sexta-feira, outubro 07, 2005
As coisas que não têm solução
Humpty Dumpty had a great fall,
All the king's horses and all the king's men,
Couldn't put Humpty Dumpty together again.
quinta-feira, outubro 06, 2005
Eclipse

Eu sei que já passaram alguns dias. Mas estive à espera que o Centro de Astrofísica disponibilizasse umas boas imagens do fenómeno. O material óptico e fotográfico destes dragões
não dá para isto. E o tempo livre e a boa disposição não têm abundado.
Gosto muito de eclipses. Lembram-me como o sistema solar funciona certinho como um relógio, com os planetas a girar em torno do sol, as luas em torno dos planetas, os planetas e as luas em torno de si mesmos, num bailado galáctico afinado e perpétuo. Gosto da luz diáfana e melancólica com que todas as coisas ficam quando a lua escurece o sol. E os eclipses são bons dispositivos dramáticos para resolver situações dificeis na literatura e no cinema. Veja-se os exemplos clássicos do Tintim, das Minas do Rei Salomão, do Ladyhawke.
Tenho pena que sejam tão raros. Mas também se fossem mais comuns não me despertariam tanto interesse.
quarta-feira, setembro 28, 2005
Algo de bonito para me alegrar
sexta-feira, setembro 23, 2005
terça-feira, setembro 20, 2005
Mais um bicho de que eu gosto

São coloridas, luzidias, húmidas, silenciosas e ágeis. E ao que parece estão em extinção. São um sinal de alarme que o aquecimento global e a poluição nos estão a matar a todos devagarinho. Tenho uma carinho especial pelas salamandras também porque o Karel Kapek, conhecido como o pai do termo robot, escreveu um livro de ficção científica em que estes anfíbios evoluiam, começavam a falar (inclusivamente checo) e travavam uma guerra contra os humanos. A realidade é bem mais triste que a ficção e somos nós que estamos a dar cabo delas...
quinta-feira, setembro 08, 2005
Já não se fazem séries assim

Os actores são soberbos. Os cenários são limitados mas correctos. A recriação de época é impecável. O argumento é sóbrio mas emocionante. As personagens são bem construídas, credíveis, coerentes, geram simpatia e interesse. As histórias são cativantes, realistas, bem construídas. E é Inglaterra, Londres, num período histórico particularmente marcante. Há a transição para o século XX, as sufragetes, a guerra, as greves, o naufrágio do Titanic, a vida boémia, os automóveis, o exército, os dias de férias. A série vive das tensões sociais entre pobres e ricos, homens e mulheres, alemães e ingleses, patrões e criados, jovens e velhos, tradicionalistas e inovadores. Nestes tempos conturbados é um bálsamo, um repouso para os olhos e para a mente, uma distração bem vinda e ansiosamente aguardada todos os serões.
sexta-feira, setembro 02, 2005
terça-feira, agosto 30, 2005
Agarrem-me senão eu mato(-o?) (-me?) (-vos?) (-nos?)
Se à República faltavam tomates, sem eles ficámos definitivamente! Manuel Alegre demonstrou em 10 minutos de directo a essência lusa que irremediavelmente nos perde, até ao imprevisível limite da pusilanimidade nacional.
Se Cavaco Silva o segue abdico definitivamente do cartão de eleitor e de qualquer modalidade de exercício da cidadania nesta esterqueira!
segunda-feira, agosto 29, 2005
Dia de festa em Paço de Arcos
quinta-feira, agosto 25, 2005
sexta-feira, agosto 19, 2005
Uma canção intrigante
Baz Luhrmann
Ladies and Gentlemen of the class of ’99
Wear Sunscreen
If I could offer you only one tip for the future,
sunscreen would be it.
The long term benefits of sunscreen have been proved by scientists,
whereas the rest of my advice has no basis more reliable than my own meandering experience
I will dispense this advice now.
Enjoy the power and beauty of your youth, oh nevermind,
you will not understand the power and beauty of your youth until they've faded.
But trust me, in 20 years you’ll look back at photos of yourself
and recall in a way you can’t grasp now,
how much possibility lay before you
and how fabulous you really looked,
you are not as fat as you imagine.
Don’t worry about the future, or worry, but know that worrying is as effective as trying to solve an algebra equation by chewing bubblegum.
The real troubles in your life are apt to be things that never crossed your worried mind, the kind that blindside you at 4pm on some idle Tuesday.
Do one thing everyday that scares you
Sing
Don’t be reckless with other people’s hearts,
don’t put up with people who are reckless with yours.
Floss
Don’t waste your time on jealousy, sometimes you’re ahead, sometimes you’re behind,
the race is long, and in the end, it’s only with yourself.
Remember the compliments you receive, forget the insults,
if you succeed in doing this, tell me how.
Keep your old love letters, throw away your old bank statements.
Stretch
Don’t feel guilty if you don’t know what you want to do with your life,
the most interesting people I know didn’t know at 22 what they wanted to do with their lives, some of the most interesting 40 year olds I know still don’t.
Get plenty of calcium.
Be kind to your knees, you’ll miss them when they’re gone.
Maybe you’ll marry, maybe you won’t, maybe you’ll have children, maybe you won’t,
Maybe you’ll divorce at 40,
Maybe you’ll dance the funky chicken on your 75th wedding anniversary
What ever you do, don’t congratulate yourself too much or berate yourself either
Your choices are half chance, so are everybody else’s.
Enjoy your body, use it every way you can, don’t be afraid of it,
or what other people think of it, it’s the greatest instrument you’ll ever own
Dance, even if you have nowhere to do it but in your own living room.
Read the directions, even if you don’t follow them.
Do not read beauty magazines, they will only make you feel ugly.
Get to know your parents, you never know when they’ll be gone for good.
Be nice to your siblings, they are the best link to your past
and the people most likely to stick with you in the future.
Understand that friends come and go, but for the precious few you should hold on.
Work hard to bridge the gaps in geography and lifestyle because the older you get,
the more you need the people you knew when you were young.
Live in New York City once, but leave before it makes you hard,
Live in Northern California once, but leave before it makes you soft.
Travel.
Accept certain inalienable truths, prices will rise, politicians will philander,
you too will get old, and when you do you’ll fantasize that when you were young
prices were reasonable, politicians were noble and children respected their elders.
Respect your elders.
Don’t expect anyone else to support you. Maybe you have a trust fund,
Maybe you have a wealthy spouse; but you never know when either one might run out.
Don’t mess too much with your hair, or by the time you're 40, it will look 85.
Be careful whose advice you buy, but, be patient with those who supply it.
Advice is a form of nostalgia, dispensing it is a way of fishing the past from the disposal, wiping it off,
painting over the ugly parts and recycling it for more than it’s worth.
But trust me on the sunscreen
segunda-feira, agosto 15, 2005
Contos da modernidade avançada
quarta-feira, agosto 10, 2005
Os homens da minha vida

