sempre pronto a dizer umas coisas pouco simpáticas numa linguagem extremamente agressiva a cada câmara televisiva que se posiciona à sua frente.

No seu conjunto, a já longa campanha eleitoral (que para supremo enfado se iniciou logo após a campanha autárquica) cada vez mais se aproxima do circo futebolístico mediatizado. Os candidatos percorrem o país na companhia dos seus exaltados adeptos a que ainda se juntam outros localmente recrutados nas concelhias; os adeptos carregam as bandeirinhas, cachecóis, autocolantes e berram slogans ritmados por bombos e cânticos plagiados pelos inspirados meninos das “Jotas” dos das claques dos clubes de futebol.

Tudo isto é demorada e repetidamente gravado, editado, transmitido, analisado e comentado pelos três canais generalistas, canais temáticos, rádios e imprensa escrita, privilegiando sobretudo a forma e muito pouco o conteúdo, que, justiça lhes seja feita, é praticamente nulo. Em suma, o vencedor que o faça à primeira volta para que tão rapidamente quanto possível possamos gozar o período de acalmia eleitoral que se segue (Espero!).

domingo, janeiro 08, 2006

Because they are so long-lived, atoms really get around. Every atom you possess has almost certainly passed through several stars and been part of millions of organisms on its way to becoming you. We are each so atomically numerous and so vigorously recycled at death that a significant number of our atoms (...) probably once belonged to Shakespeare. (...) So we are all reincarnations - though short-lived ones. When we die, our atoms will dissemble and move off to find new uses elsewhere - as part of a leaf or other human being or drop of dew. Atoms themselves, however, go on practically for ever. (B. Bryson, A short history of nearly everything, p. 176)

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Os dragões e os links

Os dragões aprenderam sozinhos a colocar alguns links no blogue. Um pequeno feito que deixou o dragão vermelho muito satisfeito consigo próprio. As minhas primeiras linhas de programação... vampirizadas do código-fonte de outro blogue, é certo, mas a necessidade é mãe da invenção.

terça-feira, janeiro 03, 2006

Gosto desta série











Anda há anos a passar recorrentemente na SIC. Mas só depois de ter ido a Viena é que me apaixonei pela série. Agora suponho que já vi todos os episódios das três épocas desta telenovela policial. Gosto dos episódios auto-contidos, com histórias finitas, que não obrigam a uma fidelidade estrita. Gosto dos argumentos bem feitos, das estórias credíveis, do retrato que suponho realista do crime e da investigação policial. Gosto dos personagens, tanto dos heróis como dos vilões, humanos, plausíveis, falíveis. Gosto dos pormenores que mostram que é uma produção europeia: há gente nova e velha, bonita e feia; os polícias trabalham em equipa e não resolvem tudo sozinhos, à cowboy do oeste; os enredos incluem pormenores sociais, políticos, económicos que ajudam a explicar as circunstâncias do crime. E gosto sobretudo da cidade, como servem de cenário à história os monumentos, os edificios históricos, os palácios, as ruas, os parques, os bairros da era socialista, os cemitérios, o Prater... E até gosto do cão!

sábado, dezembro 31, 2005

Votos de Ano Novo

Que 2006 traga trabalho, dinheiro, viagens, saúde, comida, bons livros, bons filmes, amigos, bom humor, a anexão pela Espanha, a extinção da espécie humana. Por nenhuma ordem em especial.

quinta-feira, dezembro 29, 2005

Gosto deste bicho



É exótico, é feroz, é carnívoro, é marsupial, é australiano. Chama-se diabo da Tasmânia e inspirou um personagem de desenhos animados muito divertido.

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Contos da modernidade avançada


Era uma vez uma vetusta instituição museal, velha de um quarto de milénio, rica como Cressos, epítome do saber curatorial, pejada de curadores de currículos longuíssimos, recheada de tesouros inigualáveis, sediada na capital do mundo civilizado. E era uma vez um artista de graffitti irreverente, que enche as ruas desta capital de desenhos sarcásticos (ver aqui). Durante um par de dias este curioso exemplar de arte rupestre esteve pendurado nas paredes da vestusta instituição, acompanhado de uma esclarecedora legenda: "homem primitivo aventura-se em terrenos de caça fora da cidade. Este exemplo de arte primitiva em óptimo estado de conservação data do período Pós-Catatónico." E mais umas quantas irónicas referências que ao que parece passaram por sérias reflexões académicas... Pois, ao que parece a arte trocou as voltas aos sistemas periciais... Depois a "obra de arte" foi retirada de exposição e tudo voltou à normalidade. É assim a modernidade avançada.

terça-feira, dezembro 20, 2005

Gosto deste livro



Talvez seja mais exacto dizer que gosto deste autor. Não é alta literatura, não é Proust, não é sequer do melhor que a ficção britânica contemporânea oferece, mas certamente proporciona horas de boa leitura, de diversão, de entretenimento inteligente. Quer as aventuras africanas da primeira mulher detective do Botswana, quer as atribulações do professor alemão de filologia românica especializado em verbos irregulares portugueses, quer agora as várias séries que têm Edimburgo como pano de fundo são imperdiveis. Histórias simples, personagens memoráveis, humor inesperado e um sentido moral pervasivo fazem destes livros uma boa companhia em tardes de sol, noites de chuva e manhãs nubladas.

