sexta-feira, março 30, 2007

quinta-feira, março 29, 2007

E pronto, admito que...

a minha percepção de Istambul foi em muito influenciada pelo que andava a ler na altura da viagem. Melhor que qualquer guia turístico, as memórias de um residente, que por acaso é um escritor de excepção, ajudam a perceber uma cidade tão exótica e tão próxima. O livro cruza a autobiografia do autor com as recordações que tem da cidade, a sua história, os artistas que a pintaram, fotografaram ou descreveram. É melancólico, nostálgico, apaixonado, é Istambul.


Gatos de Istambul

Diz-se que o profeta Maomé gostava tanto de gatos que preferiu cortar uma parte do seu manto a incomodar um gato que lá dormia. E em Istambul vê-se que a lenda é verdade, os bons muçulmanos tratam bem os gatos. Por isso aqui temos o gato do palácio de Topkapi

















os gatos do museu arqueológico

















e o gato do Bazar.

sábado, março 24, 2007

E eis porque Istambul faz lembrar Lisboa

O mais evidente é a situação à beira mar, as duas margens densamente povoadas, as pontes parecidas e as colinas.

Mas uma volta fora do centro turístico faz aparecer mais semelhanças. É a decadência emparelhada com o luxo, o antigo com o moderno, a desordenação, os prédios pintados de cores garridas, os edifícios abandonados e em ruína, o trânsito intenso, os pormenores das casas, das fontes, das estátuas que fazem perceber que já foi uma bela e próspera cidade. Talvez não por acaso os dois países tenham outras coisas em comum: um império que já foi grande e que se perdeu, uma vontade desesperada de ser europeu, de ser moderno, de ser rico.

Assim não é de estranhar que os dragões se tenham sentido em casa em Istambul...

sexta-feira, março 23, 2007

O factor Wow

Istambul tem alguns locais que nos fazem abrir a boca de espanto. Ouvi num programa de viagens uma expressão que me parece adequada para caracterizar a sensação provocada pela visita a locais assim: o factor Wow.


Dentro desta denominação acho que se podem classificar a dimensão de Hagia Sofia (que não cabe numa fotografia) e os seus mosaicos dourados bizantinos

a cisterna da basílica e as suas dezenas de colunas



















o interior da mesquita azul



















os tesouros do palácio de Topkapi (que não podem ser fotografados) e o salão cerimonial do palácio de Dolmabahçe (idem, mas porque não comprámos o bilhete para a máquina...).

terça-feira, março 20, 2007

E Istambul também tem museus

Os dragões museófilos não podiam deixar de passar pelo interessante museu de artes islâmicas,
















pelo pequeno museu dos mosaicos, contendo os únicos vestígios do grande palácio bizântino,


















e pelo magnífico museu de arqueologia, um dos maiores do mundo.

sábado, março 17, 2007

Arte islâmica

Uma das coisas que levou os dragões a Istambul foi sem dúvida um recém descoberto interesse pela arte islâmica, produto das nossas andanças pelo Al-Andaluz. Os azulejos, a caligrafia, os gessos, os dourados, os mármores, os motivos geométricos, as decorações florais, a perfeita simetria, tudo é um encanto para os olhos e para alma. E Istambul tem tudo disto.

sexta-feira, março 16, 2007

Istambul

Entre a Europa e a Ásia

















fica uma cidade mágica


















com torres altaneiras


















mesquitas
















igrejas bizantinas













palácios










e gatos.

domingo, março 04, 2007

Dizem que faz lembrar o Freddie

E de facto tem parecenças. É um londrino libanês (não zanzinbariano), tem uma amplitude vocal considerável, não desafina no falseto, toca piano, escreve canções que ficam no ouvido, é flamboyant nos videos (mas não muito). Está a léguas de distância do mestre, mas vale a pena ouvir.

domingo, fevereiro 25, 2007

Os meus óscares

Independentemente dos prémios atribuídos logo à noite, tenho para mim que o melhor filme americano de 2006 foi o Little Miss Sunshine. Numa casca de noz, representa a essência da américa contemporânea: a família de pequena classe média que luta para se manter à tona, as instituições clássicas das viagens interestaduais por estrada (os moteis, as estações de serviço), os perversos concursos de beleza infantis sintomáticos da busca desperada da fama. Um conjunto de personagens magníficas, brilhantemente disfuncionais entre si e com o mundo: o avô hedonista, o filho existencialista, o tio intelectual, a mãe trabalhadora, o pai vendedor de banha da cobra falhado, a filha patinho feio. É uma comédia indie, irreverente, que faz concessões ao obrigatório final feliz da forma mais hilariante possível.

















