sexta-feira, agosto 31, 2007

Reportagem video 2

Reportagem video 1

Festas de Paço de Arcos



E cá estão elas mais uma vez, a marcar o fim do verão, as Festas do Senhor dos Navegantes em Paço de Arcos. Uma vez por ano o subúrbio tranquilo transfigura-se para a buliçosa feira, com os carroseis para as crianças, o restaurante dos bombeiros, os espectáculos nocturnos, as barracas de trapos e quinquilharia, as rulotes de farturas, o quiosque dos gelados Wong. Há regatas, romagens à estátua do herói local, peddy-paper e claro, a peça central, as procissões que levam o cristo da capela para a igreja, da igreja para a beira-mar e de volta à capela, em dias consecutivos. Uma vez por ano o tranquilo povo de Paço de Arcos sai à rua em massa, enche as alamedas da feira, dá corpo à procissão, anda por aí à aproveitar as cálidas noites de Verão.
Mas este ano há algo de diferente. Para já, não houve foguetes a marcar o início da festa, nem as regatas, nem como era costume todos os dias às 9 da noite. Depois a fanfarra dos bombeiros não inaugurou a feira. Cortaram o pio à mulher dos cobertores: pode vender mas não usar a "gaita" para anunciar os produtos (e lá se foi um dos melhores espectáculos da feira). A procissão foi das menos concorridas, para o que um padre velho como Matusalem e ao que parece senil, muito deve ter contribuído. Agora já só falta o espectáculo piro-musical ser uma decepção.
Já não se fazem Festas como antigamente...

sábado, agosto 25, 2007

O gato ganhou um brinquedo novo



Talvez fosse da chuva, talvez fosse da minha irritação ao aspirar bocados de cartão do chão do escritório porque o gato vai destruindo a caixa que lhe serve de refúgio, talvez fosse um ataque de consumismo no pouco propício ambiente do Lidl, o certo é que o gato hoje recebeu um presente. E à parte a dificuldade inicial do seu corpanzil mimado caber nos orifícios de entrada, parece ter gostado.

Hoje o dia acordou assim




sexta-feira, agosto 24, 2007

De comer e chorar por mais


É muito provavelmente o melhor filme de animação que já vi. A qualidade dos desenhos é soberba. Todos os detalhes estão cuidados ao mais ínfimo pormenor, do pêlo dos ratos à textura da comida, das ruas de Paris aos interiores dos restaurantes. As cores e a iluminação são assombrosas e até os humanos parecem gente a sério, a que as feições exageradas só emprestam realismo. As cenas de grande movimento são de cortar a respiração mas a magia também está nos pequenos gestos, como o do mordaz crítico gastronómico a fazer girar um copo de cristal entre os dedos excessivamente longos. A história repesca elementos que já se viu um milhão de vezes, mas com humor, com ritmo, com um fio condutor que é moral sem ser moralista. Transcender limites, quebrar barreiras, fazer o que ninguém fez antes é a história do engenho humano. “We are all in the gutter, but some of us are looking at the stars” (O. Wilde) podia ser o moto do filme.

sábado, agosto 18, 2007

Manic Miner

O meu jogo favorito quando tinha o Spectrum. Claro que nunca passei dos primeiros níveis...

quarta-feira, agosto 15, 2007

The Queen


Com um ano de atraso, os dragões lá viram a portentosa representação da Helen Mirren como Sua Majestade. Só reforçou a minha anglofilia. A melhor indústria cinematográfica do mundo. A melhor democracia do mundo. A mais bela língua do mundo. Só é pena que na realidade a minha Albion não seja tão perfeita como parece no ecrã.

terça-feira, agosto 14, 2007

Praia ingrata


É a melhor praia num raio de 50km (ou mais) da toca dos dragões. Uma extensão perfeita de areia imaculada, que convida a um passeio. Água limpa e saborosa onde se toma banho sem medo de gastrites, dermatites e outras ites. Ondas revoltas que tornam o mergulho num desafio. Cheiro a urze e maresia. A moldura verde e castanha da serra de Sintra, feita de arbustos, rochas e pinheiros. A dose certa de gente, para não se perder nem a privacidade nem a segurança. Surfers, bodyborders e kitesurfers para proporcionar entretenimento. Deliciosas bolas de berlim com o patrocínio do clix. Parques de estacionamento pago por uma quantia módica para garantir sempre lugar a preço justo. Acessos sem filas de trânsito (pelo menos nos dias de semana).
Seria a praia perfeita se não fosse a nortada. O vento dominante na maioria dos dias é intenso e vem de norte. Arrefece a temperatura do mar e do ar, empurra as ondas para alturas perigosas, tinge a bandeira de vermelho, salpica os veraneantes com água e areia, entorta os chapéus de sol até não haver outro remédio que não fechá-los. Em suma, dificulta, quando não impossibilita de todo, a fruição de um dia na praia.
Os dragões já sabem, quando saem de casa, que têm 50% de probabilidades de regressar ao fim de um par de horas, enregelados e salgados, frustados por nem terem despido as camisolas, por não terem molhado mais do que os dedos dos pés, por terem sido afugentados pelo temível vento norte. Mas, all things considered, ainda é a melhor praia que temos.