O exemplar em questão é de facto a versão em livro de um folhetim diário publicado num jornal escocês, inspirado nas crónicas de São Francisco de A. Maupin. Na minha modesta opinião o émulo supera o original, mas isto dever-se-á sobretudo à minha europofilia (e sobretudo anglofilia)impenitente. As histórias cruzadas dos habitantes de um prédio da New Town de Edimburgo devolvem-me ao que é uma das cidades da minha vida. Há uma antropóloga sábia, uma rapariga que não sabe o que quer da vida, uma mãe obsessiva com o sucesso do filho em idade pré-escolar, um rapaz mau carácter, um pintor com um cão alcoólico, uma proprietária de café literata, um dono de galeria ignorante em pintura e em tudo o resto mas de bom fundo... E há sobretudo a cidade, com os cafés, as lojas, as ruas, os museus, os túneis secretos, as estações de comboio, os parques e jardins, os hotéis... Por tudo isso, gosto deste livro.

quinta-feira, dezembro 15, 2005

O dragão fatalista

O destino marca a hora
Pela vida fora
Que havemos de fazer
O que rege a sorte agora
Foi escrito outrora
Logo ao nascer

O relógio marca o tempo de viver
Todos nós somos iguais
Se o destino nos condena
Não vale a pena lutarmos mais

O passado nunca volta, podes crer
O futuro não tem dono
Toda a flor por mais bonita há de morrer
Quando chega o seu Outono

Temos hoje para viver toda uma vida
Amanhã que longe vem
A saudade está escondida
Num destino por medida
Para nós dois e mais ninguém

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Nostalgia


É de certeza uma marca da minha idade avançada o facto não só de considerar que na minha infância as séries de televisão eram melhores mas também de o estar constantemente a repetir.
E esta é certamente uma das minhas favoritas. Francesa, é um sequela de uma série sobre a história, "Era uma vez o Homem", e antecede outra com os mesmos bonecos, de cariz ainda mais didáctico, "Era uma vez o corpo humano". Politicamente correcta, há novos e velhos, homens e mulheres, de cores variadas. Os maus eram facilmente identificáveis pelo grande nariz vermelho, provinham de Cassiopeia e o seu símbolo era formado pelo W da constelação.
Confesso que não me recordo bem das histórias. Mas passava-se no espaço, tinha naves, lutas, planetas, a eterna luta do bem contra o mal. E eu nesta altura queria tanto ser astronauta...
E a música, pelo menos a versão portuguesa, era brilhante... Quem me dera saber por ficheiros audio no blogue...

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Contos da modernidade avançada

Era uma vez uma viúva de um alto dignatário ou um funcionário de um banco/hospital/empresa algures em África, que tem conhecimento de uma avultada soma escondida pelo marido / perdida numa conta / que sobrou de um contrato. Pessoa inquestionavelmente honesta, com uma extensa família para alimentar, apenas procura reparar uma injustiça que lhe foi feita ou aproveitar um vazio legal quanto ao destino a dar ao dinheiro. Escreve uma carta electrónica, endereçada a alguém, algures, confiante na probidade do destinatário, prometendo uma percentagem do bolo, em troca da utilização da conta bancária para uma transferência. Fornece pequenos detalhes, como nomes de empresas, de localidades, links para sites de órgãos de informação que corroboram a história. O que esta carta electrónica não diz é que o destinatário terá de pagar uma pequena soma, irrisória face à fortuna que receberá, para a tramitação burocrática do processo. Também não diz que o destinatário cúpido e ingénuo nunca mais verá essa pequena soma. Chamam-lhes cartas da Nigéria, mas provêm de várias partes do mundo e chegam-me às dezenas por semana. Ando a coleccioná-las, para um dia escrever um romance sobre as desgraças do mundo. É assim a modernidade avançada.

