segunda-feira, abril 24, 2006

Os dragões vão para o sul


Águas tépidas, clima ameno, paisagem verdejante, hotel de 5 estrelas... Os dragões vão de férias.

sexta-feira, abril 21, 2006

Gosto deste livro


Para não variar são na verdade dois livros. Quinhentas páginas de bom texto é sempre melhor que apenas metade. Não é um livro de investigação histórica nem uma biografia erudita, pelo que talvez tome algumas liberdades com os factos. É sim um romance apaixonante, magnificamente escrito. Uma centena de anos da história de Roma narrada por um dos imperadores menos sanguinários. Cláudio, o gago coxo, figura de segundo plano da família imperial lá vai sobrevivendo às intrigas, traições e desgraças que vão ceifando os herdeiros mais evidentes do trono, até chegar ele próprio ao poder (para, claro, ser ele depois ceifado). Mas é sobretudo a história de uma vida de revezes e resiliência que me comove. Gozado, maltratado, traído em constante risco de ser eliminado ao sabor dos interesses ou dos caprichos dos parentes, vê morrer todos de quem gosta. E mesmo assim lá vai teimando, persistindo, resistindo aos dissabores, refugiado no trabalho intelectual e no labor governativo. Mas não há fins felizes. E a vida não é assim mesmo?

terça-feira, abril 11, 2006

Os dragões assediados


Graças a constrangimentos jurídico-financeiros, os dragões viram-se obrigados a formalizar junto do Estado algo que deveria pertencer exclusivamente à esfera privada. Dada a obrigatória publicitação de tal acto, foram hoje bombardeados com indesejadas ofertas de serviços. Ultrapassada a indignação de receber publicidade não solicitada e o asco causado pelos pindéricos textos e imagens, não quisemos deixar de partilhar com a blogosfera o mais hilariante dos exemplares. A atentar não só nos erros ortográficos e de pontuação mas sobretudo no intrigante "Creio que existimos; a Foto Caneças; para vos satisfazer tentem vós mesmo comprová-lo." Socorro!

quinta-feira, abril 06, 2006

segunda-feira, março 27, 2006

Gosto desta série



Feios, porcos e maus no norte de Inglaterra. Mais uma comédia britânica de excepção, que prende os dragões ao televisor a horas tardias uma vez por semana. Uma família caótica, um pai completamente amoral, linguagem desbragada, situações rocambolescas, sexo com e entre menores, bebedeiras monumentais, pequenos crimes e esquemas fraudulentos... Mas também amor, solidariedade entre parentes e vizinhos, estratégias de resistência dos dominados contra o Estado e a sociedade. Parece um retrato fiel e bem humorado da vida num bairro social de Manchester. Gosto muito do Shameless.

domingo, março 19, 2006

Será um rato?... um pássaro? que bicho esquisito...


Interacção distanciada entre um gato curioso e um zeppelin desgovernado.
Coisas que só se podem fazer em domingos preguiçosos.

quarta-feira, março 15, 2006

Isto não me sai da cabeça

Way I Feel Inside
The Zombies

Should I try to hide
The way I feel inside
My heart for you?
Would you say that you
Would try to love me too?
In your mind could you ever be
Really close to me?
I can tell the way you smile
If I feel that I could be certain then
I would say the things
I want to say tonight
But till I can see
That you'd really care for me
I will dream that someday you'll be
Really close to me
I can tell the way you smile
If I feel that I could be certain then
I would say the things
I want to say tonight
But till I can see
That you'd really care for me
I'll keep trying to hide
The way I feel inside

sexta-feira, março 10, 2006

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Oooooooooops!!!!!!!!!!!!!


Já somos um país moderno!
Já temos um lóbi nuclear como os grandes!

Concedo que no actual contexto energético é admissível que se discuta esta hipótese, contudo...

-Faz-me alguma impressão que seja um processo liderado por um empresário. É um investimento demasiado caro, a médio-longo prazo e com demasiadas contra-indicações para que um empresário luso o considere devidamente;
-
O sub-produto energético das centrais nucleares é exclusivamente a electricidade. Ora, Portugal já praticamente não produz electricidade a partir do petróleo, mas sim do carvão, pelo que o argumento da carestia do preço do petróleo não cola;

-Construir apenas uma central nuclear não tem sentido, mas sim uma rede de centrais nucleares para que se produza o ganho de escala e eficiência que torne o investimento menos oneroso. Ora, num país da dimensão de Portugal, uma rede de centrais nucleares não só é impensável como estúpido;

Mas estes são os argumentos menos determinantes. O que há efectivamente a considerar é o seguinte:

-Se não me engano andamos há 10 anos para decidir o que fazer aos resíduos industriais perigosos. O que fazer, então, dos resíduos radioactivos inevitavelmente produzidos a partir deste processo? Depositamo-los numa lixeira a céu aberto? Escondemo-los numa mina e esquecemo-nos deles? Atiramo-los ao mar?