Quando me perguntavam o que é que eu queria ser, a minha primeira e única resposta foi: astronauta. Mas os meus heróis não era os americanos na lua. Muito provavelmente por influência familiar, as minhas referências eram os cosmonautas soviéticos. A primeira cadela no espaço, Laika, a primeira mulher, Valentina Tereskova, e claro, o primeiro ser humano que se aventurou para além da atmosfera terrestre e que viu que o planeta visto de cima era azul: Yuri Gagarin. Era bonito e corajoso, morreu novo e tornou-se num ícone. A história toda está aqui. Agora já sou demasiado cobardolas para sonhar ser astronauta. Mas o sonho está lá, e volta há tona sempre que há notícias da exploração espacial. Talvez um dia eu também veja a Terra azul a partir do espaço.
sábado, agosto 06, 2005
Mais um exercício de nostalgia

Não me lembro das histórias, nem da duração dos episódios, nem sequer de quando passou na televisão. Mas os personagens e os nomes colaram-se à minha memória: o cão Franjinhas, o Zebedeu malvado, a vaca Margarida, o caracol Ambrósio. Lembro-me da música, dos bonecos, das flores de plasticina. E que não havia violência, não havia monstros, não havia merchandising agressivo nem fast food cheia de açucar a oferecer autocolantes. Pois é, uma pessoa com a idade fica mesmo conservadora e bota de elástico...
terça-feira, agosto 02, 2005
Ainda a música do século XX
And my heart beats so that I can hardly speak.
And I seem to find the happiness I seek,
When we're out together dancing cheek to cheek.
Heaven... I'm in heaven,
And the cares that hung around me through the week,
Seem to vanish like a gambler's lucky streak,
When we're out together dancing cheek to cheek.
Oh, I love to climb a mountain,
And to reach the highest peak.
But it doesn't thrill me half as much
As dancing cheek to cheek.
Oh, I love to go out fishing
In a river or a creek.
But I don't enjoy it half as much
As dancing cheek to cheek.
Dance with me!
I want my arms about you.
The charms about you
Will carry me through to...
Heaven... I'm in heaven,
And my heart beats so that I can hardly speak.
And I seem to find the happiness I seek,
When we're out together dancing cheek to cheek.
Irving Berlin
domingo, julho 31, 2005
Uma boa surpresa

Ontem fomos a mais um concerto da Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras.
No programa um favorito de todos: as quatro estações de Vivaldi. Como brinde uma peça desconhecida: as variações que o Astor Piazzollla fez do clássico.
Se o Vivaldi não desaponta ninguém, o Piazzolla foi uma sublime surpresa. Muito século XX, muito tango, muita paixão tangida nas cordas (um dos violinistas inclusivamente rebentou uma das cordas do arco...). É mesmo verdade que com a idade uma pessoa refina os gostos e suponho que seja isso que me está a acontecer com a música mais recente. Mas não creio que haja esperança para o Stockhausen.
terça-feira, julho 26, 2005
sábado, julho 23, 2005
O que nos fica das férias
Na impossibilidade de concretizar estes projectos, só nos resta prolongar simbolicamente as férias, fingir que ainda lá estamos. Horas passadas a rever as centenas de fotografias tiradas, a ler os catálogos dos museus, a folhear os mementos que eu insisto em trazer, dos bilhetes de transportes às facturas dos cafés. Durante umas semanas ainda compramos os jornais importados, seguimos as notícias da terra visitada com atenção, desfilamos as recordações de férias com os amigos.
E há a comida. Talvez a maneira mais duradoura e sensorial de evocar aqueles poucos dias em que fomos tão felizes. O dragão verde encarrega-se de encontrar e reproduzir as receitas que nos deixam na boca o sabor de uma cidade amada. Há o Long Island Ice Tea de Manchester. As salsichas de Viena. A Mushroom and Stilton Soup de Edinburgo. O Vin Chaud de Paris. A Beef and Ale Pie de Londres. O salmão marinado com salada de batata de Estocolmo. As tapas de Barcelona. As francesinhas do Porto. As costoletinhas com arroz de feijão de Coimbra.
A colher de pau é uma máquina do tempo...