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Os homens da minha vida


O Bond definitivo. Uma voz hipnótica, um áspero sotaque escocês, charme da cabeça aos pés, um andar felino, a epítome da elegância dentro de um smoking nas cenas de casino, letal com a Wahlter PPK, imbatível com os punhos, irresistível para a míriade de bond girls. As histórias podem ser previsíveis, as aventuras amorosas um bocado foleiras, os vilões incredíveis, mas são os cenários exóticos, a paixão pela tecnologia e a infabilidade do herói que tornam estes filmes míticos.
Depois há toda a carreira pós-bond que o confirmou como um actor de referência. O monge detective no clássico "Nome da Rosa", o velho polícia honesto de "Os intocáveis", o aventureiro de fim trágico em "O homem que queria ser rei", o ladrão de bom coração em "O dossier Anderson", o espadachim imortal no "Highlander", o guerreiro semi-despido em "Zardoz", o carismático pai do Indiana Jones no terceiro capítulo da saga, um dos assassinos na melhor adaptação do "Crime do Expresso do Oriente", um Robin Hood envelhecido no "Robin e Marion". E a lista continua. Um compatriota escocês que é um dos homens da minha vida.

domingo, dezembro 04, 2005

Outono

Adoro esta altura do ano. Adoro o frio. Mais um cobertor na cama, uma manta no sofá, saias de lã e casacos compridos. Adoro os dias cinzentos, os céus plumbeos, a chuva a cair, as nuvens densas cortadas por um raio de sol. Não me importo nada que seja de noite às 5 da tarde. Sobretudo se não tiver de andar na rua. Adoro um chá quentinho, uma empada a sair do forno, vin chaud, fritos de Natal. Adoro as cores dos campos do Alentejo, as folhas caídas, o verde perene dos abetos. Adoro o cinzento do mar nos dias de tempestade, as trovoadas, a promessa de neve nunca cumprida. Umas pantufas de pele de carneiro, um gato ao colo, filmes lamechas na televisão. Adoro a antecipação do natal, as ruas iluminadas, as montras decoradas, os magotes de gente às compras na Baixa como se não houvesse crise. Talvez sejam os meus genes celtas, mas esta é para mim a melhor altura do ano.

terça-feira, novembro 29, 2005

Circulação de invisuais


É o que o sinal diz. Juro. A fotografia é mázita, mas não se ganha o World Press Photo com as máquinas fotográficas dos telemóveis...

quinta-feira, novembro 24, 2005

O meu herói




No aniversário, uma das minhas favoritas.
Sempre no meu coração.











It's a Hard Life
(Mercury)

I don't want my freedom
There's no reason for living
with a broken heart

This is a tricky situation
I've only got myself to blame
It's just a simple fact of life
It can happen to anyone
You win - you lose
It's a chance you have to take with love
Oh yeah - I fell in love
But now you say it's over and I'm fallin' apart

It's a hard life
To be true lovers together
To love and live forever
in each others hearts
It's a long hard fight
To learn to care for each other
To trust in one another
right from the start
When you're inlove

I try and mend the broken pieces
I try to fight back the tears
They say it's just a state of mind
But it happens to anyone
How it hurts - deep inside
When your love cuts you down to size
Life is tough - on your own
Now I'm waitin' for something to fall from the skies
Waiting for love

Yes it's a hard life
Two lovers together
To love and live forever
in each others hearts
It's a long hard fight
To learn to care for each other
To trust in one another right from the start
When you're inlove

Yes it's a hard life
In a world that's filled with sorrow
There are people searching for love in every way
It's a long hard fight
But I always live for tomorrow
I'll look back on myself and say I did it for love
Yes I did it for love - for love -
I did it for love

terça-feira, novembro 22, 2005

A minha irmã foi a Roma

e trouxe-me um postal da Bocca della Veritá. Porque é a imagem mental que tenho de Roma onde eu nunca fui.

segunda-feira, novembro 21, 2005

Engenheiros, economistas e gestores

O mercado de trabalho em Portugal precisa unicamente de economistas, gestores e engenheiros. Pelo menos a fazer fé nos anúncios de emprego publicados no Expresso. O que mais me intriga é a intermutabilidade destas profissões. Já perdi a conta aos anúncios que pediam, para uma mesma função, licenciados numa destas três áreas. Lá que economia e gestão sejam parecidas, eu ainda percebo. Mas agora engenharia? Que raio de trabalho será que tanto possa ser exercido por uma pessoa que perceba de finanças públicas e por uma que saiba construir pontes?E todas as engenharias? Terá as mesmas competências um gestor, um engenheiro naval, um engenheiro químico e um engenheiro ambiental?
Ou são estas os únicas três licenciaturas de qualidade em Portugal? Que independentemente dos seus conteúdos asseguram que os seus graduados são pessoas de confiança, trabalhadoras, empenhadas e inteligentes? O resto só forma madraços, inúteis e incompetentes?
É curioso verificar que nos anúncios de emprego ingleses é raro ser pedido uma formação superior específica. Pedem sim um grau académico e vontade de aprender. Ou capacidades que já tenham sido desenvolvidas em cargos anteriores. Uma escolha de um curso feita aos 18 anos não condiciona para toda a vida o que uma pessoa irá fazer. É certo que certas posições requerem uma formação específica. Não queremos um médico formado em literatura inglesa nem um engenheiro de pontes licenciado em psicologia.
Mas para fazer powerpoints (que é o que parece que a maioria da força de trabalho nas empresas portuguesas se ocupa a fazer) é realmente necessário uma licenciatura em engenharia, economia e gestão?