domingo, agosto 12, 2007

Weeds

Não é a melhor série de todos os tempos mas dá para entreter nas segundas feiras à noite. Um olhar desapiedado, irónico, radical sobre a vida nos suburbios californianos. Há drogas (como o nome indica), há sexo, há inveja, há mesquinhez, há intolerância. Mas como uma boa série americana também há amor familiar, amizade, moralidade. E o melhor de tudo: um puto que faz videos de talibãs, escreve canções de gangsta rap, dispara contra pumas e vende t-shirts iconoclastas. Não acredito que a série venha a ter uma grande longevidade (pelo menos mantendo a qualidade, o humor e a irreverência), mas nos EUA já vai na terceira temporada.

sábado, agosto 11, 2007

Contos da modernidade avançada


Era uma vez um boneco Lego gigante que deu à costa numa praia holandesa. Os empregados de um bar de praia deram com ele a boiar perto da areia, resgataram-no da água e ergueram-no junto ao estabelecimento. Obra de arte contemporânea? Dispositivo publicitário que caiu de um cargueiro? Fugitivo da Legolândia? Ser de outro planeta? Ninguém por enquanto sabe. A mensagem na camisola também está aberta à interpretação. O que se sabe por ora é que foi reconvertido em atracção do bar de praia. É assim a modernidade avançada.

sexta-feira, agosto 10, 2007

Mal posso esperar

A sorte é que os dragões estarão em Londres no final de Setembro e não vão perder este filme.

domingo, agosto 05, 2007

O corpo humano



como nunca o viu é o título de uma exposição que pode ser vista na porta ao lado dos Museus da Politécnica. Mas não confundir com a política de exposições destes museus, isto é uma iniciativa privada e sem sombra de dúvida com fins lucrativos. Não é que não tenha conteúdos científicos nem interesse didáctico. Mas há que admiti-lo: não é por isso que as pessoas a vão ver nem é por isso que esta exposição foi feita. São os cadáveres: é a atracção mórbida pelo que já esteve vivo, por aquilo que somos debaixo da pele, pelo que nos espera do outro lado da tumba. Há actualmente meios muito mais eficazes de mostrar a estrutura dos ossos, a circulação sanguínea, o efeito das doenças nos órgãos. Pode no entanto argumentar-se que nada supera o valor do original, do autêntico numa exposição. Sim, mas quando se prescinde de todos os outros formatos, é porque o que interessa mesmo é o meio, e não a mensagem.
É verdade que há peças que têm um inusitado valor estético: as artérias coloridas do torax suspensas numa solução líquida parecem coral, os pequenos fetos diáfanos em cilindros de vidro assemelham-se a seres de outro planeta. Mas não me parece que seja isso que leva milhares de pessoas a voluntariarem os seus corpos para serem plastinados e exibidos pelo mundo fora. Quem não se quer libertar da temível lei da morte, seja de que forma for?

sábado, julho 28, 2007

Contos da modernidade avançada


Era uma vez um touro sagrado, chamado Shambo, que residia num templo hindu algures no Pais de Gales. O touro tinha duas vidas, uma como animal santo, objecto de adoração pelos monges e pelos fiéis, outro como bovino residente no Reino Unido, sujeito às leis do país. No início deste ano, as duas vidas do touro colidiram: em exames de rotina, realizados pela autoridade veterinária, detectou-se o bacilo da tuberculose. E foi aqui que as duas vidas da besta colidiram. A lei diz que os animais infectados têm de ser abatidos. A religião hindu afirma que a vida dos touros é sagrada, não pode ser terminada à força. As autoridades galesas ratificaram a sentença de morte. Os monges do templo tentaram jogar no campo do adversário: por meio de argumentos científicos (os testes realizados não são infalíveis, podem dar origem a falsos positivos, seria necessário efectuar mais análises) e jurídicos (o animal não tem fins pecuários, não está em contacto com outros animais, excluíndo a possibildiade de contágio) tentaram revogar a sentença nos tribunais.
Esta semana este caso teve o seu desfecho. Ganhou a lei e a autoridade terrena. Perante a resistência pacífica dos monges e dos activistas dos direitos dos animais que entretanto se tinham juntado à causa, que protelou por umas horas o inevitável, polícias e autoridades sanitárias forçaram a entrada no templo e levaram o bicho para abate. A autópsia confirmou a tuberculose. Os hindus crêem que fizeram o que estava ao seu alcance para adiar o ciclo de reencarnação da besta sagrada e que o karma se encarregará se punir os sacrílegos. É assim a modernidade avançada.