-Por último, lembro que neste país caem pontes e passadeiras aéreas devido à falta de manutenção e incúria das autoridades competentes. Será que no caso da central nuclear vamos, por uma vez, levar as coisas a sério e actuar devidamente?

Duvido... mas não me apetece fazer o teste!

Futebol e Ciência

Já não bastavam os disparates do nosso Professor Doutor Ministro Freitas do Amaral acerca da potencialidade dos jogos de futebol para o alcance da concórdia universal... O Presidente da Comissão Europeia (que cada vez mais prestigia Portugal) interrogava-se, num destes dias, acerca da reduzida capacidade da Europa para atracção de cientistas quando, pelo contrário, tão bem o fazia relativamente aos futebolistas.

Até parece que em Portugal o futebol é a medida de todas as coisas e um elemento basilar na compreensão do mundo. Se calhar é mesmo assim e eu é que ando enganado... pensando melhor, até ajuda a explicar muita coisa que por cá se passa.

Mas quem tem pelo menos dois neurónios comunicantes dá-se imediatamente conta da alarvidade do raciocínio:

1- Os EUA são o maior competidor, face à Europa, no desenvolvimento científico e tecnológico e com maior capacidade de recrutamento de recursos humanos o que não acontece no soccer (o futebol deles é outro);

2- Ao contrário dos recursos humanos em C&T, a formação (inicial) de futebolistas de pouco mais necessita do que uma bola e uns companheiros de jogo - como o atestam os países hoje em dia liderantes neste mercado (africanos e sul americanos);

3-Escolas, Universidades, Bibliotecas, Laboratórios, Centros de Investigação, Instrumentos de Financiamento, Regulação e Competitividade nas Actividades Científicas, Empresas e Mercado de Trabalho apetentes à integração dos recursos humanos e produtos oriundos do sistema de C&T. Tudo isso é um aborrecimento. O melhor é mesmo pensar de acordo com o pontapé na bola.

Há que reconhecer, no entanto, a potencialidade e excelência deste país num segmento específico de produtos: a exportação de cretinos!

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Pós-expos

O processo de reconversão dos terrernos antes designados por Expo 98 resultou no que já bem se conhece. A associação de malfeitores composta pela banca, agentes imobiliários, construtores civis, gestores da Parque Expo SA (cujos ordenados dependiam das receitas geradas) e autoridades públicas lenientes conduziu à edificação de uma autêntica "Reboleira da classe média-alta".
Em Sevilha a situação é bem mais curiosa...
Na Cartuja sobrevivem ainda alguns dos edifícios originais utilizados para outras funções em estreito convívio com um gigantesco parque de estacionamento selvagem e outros cenários dignos do Mad Max
Depois de tratarem da Cova do Vapor, os magníficos gestores da Parque Expo bem podem mudar-se para a capital da Andaluzia e dedicar-se ao rentável retalho proporcionador de "novas centralidades".

sábado, fevereiro 11, 2006

Gosto deste bicho


Um leopardo das neves, filmado por uma equipa da BBC, que tem os melhores documentários do mundo.

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Gosto destes cartoons


Não, não têm o Maomé. Mas a morte é uma das personagens. Nas minhas diatribes contra os desenhos animados actuais, algumas excepções têm de ser reconhecidas e esta é uma delas. Produto do Cartoon Network, as aventuras de Billy e Mandy com a ceifeira negra são uma pérola. Histórias macabras onde entram monstros e demónios, onde o fim do mundo, individual ou colectivo, está a apenas um passo, onde desmembramentos e eviscerações são acontecimentos frequentes, mas que se passam nos cenários comezinhos da suburbia: a casa, a escola, o parque infantil. A Morte perdeu uma aposta e viu-se agarrada a um pacto de amizade com duas crianças terríveis, o desmiolado Billy e a cínica Mandy. Humor do mais negro que há, mas uma delícia...