quarta-feira, novembro 16, 2005

Contos da modernidade avançada

Era uma vez uma senhora loira e bem parecida que se dirige a uma imobiliária para comprar um apartamento num luxuoso condomínio fechado no Algarve. Paga em numerário o sinal do contrato de promessa de compra e venda e agenda uma visita ao apartamento com o marido para uma data próxima. No dia combinado a senhora loira e já não tão bem parecida visita o condomínio acompanhada pela sua extensa família de etnia cigana. No meio de uma grande algazarra, as crianças saltam para a piscina vestidas, os adultos combinam grandes churrascos na relva e festas até amanhecer. O promotor imobiliário entra em pânico e tenta cessar o contrato, o que só sucede a troco de uma choruda indemnização.
Esta história é verídica e veio relatada no Público há umas semanas. E eu acho-a uma parábola deliciosa sobre como os estigmatizados revertem o estigma a seu favor financeiro, como as fortalezas urbanas revelam fraquezas quando os que é suposto ficarem de fora compram o direito a estar lá dentro e como erroneamente se julgam e classificam as pessoas com base só nas aparências. É assim a modernidade avançada.

domingo, novembro 13, 2005

De volta

Depois de um mês em que toda a energia criativa teve de ser devotada a outras tarefas e de uma merecida pausa, o dragão vermelho está de volta. Haja tempo e paciência para postar...

sexta-feira, outubro 07, 2005

As coisas que não têm solução

Humpty Dumpty sat on the wall,
Humpty Dumpty had a great fall,
All the king's horses and all the king's men,
Couldn't put Humpty Dumpty together again.

quinta-feira, outubro 06, 2005

Eclipse


Eu sei que já passaram alguns dias. Mas estive à espera que o Centro de Astrofísica disponibilizasse umas boas imagens do fenómeno. O material óptico e fotográfico destes dragões

não dá para isto. E o tempo livre e a boa disposição não têm abundado.

Gosto muito de eclipses. Lembram-me como o sistema solar funciona certinho como um relógio, com os planetas a girar em torno do sol, as luas em torno dos planetas, os planetas e as luas em torno de si mesmos, num bailado galáctico afinado e perpétuo. Gosto da luz diáfana e melancólica com que todas as coisas ficam quando a lua escurece o sol. E os eclipses são bons dispositivos dramáticos para resolver situações dificeis na literatura e no cinema. Veja-se os exemplos clássicos do Tintim, das Minas do Rei Salomão, do Ladyhawke.

Tenho pena que sejam tão raros. Mas também se fossem mais comuns não me despertariam tanto interesse.

quarta-feira, setembro 28, 2005

Algo de bonito para me alegrar


O ritmo de actualização deste blogue é indicativo
do stress em que eu ando. Se não tenho tempo para ter fim de semana, como hei de ter tempo para escrever um post?

terça-feira, setembro 20, 2005

Mais um bicho de que eu gosto


São coloridas, luzidias, húmidas, silenciosas e ágeis. E ao que parece estão em extinção. São um sinal de alarme que o aquecimento global e a poluição nos estão a matar a todos devagarinho. Tenho uma carinho especial pelas salamandras também porque o Karel Kapek, conhecido como o pai do termo robot, escreveu um livro de ficção científica em que estes anfíbios evoluiam, começavam a falar (inclusivamente checo) e travavam uma guerra contra os humanos. A realidade é bem mais triste que a ficção e somos nós que estamos a dar cabo delas...

quinta-feira, setembro 08, 2005

Já não se fazem séries assim


Os actores são soberbos. Os cenários são limitados mas correctos. A recriação de época é impecável. O argumento é sóbrio mas emocionante. As personagens são bem construídas, credíveis, coerentes, geram simpatia e interesse. As histórias são cativantes, realistas, bem construídas. E é Inglaterra, Londres, num período histórico particularmente marcante. Há a transição para o século XX, as sufragetes, a guerra, as greves, o naufrágio do Titanic, a vida boémia, os automóveis, o exército, os dias de férias. A série vive das tensões sociais entre pobres e ricos, homens e mulheres, alemães e ingleses, patrões e criados, jovens e velhos, tradicionalistas e inovadores. Nestes tempos conturbados é um bálsamo, um repouso para os olhos e para a mente, uma distração bem vinda e ansiosamente aguardada todos os serões.