Mas não é o melhor filme do ano. Na minha imodesta opinião, a glória vai todinha, idiscutívelmente, para o Labirinto do Fauno. Uma mistura genial de conto de fadas gótico com drama político situado no mais triste episódio da história de Espanha. O argumento tem o encademento perfeito de um relógio, a fotografia é de uma beleza sublime, as personagens despertam-nos fortes emoções: ódio e fascínio pelo malvado capitão, admiração pela corajosa resistente, empatia com a frágil orfã que tem nas mãos a díficil tarefa de salvar um mundo perdido, salvar o irmão, salvar-se a si mesma. O que mais se pode querer de um filme?




terça-feira, fevereiro 20, 2007

Gosto desta série



Uma das pérolas da BBC, que não sei porquê nunca passou na televisão portuguesa: One foot in the grave. Narra as desventuras de um reformado rezingão e da sua sofredora mulher, a quem tudo de bizarro parece acontecer. Os deuses parecem apostados em aborrecer Victor Meldrew, lançando-lhe em sorte toda a espécie de adversidades, coincidências improváveis, acidentes fortuitos, face aos quais as suas ineptas respostas só agravam as consequências. Cínico, mal humorado, contestatário, mas claramente norteado pelo desejo de fazer a coisa certa, Victor vai-se enredando, episódio a episódio, numa teia de mal entendidos e efeitos impremeditados francamente hilariante. Humor negro, muito negro, muito britânico. My favourite.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Vale a pena



A exposição de Candida Hoffer sai de cena no CCB no final desta semana, pelo que há que aproveitar os próximos dias. São umas dezenas de fabulosas fotografias, de grande dimensão, de espaços públicos em Portugal: teatros, palácios, bibliotecas, salas de espectáculo, igrejas. Magníficas salas vazias, fotografadas num enquadramento perfeito, em cores vibrantes, com efeitos de luz sublimes, uma nitidez espantosa. Serve para perceber que há sítios belíssimos nesta terra. E que a fotografia pode ser uma forma de arte arrebatadora.
Em contraponto, a outra exposição de fotografia, Besphoto. Felizmente que os clientes Bes não pagam, porque se este dragão tivesse dado um tostão que fosse pelo bilhete ficava francamente aborrecido. São expostos os trabalhos de quatro fotógrafos e contam-se pelos dedos de uma mão as fotografias que merecem mais do que um olhar de relance, quando a maioria é francamente horrorosa ou desinteressante. Uma mulher alemã que se fotografa a si própria com um barrete de borracha na cabeça, um tipo português que se fotografa a si próprio à espera do comboio (já não deve haver dinheiro para modelos), um filme de propaganda nazi pintado de vermelho (porquê?porquê?porquê?). Escapa uma instalação com fotografias antigas numa parede de damasco, "A mulher que casou cinco vezes", e uma das fotografias de Therezienstadt. Tudo o resto...

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Nostalgia


Carry me caravan take me away

Take me to portugal, take me to spain

Andalusia with fields full of grain

I have to see you again and again

Take me, spanish caravan

Yes, I know you can

Trade winds find galleons lost in the sea

I know where treasure is waiting for me

Silver and gold in the mountains of spain

I have to see you again and again

Take me, spanish caravan

Yes, I know you can


The doors

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Contos da modernidade avançada


Era uma vez uma série de televisão. Que a certa altura evoluiu para um jogo na internet. Que tem uma página na internet com um link para o website do fictício centro de investigação (que em nada se distingue de um centro real, com fichas de pessoal, de projecto, comunicados de imprensa). Que colabora com uma prestigiada organização científica canadiana, disponibilizando folhas informativas sobre a "ciência" por detrás de cada episódio.
Por cá passa quase despercebida, na Sic Radical, nas noites de terça feira. Mas é todo um hino à divulgação científica. Os cientistas são verdadeiros Indiana Jones de tubo de ensaio (e não chicote) em punho, viajando pelo mundo ou pelo seu laboratório a resolver mistérios, destapar conspirações, curar doenças, identificar bio-terroristas, travar epidemias. Depois claro que são humanos, têm dramas pessoais, vícios privados, problemas familiares.
Mas tem sobretudo ciência. O lado mais apelativo da ciência, que gera mais interesse, mais receio: o risco. Há a ciência vilã, que cria monstros, virulências, pragas, e a ciência heroína, que os combate, que os resolve, que torna a vida melhor.
A seguir, com atenção.