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Gosto deste livro


Admito que tenho uma parcialidade por livros grandes. Não aprecio particularmente contos nem pequenas novelas, por mais que sejam diminutas jóias, esforços admiráveis de precisão e contenção, demonstrações de mestria no domínio das palavras e das figuras de estilo. Eu gosto mesmo é de histórias e quando uma história é envolvente e bem contada, então quanto maior melhor. Agora estas 1000 páginas serão talvez um exagero... Este livro é um exercício admirável que cruza o pastiche de um romance do século XIX com um pressuposto fantasista, com um labor de notas de rodapé evocativo dos livros académicos. É um livro sobre a prática da magia em Inglaterra nos alvores de oitocentos mas o que o torna tão fascinante não são os espectaculares feitos de feitiçaria, que são escassos, mas sim a imbricação deste elemento de irrealidade num contexto muito prosaico e realista: a vida quotidiana, as relações de classe e de género, as viagens, a nascente industrialização, as guerras napoleónicas, o governo de um país. E sobretudo, o que talvez apelou mais ao meu interesse, a magia é concebida muito à semelhança das disciplinas científicas emergentes na época: a passagem de uma actividade amadora a profissional, a importância dos veículos de disseminação escrita (os livros, as publicações periódicas), a controvérsia e a conflitualidade, a formação de "escolas" e correntes de pensamento, as academias e clubes, a tensão entre teoria e prática, as restrições ao acesso à profissão, a construção da imagem pública do "mágico louco".
Agora é certo que a narrativa se perde ligeiramente em episódios acessórios, na multiplicação de personagens pouco úteis e até no desperdício de figuras que parecem centrais mas que depois se limitam a uma aparição fugaz.
Mas é um óptimo entretenimento, em certos momentos humorístico, magistralmente bem escrito e garantia de umas dezenas de horas bem passadas. O que mais se pode pedir?

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Declaração de voto: Abstenho-me

Votei pela primeira vez numas longínquas eleições para o parlamento europeu em 1988. Até agora não tinha deixado passar uma eleição ou referendo sem depositar o meu voto, exprimindo, em cada uma delas, de forma mais ou menos veemente, as minhas convicções políticas ou estados de alma eleitorais.

Sendo individualista por natureza e pouco crente na bondade intrínseca dos partidos e associações políticas enquanto expressão legítima da formulação de escolhas e de interesses nunca me filiei num partido e muito menos votei sistematicamente em qualquer uma das cores políticas. Em cada eleição, não estando o meu entendimento político formatado por uma opção unívoca pela esquerda ou direita, exercia crítica e conscientemente a minha escolha perante os condicionalismos do momento, vagueando, nessa medida, por todo o espectro político à excepção dos seus extremos.

Nesta eleição presidencial vou abster-me. Faço-o por não encontrar em nenhum dos candidatos vestígio de argumento que mobilize o meu voto, para além de um desagrado visceral quanto ao modo acéfalo como tem decorrido a campanha.

Cavaco Silva segue o bem sucedido modelo Sócrates (face a Santana). Não expondo argumentos, raciocínios ou estratégias não se compromete e pela gestão dos silêncios e omissões espera manter a sua vantagem por imperícia dos seus contendores. Não creio que tenha o perfil ideal para Presidente da República, mas pode ser que supere Jorge Sampaio (o que não constitui tarefa árdua).

Soares tem o dom de me irritar solenemente. A auto-indigitação como pai da pátria e a consideração de que todo o português lhe deve algo (como se não o tivesse já pago e com elevados juros) causa-me náuseas. Mesmo que haja um alto preço (e já houve, redundando em aventuras santanistas) a pagar pela humilhação de cada um dos membros do clã Soares parece-me inteiramente justificado.

Manuel Alegre não me suscita qualquer tipo de comentário.

Jerónimo e Louçã parecem-me os únicos que alinhavam alguns argumentos merecedores de atenção mas trata-se de um jogo a dois, numa disputa longínqua e pouco relevante para a matéria em causa.

Garcia Pereira é uma espécie de “emplastro eleitoral”, sempre pronto a dizer umas coisas pouco simpáticas numa linguagem extremamente agressiva a cada câmara televisiva que se posiciona à sua frente.

No seu conjunto, a já longa campanha eleitoral (que para supremo enfado se iniciou logo após a campanha autárquica) cada vez mais se aproxima do circo futebolístico mediatizado. Os candidatos percorrem o país na companhia dos seus exaltados adeptos a que ainda se juntam outros localmente recrutados nas concelhias; os adeptos carregam as bandeirinhas, cachecóis, autocolantes e berram slogans ritmados por bombos e cânticos plagiados pelos inspirados meninos das “Jotas” dos das claques dos clubes de futebol.

Tudo isto é demorada e repetidamente gravado, editado, transmitido, analisado e comentado pelos três canais generalistas, canais temáticos, rádios e imprensa escrita, privilegiando sobretudo a forma e muito pouco o conteúdo, que, justiça lhes seja feita, é praticamente nulo. Em suma, o vencedor que o faça à primeira volta para que tão rapidamente quanto possível possamos gozar o período de acalmia eleitoral que se segue (Espero!).

domingo, janeiro 08, 2006

Because they are so long-lived, atoms really get around. Every atom you possess has almost certainly passed through several stars and been part of millions of organisms on its way to becoming you. We are each so atomically numerous and so vigorously recycled at death that a significant number of our atoms (...) probably once belonged to Shakespeare. (...) So we are all reincarnations - though short-lived ones. When we die, our atoms will dissemble and move off to find new uses elsewhere - as part of a leaf or other human being or drop of dew. Atoms themselves, however, go on practically for ever. (B. Bryson, A short history of nearly everything, p. 176)