quinta-feira, julho 19, 2007

Os Museus da Politécnica merecem ser vistos



Contra ventos e marés, cascas de nozes no universo que é a Universidade de Lisboa, desterrados longe da Cidade Universitária, com orçamentos batalhados, os dois Museus da Politécnica não se têm saído nada mal. Muitas das exposições são feitas quase (quando não literalmente) à mão, artesanalmente, com a "prata da casa", muitas vezes em salas sem reboco.

Proporcionam uma tarde bem passada, entre as experiências da exposição participativa e o deslumbrante laboratório chimico do Museu de Ciência, os dioramas realistas e os animaizinhos em formol do Museu Bocage, os dinossauros e os pedregulhos do Museu Geológico, as árvores e as borboletas do Jardim Botânico.

E pode ser só uma observação casuística, mas parece que a um Sábado à tarde de Julho não havia assim tão poucos visitantes...

Borboletas e museus


Está em exibição no Museu Nacional de História Natural uma exposição que vale realmente a pena visitar. Não só o tema é apelativo, como está extraordinariamente bem conseguida. É exemplar de como se pode combinar conservação da natureza, divulgação científica e comercialização de merchandising. E como se pode falar de ciência sem tomar o público por ignorante e manipulável.
Abre com uma projecção de animação por computador da marcha que ilustra a perenidade das borboletas ao longo de milénios. O quadro final, relativo à actualidade, não podia ser mais desanimador. Prossegue com uma sala interactiva onde se apresentam as borboletas ibéricas ameaçadas de extinção. Destaca depois a investigação científica sobre borboletas: dá voz e corpo aos cientistas ilustres que as estudaram na Península Ibérica, mostra os procedimentos para capturar espécimes, exemplifica a sua classificação e estudo e até deixa ver o interior de um moderno laboratório de biologia molecular onde se faz investigação genética sobre estes seres alados. No final há fotografias e objectos que tomam as borboletas como mote. E um balcão para venda de traquitanas associadas.
Lá fora há uma estufa onde se encontram exemplares vivos. Mas isso ficou para outra visita.

sexta-feira, julho 13, 2007

Ficámos no Savoy



que é um hotel perfeitamente simpático. Fica a uma distância aceitável do centro do Funchal. Dá acesso às exóticas piscinas e ao mar a partir do Royal Savoy. Tem um pequeno almoço abundante e variado. Os quartos são enormes e as camas idem. Proporcionam aos hóspedes roupões de banho. Tem uma pequena biblioteca com romances em inglês (que salvou este pequeno dragão do tédio depois de já ter esgotado a leitura que levava de casa). Tem um jardim com jogos como badmington, mini-golf, ping-pong. Tem um salão de colunas que parece saído de um palacete. E exuda um charme decadente a que é difícil resistir: os veludos coçados, os dourados oxidados, os cristais baços, as carpetes puídas, as lajes de mármore quebradas. A idade média dos empregados ronda os 60 anos. Todos os anos nos dizem que está para ser implodido. Esperemos que não.
Mas ainda não perdi a esperança de um dia ficar no Reid's. Do outro lado do penhasco, parece ainda mais majestoso, apesar dos apendices modernos. Teve hóspedes famosos, como Wiston Churchill, e mantém um jardim frondoso. Talvez um dia...

E o que fizeram os dragões nas férias?






Nada de mais. Chapinharam em todas as piscinas do hotel, mergulharam no mar, leram romances deitados em espreguiçadeiras à sombra das palmeiras, caminharam pela cidade, passearam de catamarã para ver golfinhos, preguiçaram na esplanada do Golden Gate (a "esquina do mundo" segundo o Ferreira de Castro - mais sobre isto mais tarde), empaturraram-se de peixe e milho frito, bolo de mel e vinho madeira. Que mais se podia pedir?

Isto









levou-nos a comprar isto.


O snorkeling é uma experiência fascinante, mesmo sem viajar para lugares exóticos como Sharm-el-Sheik. Em ilhas de águas límpidas e cálidas, mesmo à beira da costa vêem-se peixes e estrelas do mar muito bonitos. E boiar à superfície dá a sensação de estar a sobrevoar um mundo diferente, aquoso, mágico.